Ontem, a peça 16 mediu quem tocou no clima, na inteligência artificial e na bioeconomia. Hoje a pergunta é mais ampla: que assuntos mais renderam cobertura desde março, em que semanas, com quem nas matérias e com que tom para Lula e para Flávio Bolsonaro.
Desde 25 de março, a imprensa publicou 85.921 matérias sobre a eleição. Dois assuntos renderam mais que qualquer outro, e lado a lado: o tarifaço de Trump e a crise com os Estados Unidos, com 4.316 matérias, e o caso Banco Master, com 4.270. Juntos, são 10,0% do total. O terceiro, as convenções que oficializaram as candidaturas, ficou com 1.689, menos da metade de cada um. Os doze maiores, no gráfico abaixo, somam 19.169 matérias, 22,3% do total.
Entre os dois primeiros, a diferença é de 46 matérias, pouco para dizer qual foi o maior. A classificação que separa um assunto do outro acertou 55 de 60 matérias numa conferência de setembro, e uma diferença desse tamanho cabe no erro dela. Por isso, lado a lado.
Antes de seguir, o que estamos contando. "Render", aqui, quer dizer ocupar espaço na cobertura, medido em matérias; não quer dizer importância, gravidade, verdade nem efeito no voto. Contamos 85.921 matérias de 2.038 veículos, de 25 de março a 30 de setembro, em que o painel verificou a presença de ao menos um dos treze candidatos ou de Pablo Marçal. Marçal teve a candidatura barrada pelo TSE e conta como candidato em todo o período, como na peça 11. Como Lula é presidente e candidato, a cobertura do governo entra na conta.
O assunto de cada matéria é o acontecimento principal dela, tirado de uma lista que o painel mantém e que só ganha um nome novo quando um fato provoca uma rajada de matérias. Cada matéria tem um acontecimento só; quando trata de dois, vale o do título. O tarifaço inclui a visita de Lula à Casa Branca e o G7. O Master, que é a liquidação do banco de Daniel Vorcaro e o que veio depois, inclui a CPI, a operação da PF contra Ciro Nogueira e os áudios de Flávio Bolsonaro a Vorcaro. Uma matéria sem acontecimento também tem fato; ele só não está na lista. Voltamos a elas no fim.
Três assuntos ficaram na cobertura; nove vieram em onda
O tarifaço e o Banco Master, lado a lado, renderam mais que o dobro de qualquer outro assunto
Matérias da eleição pelo acontecimento principal de cada uma, de 25 de março a 30 de setembro de 2026, e a fatia das matérias de cada semana que o assunto ocupou (a última semana tem só três dias). Os doze maiores entre os 147 acontecimentos da lista.
os dois primeirosos outros dez
Painel Eleições 2026: 85.921 matérias de imprensa sobre a eleição com ao menos um dos 13 candidatos ou Pablo Marçal verificado, de 25 de março a 30 de setembro de 2026; um acontecimento por matéria, o principal, pela classificação de acontecimentos do painel. Fica de fora o que não entrou em nenhum acontecimento (56,4% das matérias). Método.
No gráfico, a barra da esquerda é o total de cada assunto, e as colunas da direita mostram quanto de cada semana ele ocupou. Três assuntos ficaram na cobertura semana após semana: tiveram 20 matérias ou mais em pelo menos metade das 28 semanas, sem juntar mais de 30% do próprio total numa semana só. O tarifaço teve 20 ou mais em 23 semanas, de abril a setembro; o Master, em 19, no mesmo período; o fim da escala 6x1, em 16, de março ao fim de agosto. O Master chegou perto do limite: a semana de 11 de maio reuniu 29,8% de todas as matérias do caso. O 6x1 ficou, mas sempre pequeno: a semana em que mais ocupou a cobertura foi a de 25 de maio, a da aprovação na Câmara, e mesmo nela não passou de 7,3% das matérias.
Os outros nove vieram em onda: tiveram 20 matérias ou mais em apenas duas a nove semanas. A indicação de Jorge Messias ao STF concentrou 63,8% das 1.360 matérias do assunto numa semana só, a da rejeição pelo Senado, em 29 de abril. A designação do PCC e do CV como terroristas pelos Estados Unidos concentrou 67,5% das 676 matérias na semana do anúncio, feito em 28 de maio.
Os assuntos que surgiram do fim de julho em diante não tiveram tempo de ficar: até 30 de setembro, não restavam as 14 semanas, metade das 28, que a regra pede. Dois deles ainda tinham 20 matérias ou mais na última semana completa, a de 21 de setembro: a crise entre Moraes e Mendonça no STF e o inquérito da PF contra Lulinha (799 matérias). A inelegibilidade de Marçal, não.
No fim da lista, a ordem é frágil: do 9º ao 14º lugar, os totais vão de 724 a 613 matérias, e ali não dá para cravar posição. A inelegibilidade de Pablo Marçal está em 12º, com 648 matérias. Somado o capítulo de setembro, que a classificação contou à parte (o TSE nega o registro e o PRTB troca Marçal por Leonardo Avalanche), o assunto chega a 830. O 12º lugar também depende de Marçal estar na conta: sem as 775 matérias em que ele é o único candidato citado, ficaria com as sabatinas da Globo, com 619.
