Às 20h24 do domingo, 25, com 47,62% das seções apuradas, Lula passou à frente de Flávio Bolsonaro por 50,01% a 49,99% e não perdeu mais a liderança, segundo o arquivo de totalização do TSE. Quarenta minutos antes, quem estava na frente era o senador. Às 21h09, com 97,69% das seções apuradas, o tribunal marcou o resultado como matematicamente definido, e a totalização fechou às 23h27: 51,79% a 48,21%, com 4.430.191 votos de diferença. Foi também o dia com mais matérias de toda a campanha: 1.675, contra 1.420 no domingo do primeiro turno, 4 de outubro, e 1.322 em 1º de outubro. O domingo teve mais de três vezes a média diária de 25 de março a 24 de outubro (516,9 matérias). Lula aparece em 1.459 desses textos e Flávio em 1.031 (a matéria que cita os dois conta nos dois).
Uma palavra sobre o recorte, porque os números não batem com os do último resumo semanal: aqui o domingo vai de 0h a 23h59 no horário de Brasília, com a coleta fechada no fim da segunda, 26. O semanal contou o mesmo dia só até as 20h59 e registrou 1.129 matérias. A diferença é a noite inteira, mais o que a coleta trouxe na segunda. A falta de ônibus, os pedidos de prorrogação das duas campanhas, a decisão de Cristiano Zanin e o voto no exterior estão narrados lá. Esta edição fica sobretudo com a noite.
Como a imprensa cobriu o domingo
De manhã, os dois votaram com recados contrastantes. Flávio, no Rio, disse que "chegou a hora da mudança de verdade"; Lula, em São Bernardo, enalteceu a mobilização popular. A prorrogação da votação, à tarde, também rendeu reação de fora, que circulou em veículos brasileiros: um advogado ligado a Trump falou em "manipulação descarada" do STF, e Javier Milei republicou um post que comparava Lula a Maduro.
Com o resultado, o enquadramento mudou. O Valor Econômico tratou a reeleição como virada histórica e a leu contra o avanço da direita no mundo; O Globo foi pelo outro lado da mesma cena, a segunda derrota seguida do bolsonarismo e a discussão de renovação que ela abre. No discurso de vitória, Lula agradeceu à juventude e criticou as big techs e o adversário. Flávio chamou o resultado de "sacanagem", disse ser "impossível" reconhecer a derrota e que tentará a anulação. Na Revista Oeste, de extrema-direita, o título ficou no anúncio; no Brasil de Fato, de esquerda, a falta de provas entrou no título.
No tom do dia, Lula ficou com 23,2% de matérias positivas e 4,6% de negativas, saldo de 18,6 pontos percentuais; Flávio, com 8,4% e 12,8%, saldo negativo de 4,4. Na semana de 19 a 25, os saldos publicados tinham sido de +5 e −15. O painel mede o tom da cobertura sobre cada nome, não o voto nem o acerto das pesquisas. Três veículos, CNN Brasil (165), InfoMoney (146) e g1 (99), somaram quase um quarto das matérias do domingo.
O que fica em aberto é o anúncio de Flávio. Nenhuma manchete do domingo registra pedido protocolado: o que houve foi o anúncio. Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, afirmou que a prorrogação não provocou "nenhuma alteração" na eleição, e O Globo lembrou que o próprio PL pediu adiamento da votação em cidades com temporal. Analistas ouvidos pela BBC News Brasil viam chances remotas de anulação, e a Gazeta do Povo, de direita, escreveu que a diferença de votos dificulta a anulação. Nada disso diz o que vai acontecer.
As coletas do monitor seguem até o fim de outubro, e o balanço da cobertura inteira da campanha, de março a outubro, sai no sábado, 31, quando o painel congela.
Extra — edição extraordinária sobre a cobertura do dia da votação, decidida pela redação; o balanço do Monitor das Eleições sai no sábado, 31.
Fontes consultadas
16 links · 9 veículos
Diário Carioca
Diário do Centro do Mundo
Folha de S.Paulo
Gazeta do Povo
O Cafezinho
Como esse resumo foi feito
Este texto é gerado a partir do banco de dados do projeto Eleições 2026, que monitora continuamente a cobertura da imprensa brasileira sobre os candidatos à Presidência. No domingo, 25 de outubro, de 0h a 23h59 no horário de Brasília, o sistema coletou artigos de dezenas de veículos — portais de notícias, agências, blogs e imprensa regional — via Brave Search, feeds RSS, Google News e sitemaps de portais jornalísticos.
O processo tem quatro etapas automatizadas: (1) coleta e normalização dos artigos por coletores rodando cinco vezes por dia em servidor dedicado; (2) verificação anti-falso-positivo por DeepSeek V4.1 Flash, que remove menções fora de contexto eleitoral; (3) classificação de sentimento por candidato, extração de tópicos e classificação de gênero jornalístico pelo mesmo modelo, com DeepSeek V4 Pro como reserva quando o titular está indisponível; (4) geração do texto editorial por Claude Opus 5 com raciocínio estendido, tendo como contexto obrigatório os posts anteriores desta série.
Uma nota sobre como ler o tom: o painel mede a cobertura sobre cada candidato, não o teor do que ele diz. Uma matéria em que um candidato acusa outro costuma ser negativa para quem é acusado e positiva para quem acusa, que nela aparece como protagonista da denúncia. O mesmo texto entra na conta dos dois com sinais opostos.
O rascunho passa por revisão humana antes da publicação. Números e afirmações factuais são verificados contra o banco de dados — afirmações sem respaldo direto nos dados são removidas ou reescritas. Os links apontam para as fontes primárias mencionadas no texto; quando um veículo é citado sem link, significa que o artigo foi identificado no banco mas não estava acessível publicamente no momento da revisão.
Nenhum post é publicado sem revisão do editor.