Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno à frente de Lula. Com todas as seções totalizadas, o TSE registrou 47,03% dos votos válidos para o senador e 45,16% para o presidente, e os dois disputam a Presidência no segundo turno, em 25 de outubro. A ordem saiu invertida em relação às pesquisas da véspera, que tinham Lula numericamente à frente: 45% a 42% dos votos válidos no Datafolha e 46% a 45% na Quaest. Na noite de domingo, Lula admitiu surpresa e disse que o segundo turno vai mostrar "a verdadeira fotografia do Brasil".
A apuração entra só em parte nos números desta edição, que vão até as 21h de domingo, horário de Brasília. Entre o fechamento das urnas, às 17h, e esse corte, o painel registrou 258 matérias, mais da metade delas com apuração, turno ou resultado no título. A confirmação de que haveria segundo turno saiu pouco antes das 21h. Mesmo sem a noite inteira, esta foi a semana de maior volume desde que o painel começou, em 25 de março: 6.785 matérias distintas, 42% a mais que as 4.785 da semana anterior. As 11.775 menções (a soma passa o total de textos porque muita matéria cita mais de um nome) seguiram concentradas em Lula e Flávio, com 60% delas.
Antes do voto, o assunto que mais rendeu foi um debate que não aconteceu.
| Candidato | Artigos | Saldo |
|---|---|---|
| Lula | 4.166 | +3 pp |
| Flávio Bolsonaro | 2.925 | -6 pp |
| Renan Santos | 846 | +3 pp |
| Romeu Zema | 739 | -10 pp |
| Ronaldo Caiado | 734 | +8 pp |
| Augusto Cury | 661 | +20 pp |
| Leonardo Avalanche | 273 | +1 pp |
| Rui Costa Pimenta | 261 | +2 pp |
| Edmilson Costa | 258 | +1 pp |
| Wilson Grassi | 234 | +3 pp |
| Hertz Dias | 229 | +2 pp |
| Samara Martins | 227 | +1 pp |
| Clariana Barão | 222 | +5 pp |
O debate que não houve
Na quinta-feira, 1º de outubro, o último debate antes do voto deixou de existir em poucas horas. A Globo tinha convidado quatro candidatos, Lula, Flávio, Ronaldo Caiado e Augusto Cury, pela regra que garante vaga a partidos com ao menos cinco parlamentares eleitos em 2022. Lula já tinha trocado o debate por uma entrevista ao vivo no Flow. Renan Santos, que ficou de fora, recorreu à Justiça. Nunes Marques, no TSE, e Cármen Lúcia, no STF, negaram o pedido, e Gilmar Mendes, o terceiro ministro a decidir, mandou a emissora incluí-lo. Flávio desistiu de ir, falando em "censura do TSE", e a Globo cancelou o debate.
Foram 671 matérias sobre o cancelamento e a ida de Lula ao Flow, contra 13 na semana anterior. Com o cancelamento, o primeiro turno terminou sem nenhum debate entre Lula e Flávio: os dois faltaram ao da Band, em agosto, e o consórcio de emissoras e a Record cancelaram os próprios debates em setembro, diante da ausência dos dois.
Para Renan, a disputa pela vaga dominou a semana: "debate" está em 34% das 846 manchetes sobre ele, e "globo" em 29%. Zema, Caiado e Cury atribuíram a Lula o cancelamento, e Caiado disse que o Judiciário virou o "trágico protagonista" da eleição. O Estadão, em editorial, leu a decisão de Gilmar como parte de um esforço do Judiciário para ajudar a reeleger Lula. Na cobertura de Cury, "cancelamento de debate" ficou entre os dez temas mais frequentes, com 38 menções.
Lula: a cobertura mais neutra desde março
Com 4.166 artigos, 31% a mais que na semana anterior, Lula seguiu o nome mais coberto, e o movimento relevante está no tom: a cobertura negativa caiu de 17,0% para 10,8%, e a positiva, de 15,9% para 13,5%. Três em cada quatro textos sobre ele foram neutros (75,7%), a maior fatia neutra de Lula desde que o painel começou, em boa parte pelo peso das pesquisas, que somam 4.121 menções temáticas. "Flávio" está em 43% das manchetes sobre o presidente, e a expressão "debate globo" aparece 237 vezes: boa parte da cobertura dele foi comparativa.
