Eleições 2026 · 18 respostas sobre a imprensa

Lula fala em uma de cada cinco matérias que o citam. Renan e Caiado, em quase metade

Desde 10 de agosto, quatro candidatos a presidente falam em mais de um terço das matérias que os citam. De Lula, a imprensa fala mais do que o ouve. E de seis candidatos quase ninguém fala: de Edmilson Costa, em 745 matérias, ninguém.

Leonardo Fontes de Sales 15 min
18 respostas sobre a imprensa06 / 18
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das matérias que citam Lula trazem uma fala dele.Nas de Renan Santos, 45%. De Lula, a imprensa fala mais do que o ouve.
Lula fala · 2.736Só falam dele · 3.162Ninguém fala · 7.259
Painel Eleições 2026 · SapiensLabs12 candidatos · 10 ago a 18 set

Ontem, a peça 5 mostrou que o nome no título é de poucos. Hoje a pergunta é o que acontece debaixo dele: o candidato fala, falam dele, ou ninguém diz nada.

A pergunta de hoje supõe dois lugares na cobertura, o de quem fala e o de quem é falado. Fomos ao banco com ela e voltamos com três. O terceiro é o mais cheio, e o título do calendário não o previa.

A régua, antes dos números. Para cada matéria que cita um candidato, o painel registra uma de três situações, que chamamos de escada de voz. Ele fala: é sujeito de um verbo de dizer, está entre aspas ou é o entrevistado. Ele não fala, mas outra pessoa fala dele. Ou ninguém fala. Ação não é fala: comparecer a um ato, registrar candidatura, liderar pesquisa, nada disso conta. E o instituto que "diz" que alguém tem 40% também não conta como alguém falando dele. A janela é a de ontem com um dia a mais, de 10 de agosto a 18 de setembro: 40 dias, 23.300 matérias, 35.262 pares matéria × candidato, só de veículo de imprensa. O ranking é de doze. A chapa do PRTB, que trocou de titular no meio da janela, fica à parte.

Um número para situar o resto: em 57,1% desses pares, ninguém fala. Mais da metade do que se publica sobre os candidatos a presidente é pesquisa, agenda, registro, análise sem aspas. O candidato fala em 26,4%. Nos 16,5% que sobram, só um terceiro fala dele.

Quem tem a palavra

Quatro candidatos. Renan Santos fala em 45,5% das matérias que o citam; Ronaldo Caiado, em 43,6%; Zema, em 34,8%; Augusto Cury, em 33,8%. Depois vêm Flávio Bolsonaro, com 25,9%, e Lula, com 20,8%. E então os seis menos cobertos, que a peça de ontem já tinha posto juntos: Hertz Dias com 18%, Rui Costa Pimenta com 14,9%, Clariana Barão com 14,4%, Samara com 13,9%, Wilson Grassi com 11,5% e Edmilson Costa com 6,7%.

Quatro candidatos falam em mais de um terço das matérias que os citam. Lula, em uma de cada cinco

De cada 100 matérias que citam o candidato: em quantas ele fala, em quantas só um terceiro fala dele e em quantas ninguém fala. Doze candidatos a presidente, 10 de agosto a 18 de setembro de 2026.

Quatro candidatos falam em mais de um terço das matérias que os citam. Lula, em uma de cada cincoRenan Santos: fala em 45,5%, só um terceiro fala dele em 10,5%, ninguém fala em 44%, de 2.706 matérias; Ronaldo Caiado: fala em 43,6%, só um terceiro fala dele em 6,2%, ninguém fala em 50,2%, de 2.486 matérias; Zema: fala em 34,8%, só um terceiro fala dele em 6,7%, ninguém fala em 58,5%, de 1.899 matérias; Augusto Cury: fala em 33,8%, só um terceiro fala dele em 9,7%, ninguém fala em 56,5%, de 2.590 matérias; Flávio Bolsonaro: fala em 25,9%, só um terceiro fala dele em 20,4%, ninguém fala em 53,7%, de 8.678 matérias; Lula: fala em 20,8%, só um terceiro fala dele em 24%, ninguém fala em 55,2%, de 13.157 matérias; Hertz Dias: fala em 18%, só um terceiro fala dele em 0,5%, ninguém fala em 81,5%, de 605 matérias; Rui Costa Pimenta: fala em 14,9%, só um terceiro fala dele em 1,7%, ninguém fala em 83,4%, de 711 matérias; Clariana Barão: fala em 14,4%, só um terceiro fala dele em 0,7%, ninguém fala em 84,9%, de 569 matérias; Samara: fala em 13,9%, só um terceiro fala dele em 1,4%, ninguém fala em 84,7%, de 518 matérias; Wilson Grassi: fala em 11,5%, só um terceiro fala dele em 7%, ninguém fala em 81,5%, de 598 matérias; Edmilson Costa: fala em 6,7%, só um terceiro fala dele em 0%, ninguém fala em 93,3%, de 745 matérias.matérias0%25%50%75%100%Renan Santos45,5%10,5%2.706Ronaldo Caiado43,6%2.486Zema34,8%1.899Augusto Cury33,8%9,7%2.590Flávio Bolsonaro25,9%20,4%8.678Lula20,8%24%13.157Hertz Dias18%605Rui Costa Pimenta14,9%711Clariana Barão14,4%569Samara13,9%518Wilson Grassi11,5%598Edmilson Costa6,7%745

