Eleições 2026 · Resumo mensal

A crise no Supremo rendeu mais do que qualquer ato de campanha

A disputa entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, no Supremo, rendeu 1.281 matérias e virou o maior fato do mês, enquanto Lula viu a cobertura negativa cair para 16% e Flávio Bolsonaro fechou setembro com o saldo mais negativo do pelotão da frente.

Leonardo Fontes de Sales 19 min
Eleições 2026 — Resumo de setembro de 2026

Dois ministros do Supremo Tribunal Federal em choque aberto, mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, divulgadas, pedidos de impeachment contra um deles e um presidente da República cobrando solução do presidente do tribunal e do procurador-geral. O maior acontecimento da eleição em setembro de 2026 não teve candidato no centro: a disputa entre Alexandre de Moraes e André Mendonça em torno do caso Master/Vorcaro rendeu 1.281 matérias entre 1º e 30 de setembro, contra seis em agosto. Nenhum gesto de campanha chegou perto disso.

E o que mais chama atenção no mês é o que não houve. Dois dos três debates marcados para a reta final foram cancelados pelas próprias emissoras: o consórcio de onze veículos desistiu do encontro de 14 de setembro em 8 de setembro, depois que Lula e Flávio Bolsonaro não confirmaram presença, e a Record cancelou o debate de 27 de setembro em 23 de setembro, quando os dois recusaram o convite. Caiado tratou o primeiro cancelamento como golpe à democracia; Renan Santos chamou o segundo de boicote eleitoral. A campanha chegou à última semana antes do primeiro turno sem um único debate entre os dois nomes mais cobertos pela imprensa.

O painel registrou 18.827 matérias distintas em setembro, praticamente o mesmo volume de agosto (18.717), que teve um dia a mais. Já as menções (a soma das linhas do ranking, que passa o total de textos porque muita matéria cita mais de um nome) foram de 25,7 mil em agosto para 28.964, sinal de uma cobertura cada vez mais comparativa: Lula e Flávio Bolsonaro respondem por 63,8% delas, e a distância entre os dois, que era de 3.282 artigos em agosto, abriu para 3.977. A novidade do pelotão da frente está no terceiro lugar, que mudou de dono: Augusto Cury saltou de sexto para terceiro.

CandidatoArtigosSaldo
Lula11.2230 pp
Flávio Bolsonaro7.246-8 pp
Augusto Cury2.126+24 pp
Renan Santos1.707+18 pp
Ronaldo Caiado1.627+19 pp
Romeu Zema1.416+9 pp
Edmilson Costa659+2 pp
Rui Costa Pimenta571+5 pp
Samara Martins546+6 pp
Hertz Dias495+4 pp
Wilson Grassi480+3 pp
Clariana Barão479+5 pp
Leonardo Avalanche389-2 pp
Artigos verificados no mês e saldo de sentimento (pontos percentuais de cobertura positiva menos negativa). As linhas não somam o total: a matéria que cita dois candidatos conta nas duas. No mês, foram 18.827 matérias distintas.

O Supremo no meio da campanha

A crise chegou aos seis nomes de maior volume: o STF ou a crise no tribunal estão entre os dez assuntos principais de cada um. Na cobertura sobre Lula, "crise no stf" aparece em 564 artigos e "stf" em outros 411, com a expressão "crise stf" repetida 280 vezes nas manchetes sobre ele. Em Flávio Bolsonaro, são 365 artigos de STF e 290 da crise, com "moraes" em 5% das manchetes. O caso Banco Master, de onde a crise saiu, foi o segundo maior acontecimento do mês: 739 matérias, contra 84 em agosto. Em setembro, ele girou em torno de Flávio Bolsonaro e do dinheiro de Vorcaro para "Dark Horse", o filme sobre Jair Bolsonaro cujo financiamento a Polícia Federal investiga. O afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, rendeu outras 281 matérias: Mendonça o determinou, o ministro Flávio Dino o desfez e, em 9 de setembro, o presidente do tribunal, Edson Fachin, suspendeu as duas decisões, e Andrei ficou no cargo. No mesmo dia, Fachin tirou Moraes da relatoria do inquérito das fake news. O pico veio na metade do mês: em 15 de setembro, o plenário do Supremo começou a julgar se abriria investigação contra Moraes no caso Master e interrompeu o julgamento sem decisão; no dia seguinte, a crise teve 177 matérias, o maior volume do mês.

