Sete meses, 117.687 matérias: o balanço do Monitor das Eleições 2026
De 25 de março a 31 de outubro, a cobertura da eleição presidencial foi se fechando em Lula e Flávio Bolsonaro, e a fatia negativa do que se publicou sobre Flávio foi maior que a de Lula nas quatro fases. O balanço do monitor, e o do experimento.
Leonardo Fontes de Sales37 min
Monitor das Eleições 2026Balanço
49%
das matérias do 2º turno citaram Lula e Flávio Bolsonaro juntos.Eram 17,5% na pré-campanha. Em 221 dias, 117.687 matérias de 2.360 veículos.
Citam os dois · 8.660Só um dos dois · 8.953
Painel Eleições 2026 · SapiensLabs2º turno · 05 a 25 out · 17.678 matérias
Durante sete meses, de 25 de março a 31 de outubro, o Monitor das Eleições 2026 acompanhou como a imprensa brasileira cobriu a eleição presidencial. Foram 117.687 matérias de 2.360 veículos, com o tom e o assunto de cada uma lidos por modelo de linguagem. O monitor mede cobertura, não intenção de voto. O resultado das urnas é do TSE, e é por ele que este balanço começa.
Dois achados atravessam os sete meses. A cobertura foi se fechando em dois nomes até a votação: na pré-campanha, menos de uma em cada cinco matérias citava Lula e Flávio Bolsonaro juntos; no segundo turno, quase metade. E a parte negativa do que se publicou sobre Flávio foi maior que a de Lula nas quatro fases da eleição. A distância foi menor na campanha do primeiro turno e maior nos seis dias depois do resultado.
O texto segue a ordem da capa do painel, que desde 1º de novembro mostra os números consolidados: começa pelo fim e volta, fase a fase, até a pré-campanha. Depois junta os sete meses e conta o que funcionou e o que não funcionou num painel que nasceu como experimento, em 1º de abril.
O resultado e os seis dias seguintes
Lula foi reeleito em 25 de outubro com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio Bolsonaro, uma diferença de 4.430.191 votos, segundo o TSE. Foi uma virada entre os turnos: no primeiro, em 4 de outubro, Flávio teve 47,03% e Lula, 45,16%.
A coleta seguiu por mais seis dias, de 26 a 31 de outubro, e a repercussão teve o ritmo mais alto da série: 5.977 matérias, quase mil por dia. O pico da série foi a noite da apuração e a segunda-feira seguinte.
Nesses seis dias, mais da metade das matérias que citaram Flávio teve tom negativo para ele: 52,8% de 3.600. Para Lula, a fatia negativa foi de 10,6%, e um quarto das matérias sobre ele teve tom positivo. A distância cresceu nos primeiros dias: a fatia negativa de Flávio foi de 26,4% no dia 26 a 75,4% no dia 29.
O que mudou de um dia para o outro foi o assunto. No dia 26, o ministro Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio e o proibiu de deixar o país. Segundo as matérias, Flávio deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos; os relatos divergem sobre o dia da saída. Numa carta, ele se declarou presidente eleito. A Polícia Federal disse que ele não é considerado foragido e que não havia pedido de prisão. A saída e a carta foram o assunto de 1.743 matérias, três em cada dez desses seis dias.
A palavra mais usada para o episódio foi "fuga", presente em 30,2% dos títulos sobre ele. Começou como hipótese, no dia 26, nos pedidos para reter o passaporte e evitar uma "possível fuga". No dia seguinte virou "suposta fuga", apareceu na fala de um aliado à agência Reuters e na de adversários, como Renan Santos, e depois passou à voz dos próprios veículos. O uso dependeu de quem publicou. Metade dos títulos dos veículos de esquerda trouxe a palavra, mais da metade deles de um só veículo, o Diário do Centro do Mundo. Nos de centro, foram três em cada dez; nos de direita, menos de um quarto. O único veículo de extrema-direita com títulos sobre o caso escreveu "saída" e "viagem". Na carta, Flávio escreveu: "Não fugi do Brasil". Por isso este texto chama o episódio de saída e deixa a palavra "fuga" para quem a usou. No painel, ele leva o nome que a imprensa mais usou: "Fuga de Flávio Bolsonaro para os EUA".