o candidato falasó um terceiro fala deleninguém fala

Fonte: painel Eleições 2026, pares matéria × candidato em veículos de imprensa, 10 de agosto a 18 de setembro de 2026 (a janela em que todos têm a mesma rede de coleta), lidos em 19/09/2026. Fala é declaração reproduzida, entre aspas ou não, e entrevista; ação, agenda e número de pesquisa não são fala. Quem fala e também é alvo conta como fala própria. A chapa do PRTB, que trocou de titular na janela, fica fora do ranking. Método.

Cuidado com a leitura apressada. Em número absoluto, quem mais fala na imprensa é Lula: são 2.736 matérias com uma declaração dele, contra 1.230 de Renan Santos. O que a escada mede é proporção. Os quatro de cima têm 27,5% do volume de cobertura e 41,3% das falas. Lula e Flávio têm 61,9% do volume e 53,5% das falas. Os seis, 10,6% do volume e 5,2% das falas.

Dito de outro modo: quando a imprensa escreve sobre Caiado, quase metade das vezes é para registrar o que ele disse. Quando escreve sobre Lula, quatro em cada cinco vezes é outra coisa.

Quem é assunto

Lula é o único dos doze para quem a matéria em que só um terceiro fala dele (24%) é mais comum do que a matéria em que ele fala (20,8%). E a escada ainda esconde uma parte disso, porque quem fala e também é alvo conta só como fala. Contando toda matéria em que alguém fala do candidato, tenha ele falado ou não, alguém fala de Lula em 28,2% e de Flávio em 26,8%. Para cada matéria em que Lula fala há 1,36 em que falam dele. Para Flávio, 1,04, o que é empate. Para Caiado, 0,25.

De Lula a imprensa fala mais do que o ouve. Dos seis menos cobertos, quase ninguém fala

Em quantas das matérias que citam o candidato ele fala, e em quantas outra pessoa fala dele, em % do total de cada um, 10 de agosto a 18 de setembro de 2026.

De Lula a imprensa fala mais do que o ouve. Dos seis menos cobertos, quase ninguém falaLula: fala em 20,8%, falam dele em 28,2%; Flávio Bolsonaro: fala em 25,9%, falam dele em 26,8%; Wilson Grassi: fala em 11,5%, falam dele em 7,9%; Edmilson Costa: fala em 6,7%, falam dele em 0%; Samara: fala em 13,9%, falam dele em 1,9%; Clariana Barão: fala em 14,4%, falam dele em 1,6%; Rui Costa Pimenta: fala em 14,9%, falam dele em 2%; Hertz Dias: fala em 18%, falam dele em 0,5%; Augusto Cury: fala em 33,8%, falam dele em 13,1%; Zema: fala em 34,8%, falam dele em 8,9%; Renan Santos: fala em 45,5%, falam dele em 17,9%; Ronaldo Caiado: fala em 43,6%, falam dele em 10,8%.0%10%20%30%40%50%Lula28,2%20,8%Flávio Bolsonaro25,9% · 26,8%Wilson Grassi11,5%Edmilson Costa6,7%Samara13,9%Clariana Barão14,4%Rui Costa Pimenta14,9%Hertz Dias18%Augusto Cury33,8%13,1%Zema34,8%8,9%Renan Santos45,5%17,9%Ronaldo Caiado43,6%10,8%

matérias em que o candidato falamatérias em que alguém fala dele

Fonte: painel Eleições 2026, pares matéria × candidato em veículos de imprensa, 10 de agosto a 18 de setembro de 2026 (a janela em que todos têm a mesma rede de coleta), lidos em 19/09/2026. Aqui as duas medidas não se excluem: a matéria em que o candidato fala e também é alvo entra nas duas. Instituto de pesquisa, órgão e documento não contam como alguém que fala. Método.