Cada candidato usou a crise de um jeito. Flávio Bolsonaro pediu da tribuna do Senado, em 1º de setembro, o impeachment imediato de Moraes; Renan Santos protocolou no dia seguinte pedidos de impeachment de Moraes e Toffoli e, no feriado, fez um ato no Ibirapuera. Zema convocou para 7 de setembro um ato contra Moraes na Avenida Paulista e acabou hostilizado no local, no mesmo dia em que Lula desfilava em Brasília com os chefes de Poderes; o feriado e os comícios somaram 473 matérias. Caiado disse à Veja que nunca se viu escândalo desse nível atingir ministros do Supremo e, no dia do julgamento, pediu a abertura de investigação contra Moraes. Rui Costa Pimenta, do PCO, foi além: segundo o Brasil 247, disse que a crise é política e defendeu a extinção do tribunal. Na imprensa de direita, a leitura foi outra: O Antagonista publicou a análise "Lula merece afundar com o STF".

Lula: mais volume, menos hostilidade

Com 11.223 artigos, 18% acima dos 9.500 de agosto, o presidente viu a cobertura negativa cair de 20,1% para 16,0%; a positiva ficou praticamente estável, de 16,2% para 16,4%. O mês foi feito de atos de governo com efeito de campanha, e a imprensa cobriu nessa chave: o discurso na Assembleia-Geral da ONU (465 matérias) e a medida provisória que proibiu bets e cassinos online a nove dias do voto (442 matérias), ambos já analisados no resumo da última semana cheia, mais o reajuste de 15% no Bolsa Família, com 284 matérias; o Bolsa Família aparece em 462 das matérias sobre o presidente.

Onde há juízo explícito, o quadro muda de sinal. Nas 567 peças de opinião sobre Lula o sentimento médio foi -0,20, contra 0,02 nas 9.433 notícias, e essa opinião tem endereço: a Gazeta do Povo editorializou que o reajuste foi cartada eleitoreira e Luís Ernesto Lacombe, no mesmo jornal, chamou Lula de "a alma mais desonesta do Brasil" ao comentar a entrevista a Christiane Amanpour; a Crusoé, em texto reproduzido por O Antagonista, acusou o presidente de tentar interferir na eleição dos Estados Unidos. Do lado favorável, O Cafezinho fez a comparação direta com o adversário em "O monstro e o estadista".

Flávio Bolsonaro: Vorcaro, Dark Horse e um boato sobre a padroeira

O senador do PL cresceu 17% em volume (7.246 artigos) e piorou em tom: o saldo passou de -5 para -8 pontos percentuais, com a fatia positiva encolhendo de 17,5% em agosto para 13,7%. Os assuntos mudaram: corrupção (302 matérias), lavagem de dinheiro (241) e Banco Master (279), que em agosto não estavam entre os dez principais, entraram na lista; "vorcaro" aparece em 5% das manchetes, e a expressão "dark horse", nome do filme, foi repetida 255 vezes. O blog do Noblat, no Metrópoles, resumiu a situação como presidenciável investigado por quatro crimes; o Estadão publicou editorial dizendo que ele é um candidato sob suspeita e, segundo registrou o Brasil 247, chegou a chamá-lo de mentiroso crônico. O Cafezinho repercutiu o jornal em texto sobre as versões de Flávio para o dinheiro de Vorcaro.

