Eleições 2026 · Resumo semanal

Lula é reeleito de virada; a semana final da campanha foi a do desafio dos sigilos

Na última semana da campanha, o desafio dos sigilos foi o assunto mais coberto, com 445 matérias; a maioria das pesquisas deu Flávio à frente ou empatado até a véspera, e o domingo terminou com a virada de Lula na contagem.

Leonardo Fontes de Sales 12 min
Eleições 2026 — Resumo da Semana de 19/10

Lula foi reeleito no domingo, 25, para o quarto mandato. Com todas as seções totalizadas, o TSE registrou 51,79% dos votos válidos para o presidente (64.256.232) e 48,21% para Flávio Bolsonaro (59.826.041), uma diferença de 4.430.191 votos. O senador tinha terminado o primeiro turno à frente, com 47,03% contra 45,16%, e chegou à véspera do segundo com o Datafolha e a Quaest dando a ele 51% a 49% dos válidos. Desde 1989, o segundo colocado do primeiro turno nunca tinha vencido uma eleição presidencial. A posse é em 5 de janeiro de 2027.

Esta é a última edição do resumo semanal, que acompanha a cobertura da campanha desde o fim de março. Os números dela vão até as 21h de domingo, horário de Brasília, e incluem o dia da votação e a virada na contagem; o resultado vem do dado oficial do TSE. A cobertura do próprio dia da votação, com dados consolidados até esta segunda, fica para a edição extra desta terça, 27. Entre 19 e 25 de outubro, a semana final da campanha, foram 7.005 matérias distintas no painel, 27% acima das 5.528 da semana anterior, e 11.082 menções (a soma das duas linhas do ranking passa o total porque quase seis em cada dez textos citam os dois nomes). "Flávio" aparece em 57% das manchetes sobre Lula, contra 46% na semana anterior, e "Lula", em 65% das manchetes sobre Flávio.

O assunto mais coberto da semana nasceu no debate da Band, no domingo anterior, quando Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário e telefônico. Na terça, 20, o presidente protocolou no TSE a autorização para a quebra dos próprios sigilos e cobrou o mesmo do adversário. O caso rendeu 445 matérias (339 sobre a oferta e 106 sobre o duelo que veio depois), contra nenhuma na semana anterior. O pico foi na quinta, 22, com 121 matérias, quando Flávio apresentou condições, Lula as aceitou e o senador ampliou as exigências. Na noite de quinta, o ministro André Mendonça disse que os dois podiam abrir os sigilos sem aval do TSE, e no sábado, 24, o Ministério Público Eleitoral pediu a extinção do caso, por entender que a decisão não cabe à Justiça Eleitoral.

As pesquisas foram notícia ao longo da semana, e a maioria deu o senador à frente ou empatado. Na segunda, 19, o BTG/Nexus marcou 50,3% a 49,7% para ele, segundo a Exame, e o Datafolha tratou a eleição como indefinida, podendo ser decidida por 7% dos eleitores, como registrou o Brasil 247. Na quinta, 22, o Datafolha apontou empate em 50% a 50%, e na sexta, 23, a Vox Brasil deu Lula à frente por 50,6% a 49,4%. Na véspera, sábado, 24, Datafolha e Quaest deram 51% a 49% para Flávio, a AtlasIntel, 50,8% a 49,2%, e o Gerp, 52% a 48%, também para o senador; no mesmo dia, a Colectta deu Lula à frente por 50,3% a 49,7%. Pesquisa aqui é assunto de cobertura, não prognóstico. Nas urnas, Lula venceu por 3,6 pontos.

CandidatoArtigosSaldo
Lula5.809+5 pp
Flávio Bolsonaro5.273-15 pp
Artigos verificados na semana e saldo de sentimento (pontos percentuais de cobertura positiva menos negativa). As linhas não somam o total: a matéria que cita dois candidatos conta nas duas. Na semana, foram 7.005 matérias distintas.

Os sigilos, o canal e a Meta: o TSE na reta final

No caso dos sigilos vale a régua do painel: a matéria em que um acusa o outro sai negativa para o acusado e positiva para quem acusa. Nas 426 matérias do caso que citam Lula, o saldo dele foi de +12 pontos percentuais; nas 410 que citam Flávio, o do senador ficou em −19. Na quarta, 21, a Folha resumiu a estratégia: Lula mirava aumentar a rejeição do adversário com a pressão pela abertura. No Diário do Centro do Mundo, de esquerda, uma coluna listou dez motivos pelos quais o senador não abriria o sigilo.

