Ontem, a peça 13 saiu da imprensa para ler os treze planos de governo. Hoje voltamos à imprensa e separamos o que a notícia diz de cada candidato do que a opinião diz.
A opinião é mais negativa do que a notícia para os seis candidatos mais comentados, de 11 a 33 pontos a mais. Nos seis, 13,8% dos pares matéria × candidato na notícia são negativos, 4.509 de 32.672; na opinião, 39,6%, 818 de 2.065. Quatro em cada dez, numa conta puxada por Lula e Flávio Bolsonaro, que somam 1.691 dos 2.065 pares de opinião. Os dois maiores saltos são de Romeu Zema, de 5,2% de negativos na notícia para 38,6% na opinião (33,4 pontos; 57 pares de opinião), e de Ronaldo Caiado, de 2,4% para 28,9% (26,5; 76): dois dos três candidatos que a notícia mais poupa. O terceiro poupado, Augusto Cury, tem o menor salto, de 4,9% para 15,9% (11,0 pontos; 126 pares). No meio, Lula vai de 15,1% para 41,2% (26,1; 1.072), Flávio de 20,4% para 44,7% (24,3; 619) e Renan Santos de 11,6% para 30,4% (18,8; 115).
Primeiro, a régua. A unidade é o par, e o tom é o de cada par. O gênero é da matéria e vem de um classificador que lê o título, o começo do corpo e o endereço; "opinião", pela rubrica, inclui as colunas assinadas, e com elas as colunas de notas e bastidores quando o classificador as põe ali. O tom é o de sempre do painel, e "positivo" nele quer dizer ganho de espaço editorial sem contraponto, o declaratório de quem fala e é ouvido, não endosso. Só mostramos percentual com 30 pares ou mais, e o salto se diz em pontos. A janela vai de 10 de agosto a 27 de setembro, sete semanas: 44.506 pares em 28.965 matérias de 1.144 veículos.
Quem a notícia poupa
A opinião é mais negativa que a notícia para os seis candidatos mais comentados, de 11 a 33 pontos a mais
Fatia negativa dos pares matéria × candidato na notícia e na opinião, 10 de agosto a 27 de setembro de 2026, ordenada pelo salto em pontos. À direita, os pares de opinião de cada um. Abaixo do tracejado, os sete com menos de 30 pares de opinião: só a notícia tem base.
fatia negativa na notíciafatia negativa na opinião
Fonte: painel Eleições 2026, 44.506 pares matéria × candidato em 28.965 matérias de imprensa, 10 de agosto a 27 de setembro de 2026, lidas em 28/09/2026. Gênero da matéria pelo classificador do painel; tom do par pela régua do painel ("positivo" é espaço sem contraponto, não endosso). Método.
Caiado (2,4%), Cury (4,9%) e Zema (5,2%) têm a notícia mais branda dos seis. Dois deles, Zema e Caiado, têm os maiores saltos; Cury tem o menor, e é a exceção também na fatia positiva, adiante. A análise fica no meio para quatro dos seis (Lula 21,0%, Renan 21,6%, Caiado 12,6%, Zema 9,6%); para Flávio (19,1%) e Cury (5,3%), fica no nível da notícia.
A opinião é pouco da cobertura, e pesa no negativo bem mais do que no total dos pares. Para Caiado, ela é 2,6% dos pares e 19,0% dos negativos (22 de 116); para Zema, 2,4% e 15,0% (22 de 147); para Lula, 6,4% e 15,1% (442 de 2.934).
Os sete menos cobertos quase não entram na opinião: somados, têm 87 pares de opinião em sete semanas, de 5 a 21 cada um, e nenhum chega à base de 30. Por isso não damos o percentual de nenhum deles; no gráfico, cada um aparece só com o ponto da notícia e o número de pares de opinião ao lado. Somados, os 87 pares são 18,4% negativos (16), contra 3,9% dos 4.906 de notícia: a opinião também cobra deles quando escreve; escreve pouco.