O segundo eixo foi defensivo. A notícia falsa de que ele pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil rendeu 395 matérias entre 25 e 30 de setembro, e "nossa senhora" apareceu 263 vezes nas manchetes sobre ele. O caso foi parar nos tribunais: no TSE, André Mendonça mandou derrubar as publicações a pedido de Flávio Bolsonaro; no Supremo, Flávio Dino anulou a ordem no dia 27 e Luiz Fux a restabeleceu no dia 29; no dia 30, o plenário do TSE formou maioria para manter a remoção. Os pedidos de cassação também cruzaram o TSE nos dois sentidos: em 20 de setembro, a campanha de Lula pediu a cassação do registro da chapa de Flávio por uso irregular do Instagram; em 28, Flávio pediu a cassação da chapa Lula-Alckmin e a inelegibilidade de Janja e Margareth Menezes, por suposto uso do Ministério da Cultura na campanha, como também noticiou o ND+. O caso da filiação ao Missão que ele diz não ter feito, investigado pela PF desde agosto, sumiu das manchetes: nenhum título de setembro trata dele. Na opinião, o sentimento médio foi de -0,29 em 336 textos, contra -0,04 nas 6.182 notícias; a Revista Fórum dá o exemplo do tom.

Augusto Cury: terceiro no painel, com tom menos favorável

O escritor do Avante teve 2.126 artigos, 55% mais que em agosto, e passou Renan Santos, Caiado e Zema. Mas o crescimento veio com tom menos favorável: a cobertura positiva caiu de 35,5% para 30,2% e a negativa dobrou, de 3,0% para 6,2%. A imprensa abriu o mês tentando nomear o fenômeno. A coluna Esplanada, no Midiamax, registrou que ele ultrapassou Caiado nas pesquisas; o Jornal de Brasília o apresentou como a terceira via que saiu do armário, e O Cafezinho abriu o mês dizendo que "o fenômeno Cury não é acaso". Terceira via aparece em 97 artigos e polarização política em 192. Quando fala diretamente, é bem tratado: 0,29 de sentimento médio nas 32 entrevistas, contra 0,11 nas 1.838 notícias. Das 132 matérias negativas, 76 vieram de veículos de centro; esquerda e direita empataram, com 17 cada. À esquerda, um exemplo é a coluna de Moisés Mendes no Diário do Centro do Mundo.

Renan Santos: da suspensão revista ao protesto anunciado

Teve a maior queda de volume entre os seis mais cobertos: 1.707 artigos, 13% menos que em agosto. A suspensão determinada por Dias Toffoli, no TSE, em 31 de agosto, por omissão de perfis nas redes sociais, durou pouco: no dia seguinte, ele recuou e liberou a campanha nas redes, a ida a debates e o fundo eleitoral, e em 10 de setembro o TSE aprovou o registro da chapa. O episódio da suspensão rendeu 247 matérias em setembro e colocou "toffoli" em 9% das manchetes sobre ele; a Conjur explicou o que motivou a decisão original. O Missão também foi ao tribunal: acionou o TSE contra Flávio Bolsonaro por suspeita de perfis americanos pagos, ligados ao trumpismo, que divulgavam apostas apontando o senador como favorito, caso que o JOTA detalhou. A cobertura negativa sobre ele caiu pela metade, de 15,9% para 7,7%. Das 131 matérias negativas, 80 vieram de veículos de centro, e parte delas tratou do método do partido: o Nexo dissecou a linguagem de avatares e memes, e Carlos Madeiro, em coluna no UOL, registrou o presidente do Missão na Bahia pregando chacinas em favelas. À direita, o Jornal Razão narrou a irritação de Renan com um repórter em Balneário Camboriú. Em 14 de setembro, Renan disse que não apoiaria nem Lula nem Flávio em segundo turno. Fora do debate da Globo pelo critério de bancada, que exige do partido cinco parlamentares eleitos em 2022, anunciou protesto na porta da emissora e, quando Lula confirmou a ausência, em 30 de setembro, o Missão pediu ao TSE a participação dele no debate.

Caiado e Zema: a direita que sobrou fora do eixo

Caiado fechou o mês com 1.627 artigos (8% menos) e a menor fatia negativa entre os seis mais cobertos: 3,0%. Parte do volume veio da saúde dele: Caiado ficou internado em São Paulo de 10 a 13 de setembro, com pneumonia, e 120 matérias, 7% do total, tratam da internação ou da saúde do candidato. Vale lembrar a régua: o painel mede a cobertura sobre cada nome, não o teor do que ele diz, e a matéria em que um candidato acusa outro costuma entrar negativa para o acusado e positiva para quem acusa. Foi o caso da fala em que Caiado chamou Flávio de "personagem criado para disputar uma eleição", positiva para ele e negativa para o senador. Das 49 matérias negativas sobre Caiado, 30 vieram de veículos de centro; à esquerda, a coluna de Paulo Henrique Arantes saiu tanto no Brasil 247 quanto no Diário do Centro do Mundo.