O tribunal seguiu como endereço da campanha. O canal "Exército do Lula", no WhatsApp, articulado por André Janones, rendeu 177 matérias, 47% abaixo das 334 da semana anterior, e terminou a semana no ar. Na terça, 20, a campanha de Flávio voltou a acionar Nunes Marques, presidente do TSE. Na sexta, 23, outro ministro do tribunal o impediu de suspender o canal sem aval do plenário, e Meta, Google e X disseram ao tribunal não ter encontrado irregularidades. No sábado, o Ministério Público Eleitoral se manifestou contra a suspensão.

O caso da Meta subiu 43%, para 147 matérias. Na terça, 20, a empresa afirmou ao TSE que tinha adotado medidas para garantir a igualdade entre as campanhas. No dia seguinte, a campanha de Lula pediu a cassação da chapa de Flávio por favorecimento da Meta, e o Ministério Público Eleitoral disse que a empresa descumpriu parte das determinações e pediu multa. Na sexta, 23, o corregedor do TSE deu 24 horas para Meta e X explicarem o tratamento dado às campanhas.

O último debate

A semana abriu com a repercussão do debate da Band (346 manchetes com a palavra "debate" na segunda, 19) e teve na sexta, 23, nos Estúdios Globo, o segundo e último encontro dos dois, que levou a palavra a 227 manchetes no sábado, 24. Na Folha, a análise foi de que Lula venceu por pontos um debate mais civilizado que o primeiro, e o cientista político Antonio Lavareda falou em margem clara, mas não esmagadora. Do outro lado, a Crusoé escreveu que Lula "apanha para idade", e a Revista Oeste destacou uma checagem que dava a Flávio vantagem em afirmações verdadeiras. Para o eleitor, segundo o Datafolha, houve empate na avaliação sobre quem venceu, e 54% disseram ter assistido. A Lupa apontou erros dos dois: Lula repetiu um erro sobre o PIB, e Flávio fez acusações falsas e já desmentidas contra o petista. A audiência chegou a 30 pontos, segundo o Poder360.

Domingo: voto no exterior, falta de ônibus e a apuração

O domingo foi o dia com mais matérias da semana, 1.129 até o corte. A votação no exterior rendeu 179, 176 delas no próprio domingo, em textos que compilavam os resultados país a país ao longo do dia; depois do primeiro turno, o tema tinha rendido 15 matérias. Cerca de 110 outras cobriram o dia da votação em si: a abertura das urnas, os locais de votação dos dois candidatos, o horário da apuração.

À tarde, a falta de ônibus virou assunto, com 53 matérias. A campanha de Lula disse à Justiça que São Paulo circulava com 60% da frota, contrariando decisão judicial, e o PT acionou a Justiça Eleitoral da Bahia pelo mesmo problema em Salvador; o prefeito paulistano, Ricardo Nunes, negou a falta. As duas campanhas pediram mais tempo de votação: Lula acusou prefeitos de dificultar o acesso às urnas e pediu a ampliação do horário, e a campanha de Flávio pediu a extensão em cinco estados do Sul e do Sudeste. No STF, o ministro Cristiano Zanin prorrogou a votação até as 19h nos locais onde as urnas ainda não tinham sido fechadas, e a apuração, que tinha começado às 17h, foi pausada e voltou às 19h.

Na contagem retomada, Flávio passou à frente às 19h44, com 13,65% das seções apuradas. Às 20h24, com 47,62%, Lula assumiu a liderança e não a perdeu mais. A apuração ao vivo rendeu 105 matérias até o corte.

Lula: mais volume, menos atrito

Com 5.809 artigos, 35% acima dos 4.313 da semana anterior, a cobertura sobre o presidente ficou mais neutra dos dois lados: a fatia negativa caiu de 13,9% para 9,6%, e a positiva, de 17,1% para 14,7%. Três em cada quatro textos ficaram em território neutro, o que acompanha o material da semana do voto, feito de pesquisa, serviço e apuração: o tema pesquisa eleitoral aparece em 2.414 dos 5.809 textos sobre ele. O negativo que restou se espalhou pela semana e saiu sobretudo de notícia: dos cerca de 560 textos negativos, 362 são notícias, e 276 vêm de veículos de centro, contra 234 de direita e extrema-direita. Onde há juízo explícito, a distância se manteve: o sentimento médio foi de −0,16 nas 227 peças de opinião, contra 0,03 nas 4.912 notícias (na semana anterior, −0,15 e 0,03).