Onde há juízo explícito, o quadro muda. Nas 173 peças de opinião, o sentimento médio foi de -0,17, contra 0,02 nas 3.520 notícias. Entre as de carga mais negativa, a Gazeta do Povo publicou que "o STF vai piorar se Lula for reeleito" e acusou o presidente de implodir a segurança jurídica com a proibição das bets, e a Forbes Brasil publicou que "o Brasil não aguenta mais quatro anos de Lula".
A proibição das bets, segundo maior acontecimento da semana anterior, caiu de 299 para 167 matérias. No lugar, entrou uma polêmica nova. Num discurso no Pará, Lula disse que as mulheres "aprendem a tomar toque", ao falar de exames de saúde, e a campanha de Flávio associou a fala a estupro de menores. A campanha de Lula acionou o TSE, e a Agência Lupa mostrou que ele não defendeu nem normalizou a pedofilia. Foram 80 matérias sobre o caso.
Flávio Bolsonaro: a padroeira nos tribunais
O boato de que Flávio pretendia tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, que entrou na corrida na semana anterior, foi o segundo maior acontecimento desta: 368 matérias, contra as 80 publicadas até o domingo, 27. O caso passou a semana nos tribunais. Na segunda, 28, Flávio pediu a Luiz Fux que suspendesse a decisão em que Flávio Dino havia liberado as publicações, e Fux atendeu na mesma noite. Na quarta, 30, o plenário do TSE manteve a remoção dos posts determinada por André Mendonça, com divergência sobre o alcance da medida, e Mendonça mudou o voto para liberar a publicação do humorista Antonio Tabet. No mesmo dia, o TRE do Distrito Federal negou a prisão do coordenador da Secom que Flávio acusa de incentivar o boato, mas o proibiu de postar sobre eleições.
"Nossa senhora" aparece em 197 manchetes sobre o senador, e desinformação (143 menções) e fake news (133) estão entre os dez temas mais frequentes da cobertura dele. No domingo, a imprensa registrou que Flávio venceu em Aparecida (SP), com 58,3% dos votos válidos.
Foram 2.925 artigos sobre ele, 51% a mais. A fatia negativa caiu de 25,0% para 16,1%, mas a positiva também encolheu, de 12,7% para 10,1%, e o saldo seguiu no vermelho. A assimetria editorial permanece: 14,1% da cobertura sobre ele saiu de veículos de esquerda, contra 9,6% de direita e extrema-direita somadas. Na opinião, o sentimento médio foi de -0,34, contra -0,03 nas notícias. Na Folha, Michael França escreveu que ele é "o pior candidato"; o Intercept tratou das ligações com milícias; a Revista Fórum listou sete fatos sobre crime e corrupção e registrou em vídeo o que chamou de crime eleitoral no ato de votar. O caso Banco Master, eixo de setembro, praticamente sumiu: 32 matérias, 87% menos.
Renan Santos: três decisões para uma vaga
Foram 846 artigos, mais que o dobro da semana anterior, com o saldo encolhido: a cobertura positiva caiu de 23,8% para 13,7%, e a negativa subiu de 3,0% para 10,8%. O saldo, que era de +21 pontos, ficou em +3. A briga pela vaga no debate responde por boa parte do volume: "gilmar mendes" aparece 33 vezes nas manchetes sobre ele, e justiça eleitoral (82 menções) e TSE (68) estão entre os dez temas mais frequentes. Na Crusoé, de direita, Duda Teixeira escreveu sobre "o triste fim da candidatura de Renan Santos", texto reproduzido por O Antagonista. No UOL, Carlos Madeiro registrou o presidente do Missão na Bahia pregando "banho de sangue" em favelas, e o Nexo analisou a linguagem de avatares e memes da campanha. Nas urnas, Renan ficou em quarto, com 2,24% dos votos válidos, e não declarou voto no segundo turno.
Zema e Caiado: pressão para desistir e cobertura protocolar
Zema teve o pior saldo da semana: 739 artigos, com os negativos subindo de 7,2% para 18,9% e os positivos caindo de 14,1% para 8,7%. Dois assuntos próprios marcaram a semana dele. O primeiro foi a pressão para que desistisse em favor de Flávio, com Valdemar Costa Neto torcendo publicamente pela desistência; Zema disse que iria "até o último minuto", e o caso rendeu 87 matérias. O segundo foi o voto com o celular na cabine, no domingo: "celular cabine" aparece em 43 manchetes, a Agência Lupa mostrou que ele recorreu a uma informação falsa sobre Lula para justificar o descumprimento da regra, e o Brasil de Fato escreveu que ele desrespeitou a lei eleitoral. Nas urnas, Zema teve 0,27% dos votos válidos, e a Veja informou que ele formalizaria apoio a Flávio no segundo turno. O Tempo escreveu que ele foi "do céu ao inferno" em Minas.