A opinião não compensa
A opinião não compensa: a fatia positiva cai ou fica parada para cinco dos seis; só a de Augusto Cury sobe
Fatia positiva dos pares matéria × candidato na notícia e na opinião, 10 de agosto a 27 de setembro de 2026, na mesma ordem do gráfico anterior. À direita, os pares de opinião de cada um.
fatia positiva na notíciafatia positiva na opinião
Fonte: painel Eleições 2026, 44.506 pares matéria × candidato em 28.965 matérias de imprensa, 10 de agosto a 27 de setembro de 2026, lidas em 28/09/2026. Gênero da matéria pelo classificador do painel; tom do par pela régua do painel ("positivo" é espaço sem contraponto, não endosso). Método.
Se a opinião cobra mais, ela não compensa com mais positivos. A fatia positiva cai ou fica parada da notícia para a opinião em cinco dos seis: Zema de 18,4% para 7,0%, Caiado de 27,3% para 18,4%, Renan de 29,6% para 25,2%, Flávio de 16,2% para 12,6%, Lula de 16,8% para 16,0%. A exceção é Cury, de 30,4% para 44,4%: o único para quem a fatia positiva sobe da notícia para a opinião, e o de menor salto no negativo. Quase dois terços da opinião sobre ele (79 de 126 pares) saem numa semana só, a de 31 de agosto. O gênero mais generoso é a entrevista: 43,1% de positivos em 515 pares (Cury 70,9%, Renan 63,3%, Caiado 57,5%), o gênero em que, em geral, quem fala é o entrevistado, e o declaratório conta positivo.
Três suspeitas que não explicam o salto
A primeira suspeita é a nossa própria régua. Se o declaratório conta positivo para quem fala, a brandura da notícia poderia ser só a voz do candidato. Não é. Nas notícias em que o candidato não fala, a fatia negativa quase não muda: Zema 5,0%, Caiado 2,3%, Cury 5,1%, Renan 10,4%, Lula 16,8%, Flávio 19,1%. Tirando a fala do candidato dos dois lados, o salto encolhe e continua (Zema 25,8 pontos, Caiado 21,4, Lula 21,5, Flávio 19,1, Renan 13,5, Cury 5,8).
O que a escada de voz, da peça 6, mostra é onde mora o negativo da notícia: na boca dos outros. Quando um terceiro fala do candidato, a notícia já é 41,3% negativa para Lula (3.059 pares), 47,8% para Flávio (1.784), 44,8% para Zema (125) e 16,9% para Caiado (124); quando ninguém fala, de 1,0% a 8,5%. A notícia cobra pela boca de um adversário ou de um crítico; a opinião cobra com a própria voz, e assina. Na coluna, o sinal se inverte: trazer a fala do candidato costuma ser para criticá-la, e a opinião com a fala dele é a mais negativa (Flávio 66,2% em 145 pares; Lula 52,0% em 223).
A segunda suspeita é a mistura de veículos: a opinião pode vir de casas mais duras do que a notícia. Recalculamos a notícia de cada candidato com o peso que cada veículo tem na opinião sobre ele. O salto encolhe e fica: Zema 9,6% na notícia padronizada contra 38,6% na opinião dos mesmos veículos (29,0 pontos), Caiado 4,3% contra 28,3% (24,0), Lula 17,7% contra 41,0% (23,3), Flávio 24,5% contra 44,8% (20,3), Renan 14,7% contra 28,1% (13,4), Cury 7,4% contra 16,0% (8,6). Dentro de um mesmo veículo, a mesma coisa: na Folha, a opinião sobre Lula é 27,4% negativa (175 pares) e a notícia, 15,3% (472); na Gazeta do Povo, 78,0% (91) e 27,9% (377). Nenhum veículo domina: o maior, a Folha, é o mesmo para os seis e tem de 13% a 19% dos pares de opinião; sem ela, a opinião fica tão ou mais negativa (Zema 44,9%, Caiado 30,3%, Lula 43,9%, Flávio 45,4%, Renan 33,3%, Cury 15,7%).
