Ontem, a peça 18 fechou a série e prometeu para hoje esta edição extra sobre a crise do STF, que as peças 16 e 17 deixaram para ela.
O STF entrou de três jeitos na cobertura da eleição presidencial: foi a cadeira em disputa em abril, a crise em setembro e, na reta final, o árbitro da própria campanha. Desde 25 de março, o painel reuniu 88.230 matérias de imprensa sobre a eleição. Em 7.918 delas, 9,0%, o título trazia o STF, o Supremo, um dos dez ministros ou Jorge Messias, o indicado de Lula à cadeira vazia da Corte. Não foi na crise que o STF pesou mais nos títulos: foi na semana de 27 de abril, quando o Senado rejeitou Messias.
Medimos a presença no título, não no corpo, porque o corpo coletado traz também menus e chamadas de outras matérias. Título com STF não quer dizer matéria sobre o STF. A base segue a regra da peça 17, até 2 de outubro: matérias de 2.093 veículos em que o painel verificou a presença de ao menos um dos treze candidatos ou Pablo Marçal.
Ministro do STF segue sendo do STF quando julga no TSE; é assim que Toffoli e Nunes Marques entram. Sem os títulos que falam do TSE ou que só citam Toffoli ou Nunes Marques, sairiam 876 matérias: ficariam 7.042, e a fatia do período cairia de 9,0% para 8,0%. Messias entra como indicado à cadeira vazia; sem os títulos que só falam dele, ficariam 7.306, 8,3%.
O STF veio em ondas
A maior fatia do STF nos títulos da eleição veio com a rejeição de Messias, em abril, não com a crise de setembro
Fatia das matérias da eleição de cada semana com o STF, o Supremo, um dos dez ministros ou Jorge Messias no título, de 25 de março a 2 de outubro de 2026. Semanas de segunda a domingo, rotuladas pela segunda; a primeira tem cinco dias, e a última, de 28 de setembro, também tem cinco e aparece mais clara. A faixa marca a campanha oficial, de 16 de agosto em diante. Conta presença no título, não o assunto da matéria; decisões de ministros do STF como juízes do TSE entram. Os números marcam os cinco episódios da chave abaixo.
STF, ministro ou Messias no títulosemana de cinco dias (28/9 a 2/10)
1 20/04 · o vídeo de Zema com sátira aos ministros; Gilmar pede a Moraes que o investigue · 2 27/04 · o Senado rejeita a indicação de Jorge Messias ao STF · 3 13/07 · Moraes proíbe por 90 dias as visitas de Flávio Bolsonaro ao pai · 4 07/09 · a crise, em três semanas: as mensagens de Vorcaro com Moraes, o afastamento do diretor da PF, o julgamento de Moraes adiado · 5 28/09 · cinco dias: ministros decidem sobre o debate da Globo, que a emissora cancela, e sobre os posts de Nossa Senhora
Fonte: painel Eleições 2026, 88.230 matérias de imprensa sobre a eleição (com ao menos um dos 13 candidatos ou Pablo Marçal verificado), 25 de março a 2 de outubro de 2026, lidas em 03/10/2026. STF no título: "STF", "Supremo", o nome de um dos dez ministros ou de Jorge Messias, inclusive em decisões de ministros do STF como juízes do TSE. Método.
Na maior parte do tempo, a fatia do STF nos títulos é pequena: 5,3% nas 21 semanas abaixo de 10%. As colunas sobem em abril, têm um pico menor em julho, voltam a subir na crise de setembro e, menos, na reta final. Na pré-campanha, até 15 de agosto, o STF esteve em 4.297 dos 56.740 títulos, 7,6%; na campanha, em 3.621 de 31.490, 11,5%.