Os outros assuntos da semana foram a reeleição e as reações a ela (1.411 matérias) e os resultados estado a estado (931). Vieram depois a queda da Bolsa e a alta do dólar no dia seguinte à votação (117): o Ibovespa fechou o dia 26 em queda de 13,88%, segundo a Agência Brasil. E a prorrogação da votação ordenada pelo ministro Cristiano Zanin, com o pedido de anulação do segundo turno anunciado por Flávio (76).
Das seis agendas globais que o monitor acompanhou, a crise da democracia esteve em 18,2% das matérias da repercussão, a maior parte que ela teve em qualquer fase. A saída de Flávio e a carta foram o assunto de quase metade dessas matérias.
O segundo turno: três semanas com dois nomes
Entre as duas votações, de 5 a 25 de outubro, saíram 17.678 matérias, 842 por dia. A última semana, de 19 a 25, foi a maior da série, com 7.043 matérias. Desde o dia 5 o monitor buscava só os dois finalistas, e quase metade das matérias citou Lula e Flávio juntos.
Na soma das três semanas, a fatia negativa de Flávio foi maior: 18,6%, contra 13,3% de Lula. Semana a semana, a ordem mudou. Na primeira, logo depois do primeiro turno, Flávio teve a fatia negativa menor (13,7%, contra 18,7% de Lula) e a maior fatia positiva desde abril, 28,5%. Da segunda semana em diante, a ordem se inverteu, e a distância cresceu até a última: 21,6% de matérias negativas para Flávio, 9,6% para Lula.
Nenhum assunto tomou conta do segundo turno. O maior foram as decisões do TSE sobre o canal "Exército do Lula", de André Janones, no WhatsApp, suspenso, liberado e suspenso de novo (562 matérias). Depois vieram a aprovação do fim da escala 6x1, promulgada pelo Congresso em 16 de outubro (537); o desafio dos sigilos, em que Lula pediu ao TSE a abertura dos próprios sigilos e cobrou o mesmo de Flávio (339); e a disputa no TSE sobre a moderação da Meta durante a campanha (261).
A campanha do primeiro turno: catorze nomes, dois na frente
De 16 de agosto, quando a propaganda começou, a 4 de outubro, a cobertura teve 33.968 matérias, 679 por dia. O monitor seguia catorze nomes. Lula esteve em 56,9% das matérias e Flávio, em 42,6%; sete em cada dez citaram ao menos um dos dois. Entre os outros, Renan Santos e Augusto Cury foram os mais citados, com 10,9% cada, seguidos de Ronaldo Caiado (9,9%) e Romeu Zema (8,4%).
Nas urnas, Flávio terminou à frente, com 47,03% dos válidos, contra 45,16% de Lula. Os outros dez candidatos somaram 9.316.747 votos, segundo o TSE. Dos catorze nomes que o monitor seguia na campanha, Pablo Marçal saiu em 16 de setembro, com o registro indeferido, e Leonardo Avalanche renunciou com o nome já na urna.
Foi a fase em que o tom dos dois finalistas ficou mais próximo: 18,8% de matérias negativas para Flávio e 16,4% para Lula. Em duas das sete semanas completas da campanha, a fatia negativa de Lula foi a maior. Entre os outros nomes com mais de mil matérias, Pablo Marçal teve a maior fatia negativa, 41,9%. Edmilson Costa e Rui Costa Pimenta quase não tiveram matéria negativa (0,1%).
O assunto que mais rendeu foi a crise no STF em torno do caso Banco Master (1.299 matérias): as mensagens entre o dono do banco, Daniel Vorcaro, e o ministro Alexandre de Moraes, o pedido de Flávio para que Moraes renunciasse e a troca de ataques entre ministros. O próprio caso Master voltou com 827 matérias, e três em cada quatro das que citaram Flávio tiveram tom negativo para ele. Depois vieram o debate da Globo, cancelado na reta final (731); o primeiro debate, na Band, sem Lula e Flávio (718); e a medida provisória que proibiu as apostas on-line (619). A crise da democracia esteve em 4.572 matérias da campanha, o maior número dessa agenda em qualquer fase.