Na campanha, nenhum assunto ocupou uma semana como o Master ocupou a de 11 de maio
Na pré-campanha, em seis semanas um assunto passou de 20% das matérias da eleição. O pico foi do Master, na semana de 11 a 17 de maio, a dos áudios de Flávio Bolsonaro a Daniel Vorcaro, divulgados a partir do dia 13: 1.273 das 3.357 matérias da semana, ou 37,9%. O tarifaço, a indicação de Messias e os vídeos de Michelle Bolsonaro também tiveram semanas acima de 20%; a maior semana de cada assunto está escrita nas colunas do gráfico. Os cinco maiores assuntos da pré-campanha são os mesmos do ranking geral.
Na campanha oficial, de 16 de agosto em diante, nenhum assunto chegou perto disso. O que mais ocupou uma semana foram as sabatinas da Globo: 573 das 4.514 matérias da semana de 24 de agosto, ou 12,7%. Somada a campanha inteira, o maior assunto foi a crise entre Moraes e Mendonça no STF, à frente do Master e do debate da Band.
A crise no STF nasceu de mensagens de Vorcaro que envolviam Moraes, e por esse caminho o Master também atravessou a campanha. A classificação trata os dois como fatos diferentes, e não os somamos. Aqui a crise entra só pelo tamanho: ela é o tema de uma edição extra, em 3 de outubro.
Quem está nas matérias de cada assunto
Em quatro dos doze assuntos, a maioria das matérias tem Lula e não tem Flávio; em dois, o contrário
Quem está nas matérias de cada assunto: Lula sem Flávio, os dois, Flávio sem Lula ou nenhum dos dois (só outros candidatos). A primeira linha é a eleição inteira; a linha tracejada marca a metade.
Lula sem Flávioos doisFlávio sem Lulanenhum dos dois
Painel Eleições 2026: 85.921 matérias de imprensa sobre a eleição com ao menos um dos 13 candidatos ou Pablo Marçal verificado, de 25 de março a 30 de setembro de 2026; um acontecimento por matéria, o principal, pela classificação de acontecimentos do painel; um candidato está na matéria quando o par dele foi verificado. Método.
O segundo gráfico divide as matérias de cada assunto em quatro grupos: as que citam Lula e não Flávio Bolsonaro, as que citam os dois, as que citam Flávio e não Lula, e as que não citam nenhum dos dois. Ele mostra quem a cobertura cita, não quem provocou o fato. A primeira linha é a referência, a eleição inteira: Lula está em 58,9% de todas as matérias e, em 41,0% do total, aparece sem Flávio. Por isso, para Lula, estar em mais da metade das matérias de um assunto diz pouco.
Em quatro dos doze, a maioria das matérias cita Lula e não cita Flávio: o tarifaço, a indicação de Messias, o fim da escala 6x1 e o inquérito contra Lulinha. Em dois, é o contrário: no Master, dois terços das matérias citam Flávio sem Lula; nos vídeos de Michelle, quase todas. Em três, nenhum grupo chega à metade: a crise do STF, o debate da Band e a designação do PCC e do CV. Nos outros três, a maioria das matérias não cita nenhum dos dois: as convenções e o registro no TSE, que são ritos da eleição, e a inelegibilidade de Marçal. Quando dizemos que um assunto é "de Lula" ou "de Flávio", é só nesse sentido. O tarifaço é de Lula porque a cobertura é a do governo dele; o Master é de Flávio porque a maior parte das matérias o cita.
Os outros candidatos quase não têm assunto grande. Entre os doze, só um tem outro candidato em mais da metade das matérias: a inelegibilidade de Marçal, em que ele aparece em 98,3% delas. O seguinte, já fora da lista, é a pré-candidatura de Ronaldo Caiado (613 matérias). Nos doze, os demais candidatos aparecem pelos ritos da eleição. No debate da Band, Renan Santos está em 35,6% das matérias, e Caiado, Augusto Cury e Romeu Zema, em mais de um quinto cada. No registro no TSE, Hertz Dias aparece em 19,8%, contra 1,5% na eleição inteira.
O tom de cada assunto para Lula e para Flávio
Entre os doze, o caso Master foi o assunto de saldo mais negativo para Flávio (−64,1); o inquérito contra Lulinha, para Lula (−53,0)
Saldo de tom de cada um (fatia de matérias positivas menos a de negativas, em pontos) nas matérias do assunto e em todas as outras matérias da eleição. Assuntos dos doze com 100 matérias ou mais do candidato; à direita, quantas.
nas matérias do assuntoem todas as outrastarifaço e Master
Painel Eleições 2026: 85.921 matérias de imprensa sobre a eleição com ao menos um dos 13 candidatos ou Pablo Marçal verificado, de 25 de março a 30 de setembro de 2026; um acontecimento por matéria, o principal, pela classificação de acontecimentos do painel; tom pela régua do painel (positivo é espaço sem contraponto, não elogio). Sentimento · Método.