Abril: a cadeira
Na semana de 13 de abril, Moraes abriu inquérito contra Flávio Bolsonaro ("Moraes abre inquérito contra Flávio Bolsonaro por suposta calúnia contra Lula", G1, 15/04). Na semana seguinte, o episódio 1 do gráfico, um vídeo de Romeu Zema com sátira aos ministros levou Gilmar Mendes a pedir que Zema fosse investigado ("Gilmar pede a Moraes para investigar Zema no inquérito das fake news por vídeo com sátira ao STF", Estadão, 20/04). Zema respondeu ("Zema nega crime e classifica vídeo com fantoches de ministros do STF como sátira", TMC, 20/04).
O pico do gráfico, o episódio 2, veio na semana de 27 de abril, quando o Senado rejeitou a indicação de Messias, enviada por Lula no fim de março. A rejeição anterior de um indicado ao Supremo fora em 1894. O STF esteve em 932 dos 3.010 títulos da semana, 31,0%, e Messias, em 695 deles. Nosso resumo daqueles dias se chamou "A semana da derrota Messias".
Sozinha, a indicação de Messias foi o acontecimento principal de 28,8% das matérias da semana, pela peça 17. Os 31% somam também outros fatos, como o embate de Zema com os ministros. O recorde de um assunto numa semana, porém, é do caso Banco Master: 37,9% na semana de 11 de maio, pela mesma peça 17.
Julho, entre as ondas: Jair Bolsonaro
Na semana de 13 de julho, o episódio 3 do gráfico, Moraes ampliou as restrições a Jair Bolsonaro ("Moraes proíbe visitas de Flávio a Bolsonaro por 90 dias", Folha, 13/07).
Setembro: a crise, uma matéria em cada cinco
Nas três semanas da crise, de 31 de agosto a 20 de setembro, 2.476 das 12.379 matérias da eleição tinham o STF no título, 20,0%: uma em cada cinco. Como disse a peça 17, a crise nasceu de mensagens de Vorcaro que envolviam Moraes. Daniel Vorcaro é o dono do Banco Master.
Na primeira semana, candidatos a presidente defenderam a saída do ministro ("Candidatos a presidente defendem saída de Alexandre de Moraes do STF após mensagens de Vorcaro", Valor, 01/09), e Flávio pediu ao Senado o impeachment de Moraes. Na mesma semana, Toffoli, como juiz do TSE, suspendeu a campanha digital de Renan Santos e Wilson Grassi. A semana teve 947 títulos com o STF, mais que qualquer outra do período; em fatia, ficou atrás da de Messias, porque a cobertura tinha crescido.
A semana de 7 de setembro, o episódio 4 do gráfico, teve a fatia mais alta da crise, por pouco. No ato da Paulista, Flávio disse que indicaria cinco ministros ao STF. Na mesma semana, Mendonça afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Na semana seguinte, Dino adiou o julgamento de Moraes ("Dino adia julgamento de Moraes e cola Lula à crise no STF", Gazeta do Povo, 16/09). Segundo a peça 17, a crise entre Moraes e Mendonça foi o maior assunto da campanha.
A reta final: o árbitro
Nos cinco dias da última semana, de 28 de setembro a 2 de outubro, o STF esteve em 482 dos 4.791 títulos, 10,1%. Em abril e em setembro, a Corte foi sobretudo assunto da eleição; na reta final, foi sobretudo árbitro da própria campanha. O debate da Globo é o acontecimento principal de 111 dessas matérias, e os posts sobre Nossa Senhora Aparecida, de 99.
Os posts passaram por três ministros entre 27 e 30 de setembro. Dino liberou a publicação ("Dino anula decisão do TSE e libera publicação sobre Nossa Senhora que causou dano a Flávio Bolsonaro", Folha, 27/09). Flávio pediu a Fux que anulasse a decisão, e Fux a suspendeu ("Fux suspende decisão de Dino e manda derrubar posts sobre Nossa Senhora Aparecida", Exame, 29/09). Depois, Mendonça recuou e liberou outro post ("Mendonça recua e libera post de Erika Hilton associando Flávio Bolsonaro a Nossa Senhora", Folha, 30/09).