A pré-campanha: 23 nomes, nove saídas
A pré-campanha, de 25 de março a 15 de agosto, tem metade da série: 60.064 matérias em 144 dias, 417 por dia. No lançamento, o monitor seguia nove pré-candidatos; ao longo da fase, chegou a 23. Nove saíram antes da campanha: Eduardo Leite (30 de março), Tarcísio de Freitas (6 de abril), Leonardo Péricles (8 de abril, substituído por Samara Martins na Unidade Popular), Ciro Gomes (9 de maio), Aécio Neves (9 de julho), Joaquim Barbosa (17 de julho), Aldo Rebelo (30 de julho), Cabo Daciolo e Michelle Bolsonaro (4 de agosto). A candidatura de Flávio foi oficializada em 25 de julho; a de Lula, em 2 de agosto.
Antes do resultado, foi a fase de maior distância no tom. A fatia negativa de Flávio foi quase o dobro da de Lula: 33,7%, contra 17,5%. O caso Banco Master explica boa parte. Nas duas semanas de maio do pico do caso, mais da metade do que se publicou sobre Flávio saiu negativo (53,3% e 56,0%). Nas matérias do caso que o citam, a fatia negativa chegou a 71,7%. Para Lula, a semana mais negativa da fase foi a do fim de abril, quando o Senado rejeitou Jorge Messias para o STF: 33,9% de matérias negativas.
Os assuntos que mais renderam foram o tarifaço de Trump e a relação com os Estados Unidos (4.035 matérias), o caso Master (3.499), o vídeo de Michelle Bolsonaro com críticas a Flávio e o atrito entre os dois (1.806), as convenções (1.640), a indicação de Messias e a rejeição no Senado (1.357) e a proposta de emenda para acabar com a escala 6x1 (882). Com o tarifaço, a geopolítica foi a agenda global de maior peso da fase, em 12,3% das matérias.
Os sete meses juntos
Somadas as quatro fases, foram 117.687 matérias de 2.360 veículos em 221 dias. Lula esteve em 60,0% delas e Flávio, em 48,0%. A cobertura ganhou ritmo a cada fase, e a semana marcou o compasso: em 27 das 30 semanas completas, o domingo ficou abaixo da média dos dias úteis. As três exceções foram os domingos do início da campanha, do primeiro turno e do segundo.
A cobertura ganhou ritmo a cada fase até a votação, e o pico foi a noite da apuração do 2º turno e o dia seguinte
Matérias de imprensa aceitas pelo verificador por dia, de 25 de março a 31 de outubro de 2026. O traço dourado é a média diária de cada fase; as colunas destacadas, com rótulo, são os dias marcados. O dente de serra é a semana: em 27 das 30 semanas completas, o domingo ficou abaixo da média dos dias úteis.
Base: 117.687 matérias em 221 dias. O dia é o do painel, contado no horário UTC: das 2.213 matérias de 26/10, 619 saíram ainda no dia 25 pelo horário de Brasília, na noite da apuração; pelo dia de Brasília, 25/10 (1.695) e 26/10 (1.679) ficam quase empatados como os maiores. A média por dia é do total; para cada finalista, ela subiu até o 2º turno e parou de subir depois. Até 04/10 o total inclui a cobertura dos outros nomes que o monitor seguia; desde 05/10, só a dos dois finalistas. O dia 31/10 é parcial (a coleta parou às 21h) e aparece mais claro. Fonte: Monitor das Eleições 2026, SapiensLabs · CC BY 4.0. Versão viva no painel.
A subida do ritmo tem uma ressalva. Até 4 de outubro, o total inclui as matérias sobre os outros nomes da disputa. Para cada um dos finalistas, a cobertura por dia subiu até o segundo turno e parou de subir depois do resultado.
O gráfico abaixo mostra como a disputa se fechou em dois nomes. As matérias que citam Lula e Flávio juntos foram de 17,5% na pré-campanha a 49,0% no segundo turno. Depois do resultado, caíram para 23,9%, e cada um voltou a ser notícia em separado. Parte da subida vem de o monitor ter deixado de buscar os outros nomes em 5 de outubro. Contando só as matérias que citam ao menos um dos dois, a subida se mantém, de 21,4% a 49,2%.