Zema teve 1.416 artigos (5% menos) e três quartos de cobertura neutra, mas o saldo caiu de +13 para +9 pontos. Entre os gêneros, a distância é grande: 0,06 de sentimento médio nas 1.272 notícias e -0,29 nas 31 peças de opinião. A Gazeta do Povo, da direita, ligou a queda nas pesquisas à ausência no debate da Band, em agosto; o Metrópoles leu as críticas a Moraes como tentativa de recuperar terreno à direita, e a CartaCapital tratou a relação dele com o governador Mateus Simões, que o sucedeu em Minas, como abraço de afogados. Também ficou fora do debate da Globo.

O PRTB em setembro: indeferido, substituído, desistente

A saga do partido rendeu 564 artigos que citam Pablo Marçal, mais que os 389 sobre o substituto dele, e o número importa para entender o que está sendo medido: quase dois terços tratam do registro, do indeferimento e da troca, não do ex-candidato. Inelegível até 2032 pelo caso dos cortes de vídeo da campanha de 2024, Marçal teve o registro indeferido pelo TSE em 11 de setembro e foi substituído em 14 de setembro pelo próprio vice, Leonardo Avalanche, presidente do partido, cujo patrimônio declarado de R$ 495 milhões é o maior do painel e virou pauta logo na estreia, como no perfil do ND Mais. A cobertura de Avalanche foi 96,7% neutra e girou em torno do registro (123 matérias) e da substituição (99). A virada veio no último dia do mês: depois de Marçal anunciar apoio a Flávio Bolsonaro e entrar na campanha do senador, Avalanche anunciou a desistência da candidatura e, como registrou a Gazeta do Povo, criticou o que chamou de "pseudodireita". No TSE, porém, ele continua sendo o candidato oficial do PRTB, com o registro ainda pendente de julgamento.

A cauda: propostas que viraram manchete

Entre os outros seis nomes da cauda, Samara Martins (UP) foi quem transformou programa em cobertura: 546 artigos, 56% mais que em agosto, com "salário mínimo" 89 vezes nas manchetes, "dobrar salário" 80 e "escala 4x3" 60. A Jovem Pan a apresentou como dentista do SUS e militante de esquerda. Edmilson Costa (PCB) cresceu 33% (659 artigos) com a jornada de 30 horas e o fim da escala 6x1; Hertz Dias (PSTU) ficou estável em 495 e defendeu a reestatização da Petrobras; Rui Costa Pimenta (PCO) somou 571 artigos, 94,9% neutros, com pautas de voto impresso e desconfiança nas urnas. Wilson Grassi (Democrata) teve a campanha digital suspensa por Toffoli em 31 de agosto e liberada dois dias depois, e virou nota por propostas como o salário de R$ 1 milhão por mês para deputados e senadores. Clariana Barão (DC) cresceu 43% e acusou Augusto Cury de misoginia depois de dizer que foi chamada por ele de "advogadinha que ninguém conhece", episódio replicado por veículos regionais como o RepórterMT. Das 13 chapas registradas, duas têm mulheres como titulares; nenhuma das seis candidaturas mais cobertas do painel tem mulher na chapa.

Setembro nas agendas globais

A agenda Democracia mudou de patamar: 3.406 artigos, contra 987 em agosto, alta de 245%. Virou a maior do mês e tirou a liderança da Geopolítica, que estava à frente desde maio; a última vez que Democracia liderou foi em abril. A explicação é direta: a crise do Supremo, os pedidos de impeachment e a discussão sobre a integridade do processo eleitoral entram na agenda Democracia pela régua do painel. Lula puxa 1.779 desses artigos e Flávio Bolsonaro 1.377, com Renan Santos em 346. O exemplo mais claro é o discurso na ONU, em que o presidente, como registrou a Conectas, organização de direitos humanos, colocou a integridade do processo eleitoral brasileiro no centro da mensagem.