A terceira suspeita é o episódio. Para Zema e Caiado, metade da cobrança cabe em seis dias, de 23 a 28 de agosto: o primeiro debate, na Band, ao qual Zema faltou, e as sabatinas do Jornal Nacional, a partir do dia 24. Ali estão 12 dos 22 negativos de opinião sobre Zema e 10 dos 22 sobre Caiado. Fora deles, o salto continua: Zema 29,4% na opinião (34 pares) contra 4,6% na notícia; Caiado 24,0% (50) contra 1,9%. Com Lula, é diferente: desde a semana de 7 de setembro, metade da opinião sobre ele é negativa (50,8%, 51,8% e 50,7%), contra 27,4% na semana de 10 de agosto, e a de 24 de agosto já tinha 44,0%; a notícia ficou entre 9,6% e 20,0% o tempo todo.
O que o espectro explica
O espectro do veículo, tese da peça 8, entra aqui como controle, e explica parte do salto de dois. Dentro do centro, o único rótulo com base para os seis, o salto encolhe e fica, de 5,6 a 24,3 pontos: o de Lula e o de Zema perdem cerca de nove pontos cada (26,1 para 16,5; 33,4 para 24,3), porque boa parte da opinião negativa sobre eles vem de fora do centro (Lula, 260 dos 442 negativos de opinião, 202 deles da direita; Zema, 12 dos 22, 9 da esquerda); os outros quatro perdem de 3 a 5 pontos. Cada lado usa a opinião contra o adversário: a da direita sobre Lula é 82,8% negativa (244 pares); a da esquerda sobre Flávio, 74,2% (151). A peça 8 já disse que a opinião alarga a distância entre os lados.
O tamanho do salto depende da régua
Resta a suspeita mais séria, contra o nosso instrumento. O gênero vem de um classificador sem gabarito, que decide em parte pelo juízo de valor do texto: um texto crítico pode virar "opinião" por ser crítico, e aí a régua mediria a si mesma. Há sinal de que isso acontece um pouco. Das 1.744 matérias rotuladas opinião, dos 13 candidatos, 1.069 (61%) têm endereço de coluna; as outras 675 vêm sobretudo de veículos que não marcam a coluna no endereço. Nos pares dos seis, a opinião que o classificador reconhece sem a ajuda do endereço é a mais negativa: 48,8% (810 pares), contra 33,7% da opinião com endereço de coluna (1.255). Na notícia, o endereço quase não muda o tom: 13,8% sem endereço de coluna (32.180 pares), 16,1% com (492).
Medida pelo endereço da matéria, e não pelo classificador, a diferença encolhe, mas não muda de lado
Fatia negativa dos pares matéria × candidato em matérias publicadas em endereço de coluna, blog ou opinião e nas demais, qualquer que seja o gênero que o classificador deu, 10 de agosto a 27 de setembro de 2026, na ordem do primeiro gráfico (pelo endereço, a ordem dos saltos muda). À direita, os pares em endereço de coluna.
fatia negativa fora do endereço de colunafatia negativa no endereço de coluna
Fonte: painel Eleições 2026, 44.506 pares matéria × candidato em 28.965 matérias de imprensa, 10 de agosto a 27 de setembro de 2026, lidas em 28/09/2026. Endereço de coluna: /opiniao/, /colunas/, /colunistas/, /blogs/, /editorial/, /vozes/, /blog-do-…, /coluna-… ou subdomínio blogs.; tom do par pela régua do painel ("positivo" é espaço sem contraponto, não endosso). Método.
Por isso medimos também por uma régua que não depende do classificador: o endereço da matéria, coluna ou blog contra o resto, qualquer que seja o rótulo. Aí o salto encolhe para 5 a 13 pontos, na mesma direção: Lula de 16,7% para 29,5%, Flávio de 21,2% para 33,0%, Zema de 6,0% para 17,3% (52 pares), Caiado de 3,7% para 15,9% (63), Renan de 12,7% para 21,8%, Cury de 5,2% para 10,3%. Essa régua erra no outro sentido: põe na coluna as notas de bastidor do Painel, da Folha, e do Pulso, do Globo, que são relato, e deixa fora a opinião dos veículos que não a marcam no endereço. É um piso: a medida fica acima dele.
