Eleições 2026 · Resumo semanal

Flávio abre o segundo turno com apoios e à frente nas pesquisas; Lula aposta na 6x1 e reage

Flávio Bolsonaro abriu o segundo turno somando apoios e à frente nas primeiras pesquisas; Lula apostou no fim da escala 6x1 e reagiu a um áudio de Vorcaro divulgado pela Veja, que PF e PGR disseram não constar de depoimento dele.

Leonardo Fontes de Sales 12 min
Eleições 2026 — Resumo da Semana de 05/10

Flávio Bolsonaro começou o segundo turno somando apoios, e a cobertura acompanhou. Um dia depois de terminar o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, ele recebeu o apoio de Romeu Zema e o de Michel Temer. Na terça, 6, veio o de Ronaldo Caiado. Até quinta, 8, entraram o Novo e o Republicanos, a federação União Progressista, de União Brasil e PP, e o Podemos, e a Folha passou a contar cinco partidos na aliança do senador. Três pesquisas nacionais divulgadas na semana também o puseram à frente: o PoderData/Aya, com 49% a 44%, e o Datafolha, com 49% a 45%, na quinta, e a AtlasIntel/Bloomberg, com 51,1% a 45,7%, na sexta.

A fatia positiva dos textos sobre Flávio subiu de 10,1% na semana do voto para 30,3%. A negativa sobre Lula foi de 10,8% para 18,8%, e a positiva dele ficou quase parada, de 13,5% para 14,2%. Do lado do presidente, a semana teve outros dois assuntos: o fim da escala 6x1, em discussão no Senado, que ele transformou em desafio ao PL, e, na sexta, um áudio de Daniel Vorcaro sobre um filme de Lula, publicado pela Veja, que PF e PGR disseram no mesmo dia não constar de nenhum depoimento dele. E a disputa foi parar no TSE, com decisões contra os dois lados.

Foram 5.049 matérias distintas, 26% menos que as 6.785 da semana do voto. O resumo passou a acompanhar só os dois finalistas, como a edição anterior anunciou. As 6.590 menções (a soma das linhas da tabela) passam do total porque muitos textos citaram os dois: foram 1.607. Os números desta edição vão até as 21h de domingo, 11, horário de Brasília.

Uma régua antes dos números: o painel mede a cobertura sobre cada candidato, não o teor do que ele diz, e a matéria em que um acusa o outro tende a sair negativa para o acusado e positiva para quem acusa. Esse espelho explica só uma parte da virada desta semana. Das 1.607 matérias que citam os dois, 1.043 foram neutras para ambos, e só 217 puseram um em campo positivo e o outro em campo negativo.

CandidatoArtigosSaldo
Lula3.466-5 pp
Flávio Bolsonaro3.124+17 pp
Artigos verificados na semana e saldo de sentimento (pontos percentuais de cobertura positiva menos negativa). As linhas não somam o total: a matéria que cita dois candidatos conta nas duas. Na semana, foram 5.049 matérias distintas.

O primeiro turno, a Bolsa e o calendário dos debates

O resultado do primeiro turno foi o assunto que mais rendeu na semana: 189 matérias, 136 delas na segunda e na terça. Dois desdobramentos ganharam vida própria. Um foi a reação do mercado, com o Ibovespa em alta e o dólar em queda depois da apuração (42 matérias). O outro foi a votação no exterior (15). A proibição das bets, que rendera 167 matérias na semana do voto, caiu para 37.

Os dois finalistas, que não foram a nenhum debate no primeiro turno, disseram que vão aos do segundo. O coordenador da campanha de Lula, Edinho Silva, afirmou que ele irá ao maior número possível de debates, e Flávio confirmou presença na terça, 6. O calendário, porém, mudou durante a semana. A Band adiou para 18 de outubro o debate que faria no domingo, 11, e a Record cancelou o dela, marcado para o mesmo dia. A emissora alegou incompatibilidade de agendas, e a coluna Outro Canal, da Folha, registrou que os dois não haviam confirmado presença. No fim da semana, o calendário tinha três datas: o debate do pool Momento da Decisão, que reúne SBT, CNN Brasil, RedeTV!, Veja e outros veículos, em 15 de outubro; o da Band, em 18; e o da Globo, em 23. Para 78% dos eleitores, é muito importante que os dois participem, segundo o Datafolha.

Lula: a aposta na 6x1 e o áudio de Vorcaro

Com 3.466 artigos, 17% abaixo dos 4.166 da semana anterior, Lula seguiu como o nome mais coberto, mas a cobertura dele ficou menos neutra. A fatia neutra, que tinha sido de 75,7% na semana do voto, caiu para 67%, e quase todo o excedente foi para o campo negativo. A alta se espalhou pela semana: os textos negativos passaram de 15% em seis dos sete dias e chegaram a 28,8% no domingo, 11, dia em que vieram a público as decisões do TSE contra a campanha dele, como a ordem de suspender o canal "Exército do Lula".

Onde há juízo explícito, a diferença fica nítida: nas 168 peças de opinião, o sentimento médio foi de -0,25, contra 0,0 nas 2.820 notícias. A Folha, de centro, publicou editorial dizendo que Lula "flerta com o fracasso porque nada aprendeu de 2022", e a Veja, de direita, escreveu que o PT "elege seus culpados" depois da derrota no primeiro turno. Na Gazeta do Povo, também de direita, saíram três textos de carga pesada: uma coluna sobre "o provável último ato" do presidente, outra afirmando que "a mentira é tudo que restou" e um editorial que chamou o Desenrola 3.0 de desespero eleitoreiro.