Geopolítica cresceu 4% (1.309 artigos, contra 1.253) e segue quase monopolizada por Lula, com 1.059 das menções, o que diz menos sobre a agenda internacional e mais sobre o fato de que apenas um candidato tem política externa em exercício. Inteligência Artificial caiu 16% (427 artigos, contra 509), e o Poder360 mostrou que nenhum dos planos de governo registrados no TSE atende às recomendações para o setor. Energia recuou 22% (207 artigos, contra 265), e um ensaio no Nexo apontou o custo ausente dos programas, com a fatia das térmicas fósseis projetada para saltar de 10% para 18% até 2040.

Embaixo da lista está o clima: 135 artigos em 18.827, queda de 10% sobre os 150 de agosto, menos de um ano depois da COP30, em Belém. O Periferia em Movimento foi perguntar o que os planos de governo preveem para a crise climática. Bioeconomia dobrou, mas partindo de quase nada (75 artigos, contra 36); entre os registros, o Poder360 noticiou que o fundo de florestas tropicais chegou a US$ 7,3 bilhões com aporte britânico. Na reta final, a agenda que entrou na campanha foi a das regras do jogo; clima, energia e bioeconomia seguiram à margem.

Quem publicou, e com que régua

A imprensa de centro sustentou de 64% a 72% do volume dos seis nomes mais cobertos, e a assimetria das bordas se manteve. Sobre Lula, a direita publicou mais que a esquerda (13,2% contra 11,0%), com a extrema-direita respondendo por outros 2,5%. Sobre Flávio Bolsonaro, o inverso ficou mais acentuado que em agosto: 15,9% de esquerda contra 9,5% de direita. O segundo veículo que mais publicou sobre o candidato do PL no mês foi o Diário do Centro do Mundo (403 artigos), atrás apenas do UOL (429) e à frente de g1 (375) e Folha (329). Cada campo gasta parte considerável da energia com o adversário. Nas manchetes, um nome puxa o outro: "flávio" está em 37% dos títulos sobre Lula, e "lula", em 45% dos títulos sobre Flávio.

Na cauda, pesam o serviço público e o calendário: a Agência Brasil é o veículo que mais publicou sobre Wilson Grassi e Clariana Barão e está entre os três primeiros de outros quatro nomes, e expressões como "confira agenda" e "agenda presidenciáveis" estão entre as mais repetidas nas manchetes de cinco candidatos. Entre 21% e 29% do volume desses nomes vem de veículos sem posição declarada, em geral portais locais ou de serviço que republicam agências, o que torna frágil qualquer leitura ideológica da cauda.

Os temas: a pesquisa na frente

Pesquisa eleitoral é assunto de 5.126 das 18.827 matérias do mês, mais de uma em cada quatro. Entre as que citam Lula, a fatia chega a 39%; entre as que citam Flávio, a 41%. "Quaest" aparece em 8% a 14% das manchetes de dez dos treze candidatos. Depois da pesquisa e dos assuntos da própria campanha, o que mais aparece é o Supremo, em 2.106 matérias. Entre as áreas de governo, política externa (799 matérias, 673 delas sobre Lula) e segurança pública (672) vêm à frente do Bolsa Família (553), puxado pelo reajuste de 15%.

O que ficou de fora é o mesmo de agosto. Educação não aparece entre os dez assuntos principais de nenhum dos treze candidatos; somados todos os assuntos ligados a ensino, são menos de 2% das matérias do mês. Saúde pública só entra na lista de Rui Costa Pimenta, com 47 matérias. O clima rendeu menos da metade das matérias sobre o afastamento do diretor-geral da PF (135 contra 281). Com dois dos três debates cancelados, a cobertura de propostas ficou com os candidatos de menor volume, justamente os que não tinham palco para discuti-las.