Entre as opiniões mais duras, a Gazeta do Povo publicou um editorial com "as muitas razões para dizer não a Lula neste domingo" e uma coluna de Luis Ernesto Lacombe sobre a "guerra sem fim pelo Brasil de verdade"; o Pleno.News publicou cinco razões para não votar nele; e uma coluna do Estadão afirmou que a "farra" de Lula com a máquina pública destrói a isonomia da eleição. Nas medições, o Datafolha registrou 49% de aprovação do governo, o melhor índice desde julho, segundo o Estado de Minas, e a Quaest apontou que 48% dos eleitores de Augusto Cury migravam para Lula, contra 33% para Flávio, como registrou o UOL. Na campanha, Lula disse que vai propor destinar 25% das emendas obrigatórias à tarifa zero no transporte (59 matérias na semana, quase as mesmas 61 da anterior).

Flávio Bolsonaro: o pior saldo do segundo turno

Com 5.273 artigos, 46% acima dos 3.600 da semana anterior na contagem corrigida, o senador chegou ao domingo com o pior saldo de tom das três semanas do segundo turno: a cobertura negativa subiu de 19,1% para 21,5%, e a positiva caiu pela metade, de 13,9% para 6,8%. O saldo foi de −5 para −15 pontos percentuais, e o caso dos sigilos responde por parte disso. O gênero mais duro com ele foi a checagem: nas 47 peças de fact-check, o sentimento médio é de −0,29, abaixo das 199 de opinião (−0,26) e das 4.431 notícias (−0,07). As checagens dos debates apontaram erros dos dois candidatos, e as mais duras com ele trataram de acusações que ele fez, como a da Lupa sobre o debate da Globo.

Na opinião, Ricardo Noblat escreveu no Metrópoles que o senador perdeu o debate e a dignidade; o Brasil de Fato, de esquerda, tratou o debate sem checagem como "megafone" para mentiras; o Intercept Brasil publicou no sábado um perfil que o liga a milícia, Banco Master e uma negociata de lancha; e o Diário do Centro do Mundo reproduziu uma coluna de Leonardo Sakamoto sobre a "farra" com lobistas.

Zeitgeist: a democracia recua, e o clima entra pelo Pará

Democracia segue o maior cluster, com 535 artigos, mas caiu 41% ante os 901 da semana anterior. Um terço da queda é o canal "Exército do Lula", que saiu do pico: no tema, as manchetes com o canal ou com Janones caíram de 213 para 95, enquanto as da Meta ficaram no mesmo patamar (180 e 185). Lula aparece em 447 desses textos, Flávio em 307. No Diário do Centro do Mundo, uma ex-executiva do WhatsApp afirmou que "o candidato da Meta é Flávio Bolsonaro" e cobrou regulação das plataformas.

Inteligência Artificial ficou em 217 artigos (−12%), com Lula em 184 e Flávio em 162. A Meta segue em metade das manchetes do tema, contra seis em cada dez na semana anterior, e a novidade foi a proposta de Flávio de usar IA no lugar de servidores, cujos riscos, incluindo a possível suspensão de concursos, A Tarde explicou. Geopolítica cresceu 5%, para 115, e veio de fora: a Veja ouviu um cientista político sobre como Trump reagiria a cada resultado, com o peso das terras raras brasileiras no argumento.

As agendas ambientais tiveram as maiores altas e os menores volumes: Clima subiu 77%, para 69 artigos, Bioeconomia 19% (43) e Energia 41% (24). Em Clima e Bioeconomia, Flávio domina (53 e 36 artigos, contra 38 e 18 de Lula); em Energia, os dois empatam (20 e 19). O que mais puxou o clima foi uma fala dele: em campanha no Pará, na segunda, 19, prometeu acabar com "entraves ambientais" e disse que o produtor vai "fazer o que quiser" com a terra, e no dia seguinte entidades criticaram a declaração. A promessa voltou como alerta em textos de opinião, como o do Le Monde Diplomatique Brasil, para quem o país não pode se dar ao luxo de eleger um negacionista, e o tema também apareceu como comparação de programas: a Exame mostrou o que cada um propõe para a Petrobras.