E lemos, pelo título e pelo endereço, 60 pares sorteados, de 59 textos (um saiu para dois candidatos). Os 30 rotulados opinião sem endereço de coluna foram sorteados com a regra de endereço da primeira rodada; pela regra final, 9 dos 30 têm endereço de coluna, e os 9 são opinião. Dos 21 restantes, 13 são opinião ou coluna assinada, 7 são relato noticioso e 1 é ambíguo; os 7 relatos trazem 4 negativos. Dos 30 rotulados notícia com endereço de coluna, 29 são relatos e notas e 1 é opinião. O rótulo erra nos dois sentidos. Lemos também, do mesmo modo, todas as opiniões de Zema e de Caiado (o tom é o do painel). Das 57 de Zema, cerca de 34 são opinião, análise ou coluna assinada, 15 delas negativas (44%), e 23 são notas de coluna ou relatos, 7 negativas; sem as repetições (duas cópias da mesma coluna e uma do quadro de notas do Globo), 12 de 31, 38,7%. Das 76 de Caiado, cerca de 43 são opinião, análise ou coluna assinada, 15 negativas (35%), e 33 são notas ou relatos, 7 negativas; contando uma vez só a coluna que saiu em três lugares, 13 de 41, 31,7%. Nas duas leituras completas, o erro corre a favor da brandura: as notas e os relatos postos em opinião são menos negativos do que as opiniões de verdade. Pela leitura, 38,7% e 31,7% contra 5,2% e 2,4% na notícia: saltos em torno de 33 e 29 pontos, perto da medida do painel (33,4 e 26,5).
O sinal não depende de régua nenhuma: por qualquer das três, a opinião é mais negativa do que a notícia para todos os que têm base. A ordem entre os candidatos depende: pelo classificador, Zema e Caiado têm os maiores saltos; pelo endereço, Lula (12,8 pontos), Caiado (12,2), Flávio (11,8) e Zema (11,3) ficam todos entre 11 e 13, e a leitura cobriu só Zema e Caiado. O tamanho também: 33,4 e 26,5 pontos pelo classificador, a régua que o painel usa todo dia; 11,3 e 12,2 pelo endereço; em torno de 33 e 29 pela leitura. É um intervalo, não um número.
O que isto não diz
Não diz se a crítica é justa, se o colunista tem razão, o que ele pretendia nem o que o leitor pensa; e não diz nada sobre voto. Diz que o tom que o painel lê muda com o gênero do texto, que muda mais para Zema e Caiado, dois dos candidatos que a notícia trata com brandura, e que o tamanho da mudança, e a ordem entre os candidatos, dependem de como se decide o que é opinião. O gênero não tem gabarito: conferimos o classificador pelo endereço e pela leitura. As bases de Zema e de Caiado são pequenas, 57 e 76 pares, e cada texto pesa na fatia; os sete menos cobertos não têm base nenhuma. Cobertura não é voto.
Amanhã
Amanhã, a peça 15 olha para um candidato que não se registrou: Trump, o eixo americano e o temor de interferência que faz desta eleição um pleito atípico.
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Como este texto foi feito
Esta é a décima quarta resposta de 18 respostas sobre a imprensa, uma série diária do painel Eleições 2026. Os números vêm do banco do painel, na janela de 10 de agosto a 27 de setembro de 2026, e todos foram conferidos antes da escrita. O gênero de cada matéria (notícia, análise, opinião, entrevista, checagem) é dado por um classificador (DeepSeek V4.1 Flash) que lê o título, o começo do texto e o endereço; ele não tem gabarito próprio, e por isso a peça mede também pelo endereço da matéria e traz a leitura, feita na sessão pelo título e pelo endereço, de 60 pares sorteados (59 textos) e de todas as opiniões sobre Romeu Zema e Ronaldo Caiado. O tom de cada candidato em cada matéria é o da régua do painel. O texto é escrito por Claude Fable 5.1 (Anthropic) em sessão, com apuração, critérios e revisão humanos, e publicado por Leonardo Fontes de Sales. Como cada peça nasce, o que os números medem e não medem e o glossário dos termos da casa estão em Como a série é feita. Licença CC BY 4.0.