Movimentos do mês

Sete datas organizam setembro. Em 7 de setembro, o desfile em Brasília e o ato de Zema na Paulista dividiram o feriado. Em 8, o consórcio de onze veículos cancelou o debate do dia 14. Em 11, o TSE indeferiu o registro de Marçal; em 14, o PRTB o substituiu por Avalanche. Em 23, a Record cancelou o debate do dia 27 e o Missão acionou o TSE contra Flávio. Em 28, Flávio pediu a cassação da chapa de Lula. Em 30, Marçal entrou na campanha do senador, Avalanche anunciou a desistência a quatro dias do voto e Lula avisou à Globo que não iria ao debate de 1º de outubro, o único dos três que sobreviveu. A emissora convidou quatro candidatos pelo critério legal de bancada, Lula, Flávio, Caiado e Cury; Flávio havia confirmado presença em 27 de setembro e, com a ausência de Lula, o Missão pediu ao TSE a participação de Renan.

Observações finais

Em setembro, o Supremo virou pauta da eleição: uma crise entre dois ministros do Supremo rendeu mais matérias do que qualquer ato de campanha. Os dois mais cobertos terminaram o mês em direções opostas. Lula chega ao primeiro turno com volume 18% maior e a fatia negativa em 16%, abaixo dos 20,1% de agosto, num mês de atos de governo: o discurso na ONU, a medida provisória das bets e o reajuste do Bolsa Família. Flávio Bolsonaro chega com volume também maior, saldo pior e o caso Master entre os principais assuntos da cobertura sobre ele. Sem debate entre os dois, a pesquisa eleitoral ocupou mais de uma em cada quatro matérias. Ao fim de setembro, a quatro dias do voto, o painel registrava uma campanha que falou muito sobre quem estava na frente e pouco sobre o que cada um pretende fazer.

Este é o último balanço mensal do projeto Eleições 2026. Foram seis, desde o que cobriu de 26 de março a 25 de abril, e dois fios ajudam a ler o conjunto. O caso Banco Master, que o balanço de maio descreveu como notícia que "virou enredo", chegou a setembro dentro do Supremo, no maior acontecimento do mês. E a distância entre os dois mais cobertos, que em julho ficou em cerca de cem matérias, a menor já registrada, termina setembro em 3.977. Daqui em diante, o acompanhamento segue no painel e nos resumos semanais: o de 5 de outubro, logo depois do primeiro turno, é o último com todos os candidatos; se houver segundo turno, os seguintes cobrem só os dois finalistas.

Fontes consultadas

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Como esse resumo foi feito

Este texto é gerado a partir do banco de dados do projeto Eleições 2026, que monitora continuamente a cobertura da imprensa brasileira sobre os candidatos à Presidência. No período de 1 a 30 de setembro, o sistema coletou artigos de dezenas de veículos — portais de notícias, agências, blogs e imprensa regional — via Brave Search, feeds RSS, Google News e sitemaps de portais jornalísticos.

O processo tem quatro etapas automatizadas: (1) coleta e normalização dos artigos por coletores rodando cinco vezes por dia em servidor dedicado; (2) verificação anti-falso-positivo por DeepSeek V4.1 Flash, que remove menções fora de contexto eleitoral; (3) classificação de sentimento por candidato, extração de tópicos e classificação de gênero jornalístico pelo mesmo modelo, com DeepSeek V4 Flash e GLM 5.3 Flash como reservas até 27/09 e DeepSeek V4 Pro como reserva desde 28/09 quando o titular está indisponível; (4) geração do texto editorial por Claude Opus 5 com raciocínio estendido, tendo como contexto obrigatório os posts anteriores desta série.

Uma nota sobre como ler o tom: o painel mede a cobertura sobre cada candidato, não o teor do que ele diz. Uma matéria em que um candidato acusa outro costuma ser negativa para quem é acusado e positiva para quem acusa, que nela aparece como protagonista da denúncia. O mesmo texto entra na conta dos dois com sinais opostos.

O rascunho passa por revisão humana antes da publicação. Números e afirmações factuais são verificados contra o banco de dados — afirmações sem respaldo direto nos dados são removidas ou reescritas. Os links apontam para as fontes primárias mencionadas no texto; quando um veículo é citado sem link, significa que o artigo foi identificado no banco mas não estava acessível publicamente no momento da revisão.

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