Quem fala de Lula? Em pelo menos um terço das vezes, outro candidato: Flávio em 574 matérias, Renan Santos em 248, Caiado em 238, Cury em 107, Zema em 73. A contagem é piso, porque o painel guarda um nome por matéria, o de quem mais fala. Fora da disputa, os nomes mais frequentes são os de Davi Alcolumbre, Gilberto Kassab, Edinho Silva, Dario Durigan, Donald Trump, Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas.

A via é de mão única. Outros candidatos falam de Lula em ao menos 1.251 matérias. Lula fala de outro candidato em 229, e em 193 delas o outro é Flávio. Parte da voz dos quatro é feita disso: falar dos dois de cima rende declaração publicada. Os dois de cima quase não devolvem. Somados, Lula e Flávio são o alvo de 81,8% de todas as vezes em que alguém fala de um candidato.

Uma hipótese, que não medimos: Lula é presidente, e boa parte das 13.157 matérias que o citam trata de governo, de pesquisa e do que os adversários dizem dele. Isso explicaria a proporção baixa sem que ele fale pouco.

Quem não é nem uma coisa nem outra

Os seis. Em 81% a 93% das matérias que os citam, ninguém fala. E quase ninguém fala deles. Hertz Dias é alvo da fala de alguém em 3 matérias de 605. Clariana Barão, em 9 de 569. Samara, em 10 de 518. Pimenta, em 14 de 711, e a maior parte é nota do próprio partido. Edmilson Costa, em nenhuma de 745. No que o painel registrou em quarenta dias, nenhum candidato falou de nenhum dos seis, com uma exceção: Cury falou de Clariana Barão, uma vez.

Wilson Grassi parece fugir à regra, com 47 matérias em que alguém fala dele. Em 42, esse alguém é o ministro Dias Toffoli, do TSE, nas decisões que suspenderam a campanha do candidato. É a Justiça falando. O mesmo episódio responde por mais de cem das 485 matérias em que alguém fala de Renan Santos.

A matéria-lista de ontem explica uma parte do silêncio. No texto que enfileira cinco nomes ou mais quase ninguém fala, e ele é quase metade da cobertura dos seis. Fora das listas, os seis falam em 22% das matérias, perto dos 24,1% de Lula e Flávio. Os quatro, em 50%. O que a lista não explica é o outro lado: fora dela, alguém fala de Lula ou de Flávio em 29,2% das matérias; dos seis, em 4%. Hertz Dias propõe o fim da escala 6×1, a Agência Brasil registra, outros sites republicam, e ninguém responde.

Há também o calendário. Lula, Flávio, Renan Santos, Caiado e Zema falaram na imprensa em todos os 40 dias, e Cury deixou de falar em 3. Grassi e Edmilson Costa passaram 22 dias sem uma declaração publicada; Samara, 17; Pimenta, 14; Clariana Barão, 11; Hertz Dias, 8.

No título

Ontem o gancho prometia subir um degrau: entre os que chegam ao título, quem fala? Com o nome no título, Caiado fala em 64,7% das matérias, Zema em 63% e Renan Santos em 62,2%. Depois há um vão de quase vinte pontos até Cury, com 42,6%. Flávio fala em 30,4% dos títulos que levam o nome dele. Lula, em 24,6%.

Com o nome no título, Caiado, Zema e Renan falam em quase duas de cada três matérias. Lula, em uma de cada quatro

Só as matérias que trazem no título o nome pelo qual o candidato é conhecido: em quantas delas ele fala, em %, 10 de agosto a 18 de setembro de 2026.