A cobertura foi se fechando nos dois finalistas: no 2º turno, quase metade das matérias citou Lula e Flávio juntos
Parte das matérias de cada fase que cita Lula e Flávio Bolsonaro juntos, só um deles ou nenhum dos dois, de 25 de março a 31 de outubro de 2026. Uma barra por fase, na ordem do tempo; a fatia que se compara, a dos dois, encosta no zero.
Base: as 117.687 matérias de imprensa aceitas pelo verificador, por fase (pré-campanha, 25/03 a 15/08: 60.064, 1º turno, 16/08 a 04/10: 33.968, 2º turno, 05/10 a 25/10: 17.678, repercussão, 26/10 a 31/10: 5.977). Até 04/10 o monitor seguia também os outros nomes da disputa, daí a fatia de nenhum dos dois; desde 05/10, só os dois finalistas. Contando só as matérias que citam ao menos um dos dois, a fatia dos dois também sobe até o 2º turno: pré-campanha 21,4%, 1º turno 38,5%, 2º turno 49,2%, repercussão 23,9%. Fonte: Monitor das Eleições 2026, SapiensLabs · CC BY 4.0. Versão viva no painel.
O seguinte mostra o tom. A fatia negativa de Lula caiu em todas as fases. A de Flávio foi maior nas quatro: encostou na de Lula durante a campanha e passou da metade depois do resultado.
A fatia negativa de Flávio Bolsonaro foi maior que a de Lula nas quatro fases, e passou da metade depois do resultado
Parte das matérias que citam cada candidato em que o tom atribuído a ele é negativo, por fase, de 25 de março a 31 de outubro de 2026. À direita, quantas matérias citam cada um na fase (Lula · Flávio).
Base: as matérias de imprensa aceitas pelo verificador que citam cada candidato; uma matéria que cita os dois conta para cada um, com o tom de cada um. O tom é lido por modelo de linguagem com a mesma rubrica para todos. A semana de 06 a 12/07, na pré-campanha, tem o tom puxado para o negativo (revisão de 18/10/2026). Fonte: Monitor das Eleições 2026, SapiensLabs · CC BY 4.0. Versão viva no painel.
O tom variou com a posição editorial dos veículos, em sentidos opostos. Na série inteira, contando só os veículos com posição revisada à mão, a fatia negativa de Flávio foi de 52,1% nos veículos de esquerda e de 10,4% nos de extrema-direita. A de Lula foi de 8,1% e 39,8%. O centro, que publicou a maior parte das matérias, deu a Flávio uma fatia negativa quase o dobro da de Lula: 24,7%, contra 13,7%. A página do espectro editorial mostra essa leitura fase a fase.
Entre as agendas globais, a geopolítica foi a maior da pré-campanha, e a crise da democracia, a maior da campanha e da repercussão. Clima, transição energética e biodiversidade não passaram de 1,3% das matérias em nenhuma fase.
Dezesseis veículos publicaram mais da metade das matérias, e os outros 2.344 dividiram o resto. O Diário do Centro do Mundo foi o que mais publicou (5.242), seguido de perto pela Folha de S.Paulo, pela CNN Brasil e pelo G1, com cerca de 5.100 cada.
O experimento: o que funcionou e o que não
O painel entrou no ar em 1º de abril com três caminhos de coleta, nove pré-candidatos e pouco mais de 1.600 matérias, classificadas pelo Claude Haiku. Terminou com quatro caminhos de coleta, 23 nomes, cinco coletas por dia e 172 versões no histórico de mudanças. No caminho, a classificação passou do Claude Haiku ao Gemini e, depois, ao DeepSeek. Uma parte do que planejei funcionou; outra não, e quase sempre corrigi em público.
O que funcionou
A coleta não parou. Em 221 dias houve uma interrupção, de cerca de 28 horas, em abril.
O calendário de publicação se cumpriu. Saíram 30 resumos semanais, seis mensais, quatro edições extraordinárias e as 19 peças da série 18 respostas sobre a imprensa, publicadas em 19 dias seguidos, cada uma na data marcada.
O tom passou pelo julgamento de gente. Em agosto, uma régua única de classificação substituiu as anteriores, e o acervo inteiro foi reclassificado com ela. Num teste às cegas com 79 casos, a régua nova concordou com o julgamento humano em 89% das vezes; a anterior, em 67%. Os acontecimentos passaram por teste parecido, com 55 acertos em 60. Quando um teste ficou abaixo do mínimo, como o da leitura dos planos de governo (78%, com piso de 80%), a peça publicada disse isso.