Gilmar mandou a Globo incluir Renan Santos no debate ("Gilmar determina que TV Globo inclua Renan Santos em debate presidencial", Exame, 01/10). No mesmo dia, a Globo cancelou o debate ("Globo cancela debate presidencial após decisões do TSE e STF de última hora", InfoMoney, 01/10). Flávio pediu ao STF que afastasse Dino de processos, e Fachin negou ("Fachin rejeita pedido para afastar Dino de processos relacionados a Flávio, Lula e eleições 2026", G1, 01/10). Augusto Cury foi ao Supremo protestar ("Augusto Cury vai ao STF protestar contra cancelamento do debate da Globo e entrega carta a Fachin", Bahia Notícias, 02/10).
O monitor do STF, que acompanha a cobertura da Corte, mostra a reta final do outro lado. Ele mede desde 6 de setembro, o domingo que fecha a primeira semana da crise. De lá a 2 de outubro, 2.284 das 17.180 matérias sobre a Corte, 13,3%, tinham o nome de um candidato a presidente no título. Nos cinco dias da reta final, essa fatia subiu para 21,7% (666 de 3.063), contra 12,6% (687 de 5.453), 9,8% (505 de 5.164) e 11,8% (363 de 3.070) nas três semanas anteriores.
O tom: mais duro para Lula, mais brando para Flávio
Nas matérias do STF, o tom para Lula foi mais duro em todas as fases; para Flávio Bolsonaro, mais brando em três das quatro
Saldo de tom de Lula e de Flávio Bolsonaro, em pontos (fatia de matérias positivas menos a de negativas), nas matérias da eleição com o STF no título (dourado) e no resto da cobertura de cada um (tinta), em quatro fases: a cadeira (25 de março a 31 de maio), entre as ondas (1º de junho a 30 de agosto), a crise (31 de agosto a 20 de setembro) e depois da crise (21 de setembro a 2 de outubro de 2026). Cada haltere liga as duas medidas da mesma fase; à direita, quantos pares matéria × candidato entram na medida do STF.
STF no títuloresto da cobertura dele na fase
Fonte: painel Eleições 2026, 123.651 pares matéria × candidato com tom em 88.230 matérias de imprensa sobre a eleição, 25 de março a 2 de outubro de 2026, lidas em 03/10/2026; base mínima de 30 pares por medida. Tom do par pela régua do painel ("positivo" é espaço sem contraponto, não endosso; a fala do candidato conta a favor dele). Método.
O saldo de um candidato é a fatia de matérias positivas para ele menos a de negativas, em pontos, contada nos pares matéria × candidato. "Positivo" é espaço sem contraponto, não endosso, e a fala do candidato conta a favor dele (declaratório). O gráfico mostra quatro fases: a cadeira (25 de março a 31 de maio), entre as ondas (1º de junho a 30 de agosto), a crise (31 de agosto a 20 de setembro) e depois da crise (21 de setembro a 2 de outubro).
Para Lula, as matérias do STF foram mais duras que o resto da cobertura dele nas quatro fases. No período inteiro, o saldo dele nelas foi de −21,6 pontos, em 4.105 pares, contra +3,4 no resto. Para Flávio, foram mais brandas em três: na cadeira, entre as ondas e na crise. Depois da crise, a conta virou. No período, o saldo de Flávio nelas foi de −1,9, em 3.110 pares, contra −13,0 no resto.
Na cadeira, o que pesa no saldo de Lula é a indicação de Messias: 1.122 dos 1.694 pares dele nas matérias do STF, com saldo de −33,8. Entre as ondas, nenhum fato domina: quase metade dessas matérias ficou sem acontecimento, e, entre as outras, o maior é o inquérito contra Lulinha. Na crise, a briga entre Moraes e Mendonça fica perto de zero para ele (−2,4 em 628 pares). Pesam mais o 7 de Setembro, com o desfile e os atos de campanha (−45,5 em 112 pares), e o afastamento do diretor-geral da PF (−21,6 em 130). Lula viu o afastamento como indevido ("Lula vê afastamento de Andrei como indevido, mas pede cautela sobre reação", CNN Brasil, 08/09).