O terceiro gráfico compara o tom. O saldo de um candidato é a fatia de matérias positivas para ele menos a de negativas, em pontos. "Positivo" quer dizer espaço sem contraponto, como o declaratório de quem fala e é ouvido, e não elogio; "negativo" é a matéria desfavorável ao candidato, com ou sem crítica da imprensa (verbete sentimento).
Nas 3.671 matérias do tarifaço que citam Lula, o saldo dele foi de +17,8 pontos. É o tarifaço que puxa o saldo de Lula para cima: na eleição inteira, ele é de +1,4; sem o tarifaço, cairia para +0,1, praticamente zero. A peça 15 mostrou o motivo na campanha, quando o painel já mede quem fala nas matérias: a imprensa pôs Lula para falar sobre os Estados Unidos, e a fala sem contraponto conta como positiva. Mas quase todo o tarifaço é da pré-campanha (4.035 das 4.316 matérias), quando o painel ainda não media isso.
Entre os doze, o saldo mais alto de Lula foi o do fim da escala 6x1 (+21,6 pontos), e os mais negativos, o do inquérito da PF contra Lulinha (−53,0) e o da indicação de Messias, rejeitada pelo Senado (−36,8).
Para Flávio Bolsonaro, o assunto de saldo mais negativo entre os doze foi o Master. Das 3.297 matérias do caso que o citam, 72,7% foram negativas e 8,6% positivas: saldo de −64,1 pontos. Sem o Master, o saldo de Flávio na eleição seria de −6,8, e não de −12,2. Nas matérias sobre os vídeos em que Michelle Bolsonaro criticou Flávio, em junho, o saldo dele ficou em −29,7.
O saldo de Flávio foi positivo na indicação de Messias e na crise do STF, em que ele aparece como crítico, e nas convenções; com saldo menor, também no PCC e no CV e no inquérito contra Lulinha. O gráfico traz o saldo de cada um e quantas matérias citam o candidato em cada assunto.
Mais da metade das matérias ficou fora de qualquer acontecimento
Das 85.921 matérias, 48.467 (56,4%) não entraram em nenhum acontecimento da lista. Na campanha, essa fatia subiu: era de 52,7% na pré-campanha e foi a 63,7%. Uma em cada cinco dessas matérias (21,2%) tem pesquisa no título; entre as que têm acontecimento, só 2,2% na pré-campanha e 0,8% na campanha.
Para saber o que são, sorteamos 60 matérias da campanha sem acontecimento e lemos uma a uma. Das 60, 56 não eram de nenhum acontecimento da lista: 18 de agenda e campanha, 14 de pesquisa, 10 de fatos que não chegaram a provocar rajada, 7 de declarações ou entrevistas (entre elas sabatinas da CBN e do SBT, não as da Globo), 4 análises e 3 propostas. Só uma, na fronteira, era de um dos doze: a análise do Valor de 7 de setembro que lê uma pesquisa Quaest à luz da crise do STF. As outras três eram de outros acontecimentos da lista, como Lula embarcando para a ONU (Valor, 16/09).
Entre os fatos sem rajada estão Lula e Janja recebendo Leonardo DiCaprio no Planalto (InfoMoney, 02/09) e o TSE mandando suspender um jingle da campanha de Lula que citava o caso Master (CBN, 27/09). No caso do jingle, o fato é a suspensão, não o Master. Outro, Lula confirmando à Globo que não iria ao debate de 1º de outubro (Folha, 30/09), é do último dia do período e ainda pode virar rajada.
A leitura mostra que a fatia maior de matérias sem acontecimento na campanha não quer dizer que os doze escaparam da classificação: o que fica de fora é sobretudo agenda, campanha e pesquisa.
O que isto não diz
Não diz qual assunto foi o mais importante ou o mais grave, nem o que era verdadeiro, nem se algum deles mudou voto. Diz quanto cada acontecimento ocupou a cobertura da eleição desde março, em que semanas, com quem nas matérias e com que tom. Cobertura não é voto.
Amanhã
Amanhã, a peça 18 fecha a série: "O que a imprensa decidiu antes do eleitor".
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Como este texto foi feito
Esta é a décima sétima resposta de 18 respostas sobre a imprensa, uma série diária do painel Eleições 2026. Os números vêm do banco do painel, na janela de 25 de março a 30 de setembro de 2026, e todos foram conferidos antes da escrita. O acontecimento principal de cada matéria vem da classificação de acontecimentos do painel (modelos DeepSeek), que acertou 55 de 60 matérias lidas uma a uma em setembro; o tom de cada candidato vem do classificador de tom do painel. Pablo Marçal, que teve a candidatura registrada e barrada pelo TSE, conta como candidato. Sessenta matérias da campanha que não entraram em nenhum acontecimento, sorteadas, foram lidas uma a uma na sessão, para dizer o que elas são. O texto é escrito por Claude Fable 5.1 e revisto por Claude Opus 5.5 (Anthropic) em sessão, com apuração, critérios e revisão humanos, e publicado por Leonardo Fontes de Sales. Como cada peça nasce, o que os números medem e não medem e o glossário dos termos da casa estão em Como a série é feita. Licença CC BY 4.0.