As trocas de modelo de agosto e setembro foram medidas antes de valer. Em agosto, o DeepSeek acertou 87% de cem casos de referência, contra 78% do Gemini, e virou o titular. Em setembro, a versão nova dele acertou 72 de 79 casos do gabarito humano de tom, contra 69 da anterior.
Os dados ficaram abertos. A API funciona sem chave desde maio, o mapa dos veículos traz a posição editorial de cada um e o motivo, e tudo está sob a licença CC BY 4.0.
O que não funcionou
Até 10 de agosto, o verificador, a etapa que confere se a matéria fala mesmo do candidato, deixava parte das matérias sem julgamento, e a perda pesava mais nos nomes pequenos. Ficavam invisíveis 54,7% das menções a Edmilson Costa, contra 4,2% das de Lula. O ranking publicado subestimava os candidatos menores em 20% a 55%. Foi também só em 10 de agosto que a rede de coleta ficou igual para todos os candidatos.
Até agosto, o tom foi lido por quatro réguas sobrepostas, e a fatia de matérias neutras saltou de cerca de 29% para 56% por mudança do critério, não da imprensa. A régua única corrigiu isso, e a classificação passou a ser feita uma matéria por vez: em lotes, a mesma matéria mudava de classe em 11% dos casos, conforme as vizinhas. Durante a reclassificação, o painel ficou com os números congelados e um aviso no alto de cada página.
Até 20 de outubro, Flávio foi subcontado. A regra de identificação exigia o sobrenome, para não confundi-lo com Flávio Dino, e deixava de fora as matérias que o chamavam só de Flávio ao lado de Lula. A correção acrescentou 9% às matérias dele de março ao primeiro turno e 23% às do segundo turno até então. Seis textos já publicados ganharam nota de atualização.
Também dependi demais de um só fornecedor de modelo. Em agosto, o saldo da API do Google se esgotou duas vezes em quinze dias; na segunda, a reserva segurou as coletas. Em 28 de agosto, a reserva virou a titular; em 9 de setembro, o Gemini saiu de tudo.
Uma promessa não saiu. O chat com IA anunciado no lançamento chegou a ir ao ar, mas saiu em 20 de abril, porque inventava respostas.
O último erro apareceu no fechamento. Com a série congelada, várias páginas escolhiam os candidatos pela situação de hoje, e os eliminados sumiam da história das fases em que disputaram. O fechamento por fase, publicado em 1º de novembro, corrigiu isso e também três datas de saída gravadas errado no banco.
O que eu faria diferente sai dessa lista: conferir a régua de tom com gente antes de publicar uma série longa, não depender de um só fornecedor de modelo e nunca ler o passado pela situação de hoje.
Os números vêm do banco do monitor, congelado em 31 de outubro de 2026, com as mesmas regras e as mesmas janelas da capa do painel: pré-campanha de 25 de março a 15 de agosto, campanha do primeiro turno de 16 de agosto a 4 de outubro, segundo turno de 5 a 25 de outubro e repercussão de 26 a 31 de outubro. Uma matéria é um texto de imprensa aceito pelo verificador; veículos partidários e oficiais ficam de fora. A matéria que cita os dois candidatos conta para cada um, com o tom de cada um, lido por modelo de linguagem com a mesma rubrica para todos. Os nomes dos acontecimentos também são dados por modelo; quando o nome trazia juízo, o texto usa a descrição que os títulos das matérias sustentam. Os resultados eleitorais são do TSE. Ressalvas: os acontecimentos nomeados depois de 11 de setembro ficaram subcontados nos primeiros dias; a semana de 6 a 12 de julho tem o tom puxado para o negativo; desde 5 de outubro o monitor buscou só os dois finalistas, e o número de veículos das fases não se compara; o dia é contado em UTC, como no painel. Em 1º de novembro, as datas de saída de três pré-candidatos foram corrigidas no banco. O texto foi escrito com o Claude Opus 5.5, a partir da apuração, e revisado por mim. A metodologia, as revisões de série e o histórico de versões estão no painel. Os dados são abertos, sob CC BY 4.0.