No caso Master, Flávio é o alvo: saldo de −64,1, o mais negativo dos doze assuntos da peça 17. Na crise do STF, que nasceu das mensagens do mesmo Vorcaro, ele está do lado de quem cobra: +12,1, pela mesma peça. No afastamento de Andrei Rodrigues, o saldo dele foi de +36,7, em 60 pares. No inquérito que Moraes abriu contra ele por calúnia, foi de −60,7, em 267 pares.
Quem fala nas matérias do STF
O painel mede quem fala em cada matéria desde 10 de agosto; aqui vale a campanha, de 16 de agosto a 2 de outubro. Nas matérias com o STF no título, Flávio Bolsonaro fala em 38,5% (516 de 1.341 pares), contra 23,6% no resto; Lula, em 27,3% (468 de 1.716), contra 23,0%. Três falam ainda mais: Ronaldo Caiado em 80,4% (189 de 235), Zema em 67,9% (188 de 277) e Cury em 67,1% (141 de 210), contra 26% a 33% no resto.
Para esses três, a fala ajuda a explicar o saldo: pela medida do painel, ela conta a favor do candidato. Na crise, o saldo de Zema nas matérias do STF foi de +46,0 (174 pares), contra +7,6 no resto; o de Caiado, +65,6 (192), contra +14,9; o de Cury, +52,8 (142), contra +28,3.
A fala não explica o saldo de Lula e de Renan Santos, que também falam mais nas matérias do STF que no resto (Renan, em 44,9%, contra 38,4%). Mesmo assim, o saldo deles nelas ficou abaixo do resto na crise e depois dela. O de Lula está no gráfico; o de Renan foi de +10,8 contra +12,1 na crise e de −6,0 contra +10,4 depois dela. Nas matérias dos dois, há decisões e fatos que os atingem, da rejeição do indicado de Lula à suspensão da campanha de Renan por Toffoli. Nas matérias sobre a suspensão, o saldo foi de −27,1 para Renan (468 pares) e de −41,5 para Wilson Grassi (118).
O que isto não diz
Não diz que o STF interferiu na eleição, nem se alguma decisão da Corte foi certa ou errada, nem se a cobertura foi justa com alguém. Não diz se a crise mudou voto. Medimos presença no título, tom do par e quem fala. Título com STF não é matéria sobre o STF; nome de candidato no monitor não é matéria eleitoral. Cobertura não é voto.
Amanhã
O primeiro turno é amanhã, 4 de outubro; o painel segue no ar em eleicoes2026.sapienslabs.com.br, e a cobertura da Corte continua no monitor do STF.
A série terminou; o painel continua depois do voto. Quem assina a newsletter do SapiensLabs recebe, toda terça, o resumo da semana da eleição. Sem anúncio, sem afiliado; cancela com um clique.
Como este texto foi feito
Este é um extra de 18 respostas sobre a imprensa, publicado depois do fecho e fora da numeração da série, do painel Eleições 2026. Os números vêm do banco do painel, de 25 de março a 2 de outubro de 2026, e todos foram conferidos antes da escrita. Contamos uma matéria como do STF quando o título cita o STF, o Supremo, um dos dez ministros ou Jorge Messias, o indicado de Lula à Corte, inclusive quando o ministro decide como juiz do TSE; sem os títulos que falam do TSE ou só citam Toffoli ou Nunes Marques, a conta cai de 9,0% para 8,0% das matérias. O tom de cada candidato vem do classificador de tom do painel. A cobertura da Corte vem do Monitor do STF, painel irmão, de 6 de setembro a 2 de outubro. Os números que a peça 17 publicou entram com o valor dela, medido até 30 de setembro; os demais vão até 2 de outubro. O texto é escrito por Claude Fable 5.1 e revisto por Claude Opus 5.5 (Anthropic) em sessão, com apuração, critérios e revisão humanos, e publicado por Leonardo Fontes de Sales. Como cada peça nasce, o que os números medem e não medem e o glossário dos termos da casa estão em Como a série é feita. Licença CC BY 4.0.