Caiado teve volume quase igual, 734 artigos, e a cobertura mais protocolar entre os seis mais cobertos: 84,2% de textos neutros e 3,8% negativos. O Valor resumiu que ele chegou às urnas sem se firmar como terceira via, e o JOTA, em coluna de 2 de outubro, leu o fraco desempenho dele e de Zema como alerta para o futuro de Tarcísio. Ao votar, Caiado disse ter cumprido a missão com uma campanha "de mãos limpas". Nas urnas, ficou em quinto, com 2,18% dos votos válidos, mas o grupo dele venceu em Goiás: Daniel Vilela, que o sucedeu no governo, foi reeleito no primeiro turno, e Gracinha Caiado, mulher do ex-governador, foi eleita senadora.
Cury no melhor saldo da semana; Avalanche fora da disputa
Augusto Cury fechou com o melhor saldo da semana: 21,0% de cobertura positiva contra 1,4% negativa, em 661 artigos. No Poder360, Joice Hasselmann assinou um texto explicando o voto nele; no UOL, Matheus Pichonelli o pôs entre os candidatos que, na reta final, adotavam "discurso de time rebaixado". Nas urnas, Cury ficou em terceiro, com 2,89% dos votos válidos, e disse que não vai apoiar ninguém no segundo turno.
Leonardo Avalanche, que havia substituído Pablo Marçal depois de o TSE negar o registro de Marçal, em setembro, deixou a disputa na quarta-feira, 30. Na véspera, Marçal tinha anunciado apoio a Flávio. Avalanche renunciou à candidatura, criticou a "pseudodireita" e disse que não apoiaria ninguém. Os dois movimentos somaram 112 matérias, "desiste" está em 29% das 273 manchetes sobre ele, e a cobertura dele foi 97,4% neutra. A linha dele segue na tabela porque a cobertura da semana existiu, mas o resultado oficial do TSE lista doze candidatos, sem ele.
Os seis do fim da tabela
Rui Costa Pimenta, Edmilson Costa, Wilson Grassi, Hertz Dias, Samara Martins e Clariana Barão tiveram entre 222 e 261 artigos cada e quase nenhum juízo: todos fecharam acima de 94% de textos neutros, numa cobertura de agenda coletiva em que "Lula" e "Flávio" aparecem em cerca de um terço ou mais das manchetes. Houve conteúdo próprio. Edmilson defendeu a extinção do Senado, Samara propôs estatizar os bancos privados, Grassi falou em carne de laboratório e "Tinder eleitoral", Hertz Dias priorizou a aliança com a classe trabalhadora, e Rui Costa Pimenta disse que, se Lula perder, "não é o fim do mundo". Clariana Barão, uma das duas mulheres entre os doze candidatos do resultado oficial, virou meme ao receber um voto em Singapura. Somados, os seis tiveram 0,22% dos votos válidos.
A semana nas agendas globais
Democracia foi o tema global dominante, com 841 artigos, 55% acima dos 543 da semana anterior, e o conteúdo explica o salto: decisões judiciais, remoção de posts, o caso da padroeira e o debate cancelado. Lula (447) e Flávio (414) aparecem quase empatados, com Renan Santos em terceiro (106). Entre os textos do tema, o que o classificador do painel marcou com mais segurança foi o do Intercept sobre o risco de "um poder sem limites". Numa semana de voto, "democracia" na cobertura significou menos projeto de país e mais procedimento, Judiciário e regra do jogo.
Geopolítica fez o caminho inverso, de 618 para 263 artigos (queda de 57%), com o fim do ciclo da Assembleia-Geral da ONU. Na Folha, Igor Patrick notou que Lula e Flávio evitaram escolher lado entre EUA e China. Inteligência artificial caiu de 148 para 93 artigos, e um dos textos de propostas veio da imprensa especializada: o IT Forum comparou as propostas de tecnologia de Caiado e Zema.