Panorama midiático

Cerca de dois terços da cobertura continuam no centro (66,5% nos textos sobre Lula, 65,4% nos sobre Flávio). Sobre o senador, veículos de esquerda responderam por 14,5%, contra 13,1% de direita e extrema-direita somadas; sobre o presidente, direita e extrema-direita somam 14,4%, contra 12,6% da esquerda. CNN Brasil lidera nos dois (340 e 292 artigos), e o Diário do Centro do Mundo é o segundo veículo que mais escreveu sobre Flávio (284), à frente de Folha, UOL e g1. A imprensa internacional ficou em 4,0% nos dois casos; sobre Lula, tinha sido de 2,4% na semana anterior.

Observações finais

A última semana da campanha teve como assunto principal um gesto processual, o desafio dos sigilos. Foi a semana com mais matérias do segundo turno e, em tom, a de maior vantagem de Lula sobre Flávio em todo o turno, com +5 pontos de saldo contra −15; na primeira semana, a distância tinha sido de tamanho parecido no sentido oposto, com o senador à frente. O painel mede o que a imprensa fez com a campanha, não o voto. O voto veio no domingo e deu a Lula o quarto mandato. A edição extra desta terça, 27, trata da cobertura do dia da votação, e o balanço do monitor fica para o encerramento das coletas, no sábado, 31.

Fontes consultadas

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Como esse resumo foi feito

Este texto é gerado a partir do banco de dados do projeto Eleições 2026, que monitora continuamente a cobertura da imprensa brasileira sobre os candidatos à Presidência. Na semana de 19 a 25 de outubro, o sistema coletou artigos de dezenas de veículos — portais de notícias, agências, blogs e imprensa regional — via Brave Search, feeds RSS, Google News e sitemaps de portais jornalísticos.

O processo tem quatro etapas automatizadas: (1) coleta e normalização dos artigos por coletores rodando cinco vezes por dia em servidor dedicado; (2) verificação anti-falso-positivo por DeepSeek V4.1 Flash, que remove menções fora de contexto eleitoral; (3) classificação de sentimento por candidato, extração de tópicos e classificação de gênero jornalístico pelo mesmo modelo, com DeepSeek V4 Pro como reserva quando o titular está indisponível; (4) geração do texto editorial por Claude Opus 5 com raciocínio estendido, tendo como contexto obrigatório os posts anteriores desta série.

Uma nota sobre como ler o tom: o painel mede a cobertura sobre cada candidato, não o teor do que ele diz. Uma matéria em que um candidato acusa outro costuma ser negativa para quem é acusado e positiva para quem acusa, que nela aparece como protagonista da denúncia. O mesmo texto entra na conta dos dois com sinais opostos.

Uma observação de método: nesta semana o painel corrigiu a forma de ligar uma matéria a Flávio Bolsonaro. Até 19/10, ele só entrava na conta quando o texto trazia o sobrenome ou outro identificador, e as matérias que o chamavam só de Flávio ao lado de Lula, a forma mais comum no segundo turno, ficavam ligadas apenas a Lula. Todo o segundo turno foi reprocessado com a regra nova: de 5 a 20 de outubro, Flávio passou de 6.801 para 8.354 matérias, 23% a mais, e o tom dessas matérias entrou na conta. Os números de Flávio publicados nas edições de 12 e 19 de outubro foram apurados com a regra antiga; os de Lula não mudaram. O primeiro turno também foi reprocessado: de 25 de março a 4 de outubro, Flávio passou de 37.008 para 40.307 matérias, 9% a mais, e o sinal do tom dele não mudou em nenhum mês. O que mudou está na Metodologia do painel, em Revisões de série.

Uma observação de método: nesta semana o painel corrigiu uma falha do verificador, a etapa em que o modelo confere se cada matéria trata mesmo do candidato a que foi ligada. Quando o modelo deixava de responder sobre algum vínculo do lote, o lote inteiro era aprovado assim mesmo, e esse vínculo entrava na base sem conferência. Os vínculos aprovados desse jeito desde abril foram conferidos agora: 247 eram falsos positivos e saíram da base, quase todos de matérias da pré-campanha e do primeiro turno. Entre os candidatos, a maior perda foi de Clariana Barão, 15 de 1.114 matérias; Lula perdeu 47 e Flávio Bolsonaro, 24, menos de 0,1% de cada um. Os números desta edição já saem da base corrigida. O que mudou está na Metodologia do painel, em Revisões de série.

O rascunho passa por revisão humana antes da publicação. Números e afirmações factuais são verificados contra o banco de dados — afirmações sem respaldo direto nos dados são removidas ou reescritas. Os links apontam para as fontes primárias mencionadas no texto; quando um veículo é citado sem link, significa que o artigo foi identificado no banco mas não estava acessível publicamente no momento da revisão.

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