Com o nome no título, Caiado, Zema e Renan falam em quase duas de cada três matérias. Lula, em uma de cada quatroRonaldo Caiado: fala em 64,7% das 1.495 matérias com o nome no título; Zema: fala em 63% das 933 matérias com o nome no título; Renan Santos: fala em 62,2% das 1.817 matérias com o nome no título; Augusto Cury: fala em 42,6% das 1.917 matérias com o nome no título; Rui Costa Pimenta: fala em 33,9% das 189 matérias com o nome no título; Samara: fala em 32,5% das 160 matérias com o nome no título; Clariana Barão: fala em 30,9% das 149 matérias com o nome no título; Flávio Bolsonaro: fala em 30,4% das 6.899 matérias com o nome no título; Hertz Dias: fala em 26% das 154 matérias com o nome no título; Lula: fala em 24,6% das 10.319 matérias com o nome no título; Edmilson Costa: fala em 22,8% das 136 matérias com o nome no título; Wilson Grassi: fala em 17,5% das 194 matérias com o nome no título.títulos0%25%50%75%100%Ronaldo Caiado64,7%1.495Zema63%933Renan Santos62,2%1.817Augusto Cury42,6%1.917Rui Costa Pimenta33,9%189Samara32,5%160Clariana Barão30,9%149Flávio Bolsonaro30,4%6.899Hertz Dias26%154Lula24,6%10.319Edmilson Costa22,8%136Wilson Grassi17,5%194

Fonte: painel Eleições 2026, pares matéria × candidato em veículos de imprensa, 10 de agosto a 18 de setembro de 2026 (a janela em que todos têm a mesma rede de coleta), lidos em 19/09/2026. À direita, quantas matérias de cada um têm o nome no título; para os seis menos cobertos são menos de 200, e a conta oscila mais. Método.

Os seis ficam misturados a Lula e Flávio nessa fila, entre 17,5% e 33,9%: quando chegam ao título, falam tanto quanto os dois. Só que chegam pouco. São de 136 a 194 títulos para cada um em quarenta dias, contra 10.319 de Lula, e com tão poucos a conta oscila. Já o título de Lula é, três em cada quatro vezes, sobre algo que fizeram, mediram ou disseram a respeito dele.

O que falar rende

Cruzamos a escada com o tom. Quando o candidato fala, a matéria é positiva para ele em 50,1% dos casos e negativa em 14,3%. Quando só falam dele, é positiva em 14,8% e negativa em 38,6%. Quando ninguém fala, é neutra em 88,7%.

Isto pede uma ressalva, e ela é nossa. Não é descoberta independente. A régua de tom do painel já parte do declaratório: a matéria que reproduz a fala de um candidato sem apurar nem confrontar sai a favor de quem fala, e é assim que a classificamos. As duas leituras são feitas em separado, mas uma antecipa a outra. O que o cruzamento acrescenta é o tamanho da diferença. E uma exceção: Flávio é o candidato cuja fala mais vezes sai negativa para ele mesmo, em 26,1% das matérias em que fala.

O que isto não diz

Não diz que os quatro falam mais porque a imprensa os prefere. Pode ser o caminho inverso: candidato que precisa ser conhecido dá entrevista, vai a sabatina, comenta o que os líderes fazem, e tudo isso vira fala publicada. Não medimos de quem é a iniciativa. Também não mede o espaço da fala, só se ela existe: uma frase entre aspas e uma entrevista de página inteira contam o mesmo. O classificador lê o título, a descrição e os primeiros 2.000 caracteres do texto; a declaração que só aparece depois disso fica de fora, para todos por igual. E conferimos a leitura em republicações da mesma matéria em sites diferentes: em 93,7% dos casos o degrau é o mesmo, o que deixa as distâncias desta peça bem acima do ruído.

O que fica é o desenho. Na cobertura desta eleição há quem fale, há quem seja falado, e há seis candidatos sobre os quais a imprensa escreve sem ouvir e sem que ninguém comente. Deles se sabe o nome, o partido e o percentual.

Amanhã

Amanhã, a peça 7 fica com quem está no alto desta escada e pergunta o que acontece quando a fala reproduzida é a defesa de matar.

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Como este texto foi feito

Esta é a sexta resposta de 18 respostas sobre a imprensa, uma série diária do painel Eleições 2026. Os números vêm do banco do painel, na janela de 10 de agosto a 18 de setembro de 2026, e todos foram conferidos antes da escrita. Quem fala em cada matéria é lido por um modelo de linguagem, com a mesma regra para todos; uma amostra de 40 leituras foi conferida à mão nesta apuração, e 36 ficaram sem reparo. O texto é escrito por Claude Fable 5.1 (Anthropic) em sessão, com apuração, critérios e revisão humanos, e publicado por Leonardo Fontes de Sales. Como cada peça nasce, o que os números medem e não medem e o glossário dos termos da casa estão em Como a série é feita. Licença CC BY 4.0.