No pé da lista, a agenda ambiental seguiu pequena. Clima somou 31 artigos (eram 59), e o Valor registrou que a maioria dos presidenciáveis ignora a urgência da crise climática. Energia ficou em 33, com a Folha mostrando que a maioria apoia manter ou ampliar a produção de petróleo e gás. Bioeconomia teve 11, oito deles com Lula, e o Los Angeles Times escreveu que o futuro da Amazônia está em jogo na eleição, registro que serve de termômetro da leitura externa.
Panorama midiático: o UOL em todas as listas
A cobertura seguiu ancorada no centro (66,7% dos artigos sobre Lula, 65,7% sobre Flávio e 72,1% sobre Zema), e um detalhe chama atenção: o UOL foi o veículo que mais escreveu sobre cada um dos treze candidatos. Nos nomes de menor volume, de um quinto a quase um terço da cobertura veio de portais sem posição editorial declarada. Pesquisa eleitoral foi o tema mais frequente para todos os treze, e as comparações de propostas ficaram em textos pontuais, como os do Valor, da Folha e do IT Forum citados acima.
Observações finais
A semana que mais rendeu matérias no painel terminou com o fato que muda a cobertura daqui em diante: Flávio Bolsonaro e Lula vão ao segundo turno, em 25 de outubro, com o senador à frente por cerca de 2,2 milhões de votos. Antes do voto, os dois maiores acontecimentos da semana tiveram a Justiça no centro: um debate desfeito depois de três decisões de ministros em menos de 24 horas, e o caso da padroeira, que passou pelo STF, pelo TSE e pelo TRE do Distrito Federal em três dias. Lula teve a cobertura mais neutra desde março, e Flávio fechou com saldo de -6 pontos, metade dos -12 da semana anterior. O ministro da Secom, Sidônio Palmeira, disse no domingo que Lula vai aos debates no segundo turno.
Esta é a última edição do resumo a acompanhar todos os candidatos. A partir da próxima, em 12 de outubro, ele cobre apenas Flávio e Lula. Os números desta edição vão até as 21h de domingo, horário de Brasília; o que saiu mais tarde, como o pronunciamento de Flávio após a apuração, entra na edição de 12 de outubro.
Fontes consultadas
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Correio Braziliense
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Estadão
Folha de S.Paulo
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Tribuna do Sertão
- Candidato do PCO ao Senado relata 'perseguição' e diz que não foi convidado para sabatinas - Tribuna do Sertão
- 'O voto é uma arma que o brasileiro não sabe usar', afirma candidato a presidente Wilson Grassi - Tribuna do Sertão
- Candidato Wilson Grassi afirma que eleitor deve conhecer candidatos antes de votar
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Como esse resumo foi feito
Este texto é gerado a partir do banco de dados do projeto Eleições 2026, que monitora continuamente a cobertura da imprensa brasileira sobre os candidatos à Presidência. Na semana de 28 de setembro a 4 de outubro, o sistema coletou artigos de dezenas de veículos — portais de notícias, agências, blogs e imprensa regional — via Brave Search, feeds RSS, Google News e sitemaps de portais jornalísticos.
O processo tem quatro etapas automatizadas: (1) coleta e normalização dos artigos por coletores rodando cinco vezes por dia em servidor dedicado; (2) verificação anti-falso-positivo por DeepSeek V4.1 Flash, que remove menções fora de contexto eleitoral; (3) classificação de sentimento por candidato, extração de tópicos e classificação de gênero jornalístico pelo mesmo modelo, com DeepSeek V4 Pro como reserva quando o titular está indisponível; (4) geração do texto editorial por Claude Opus 5 com raciocínio estendido, tendo como contexto obrigatório os posts anteriores desta série.
Uma nota sobre como ler o tom: o painel mede a cobertura sobre cada candidato, não o teor do que ele diz. Uma matéria em que um candidato acusa outro costuma ser negativa para quem é acusado e positiva para quem acusa, que nela aparece como protagonista da denúncia. O mesmo texto entra na conta dos dois com sinais opostos.
O rascunho passa por revisão humana antes da publicação. Números e afirmações factuais são verificados contra o banco de dados — afirmações sem respaldo direto nos dados são removidas ou reescritas. Os links apontam para as fontes primárias mencionadas no texto; quando um veículo é citado sem link, significa que o artigo foi identificado no banco mas não estava acessível publicamente no momento da revisão.
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