A aposta da campanha foi o fim da escala 6x1, segundo maior assunto da semana, com 131 matérias, contra 20 na anterior. A proposta de emenda à Constituição começou a ser discutida no Senado na terça, 6, com a ausência da maioria dos senadores do PL. A oposição tentou adiar a votação para depois do segundo turno, e na sexta, 9, Davi Alcolumbre marcou para quarta, 14, a votação em primeiro turno. Lula passou a semana cobrando Flávio. Disse que "a máscara vai cair" e, dois dias depois, "para de lorota e vamos votar". Flávio respondeu que a proposta é oportunismo de Lula para ganhar votos e defendeu uma jornada flexível.

Na sexta, 9, a Veja publicou um áudio em que Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, diz ter pago R$ 30 milhões a um filme sobre Lula em troca de negócios no governo. No mesmo dia, PF e PGR negaram que ele tivesse dito isso em depoimento, e a PGR passou a suspeitar de que o áudio foi gravado ilegalmente na prisão para ser usado na campanha. A defesa do banqueiro se dividiu: disse não reconhecer o áudio e, horas depois, confirmou que a voz é dele. A campanha de Lula chamou a reportagem de "peça eleitoral irresponsável" e apresentou um pacote de ações contra ela. Com isso, o caso Banco Master, eixo de setembro e quase sumido na semana do voto, voltou à pauta: o nome de Vorcaro esteve em 123 manchetes na semana, 87 delas só na sexta.

Flávio Bolsonaro: os apoios, a Constituição e o caso Master

Com 3.124 artigos, 7% acima dos 2.925 da semana do voto, Flávio teve 30,3% de textos positivos e 13,2% de negativos. É o saldo semanal mais alto dele desde o fim de abril, quando chegou a +16. O que puxou a alta foi a fila de apoios: "apoio" está em 12% das manchetes sobre ele, apoio partidário subiu ao terceiro lugar entre os temas, com 389 menções, e 352 dos 948 textos positivos sobre o senador têm "apoio" ou "apoia" no título. A reação do mercado também pesou, com 182 menções a mercado financeiro.

Na notícia, o sentimento médio sobre ele foi de 0,09; na opinião, de -0,21. O ponto de atrito da semana foi uma fala de terça, 6, quando Flávio disse que usaria a maioria no Congresso para "mudar a Constituição" e "redemocratizar o país". Aliados tentaram diminuir o alarme, e no dia seguinte ele explicou que falava de reforma do Judiciário, fim da reeleição e redução da maioridade penal. Foram 70 manchetes com o nome dele e a Constituição. O Intercept escreveu que ele "quer terra arrasada" com as bênçãos do Congresso e da imprensa, e o Diário do Centro do Mundo, de esquerda, publicou mais de um texto na mesma linha, como o que fala das garras apontadas para a Constituição. No JOTA, uma coluna disse que o senador leva o país "ao precipício autocrático".

O caso Master também chegou a Flávio, pelo outro lado. Lula endureceu os ataques na TV ligando o senador ao caso, e Flávio disse ter sido "injustiçado" pela relação com Vorcaro. Depois da reportagem da Veja, foi ao contra-ataque e acusou Lula de receber propina. A semana também trouxe de volta a relação com o pai. A defesa de Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar, pediu a Alexandre de Moraes, na segunda, 5, que Flávio voltasse a visitá-lo. A PGR concordou no dia seguinte, e no domingo, quando venceu a suspensão imposta em julho, a defesa comunicou ao ministro que as visitas seriam retomadas. O pedido rendeu 48 matérias. Supremo Tribunal Federal fechou a lista dos dez temas mais frequentes dele, com 98 menções.

A disputa no TSE

A campanha também correu pelo Tribunal Superior Eleitoral, com decisões contra os dois lados. Entre quinta, 8, e sexta, 9, o tribunal mandou Flávio remover publicações que associavam Lula a facções criminosas, com multa de R$ 5 mil, e mandou Lula, Janja e aliados retirarem publicações contra Flávio. Na sexta, uma ministra mandou derrubar um site que pagava em criptomoeda a quem divulgasse conteúdo a favor de Flávio. No sábado, um ministro mandou o vice de Flávio, Alfredo Gaspar, apagar um vídeo que acusava Lula de receber propina, e no domingo o tribunal abriu investigação sobre o site e sobre a atuação de Pablo Marçal na campanha de Flávio.

O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, atendeu a dois pedidos de Flávio no fim de semana. No sábado, suspendeu a propaganda de Lula que ligava o senador a Vorcaro e citava um pedido de investigação contra o vice dele. No domingo, mandou o WhatsApp suspender o canal "Exército do Lula", criado por André Janones e com mais de 3 milhões de seguidores. André Mendonça, também do TSE, proibiu Lula de impulsionar o vídeo que diz que Flávio é contra o fim da escala 6x1. A ordem sobre o canal caiu horas depois: o corregedor do TSE a suspendeu em caráter preliminar, e a decisão final será do plenário. O canal rendeu 44 matérias, todas no domingo. Os dois lados reclamaram. Lula criticou a intervenção do Judiciário na eleição em ato na Avenida Paulista, e Flávio viu "complacência com fake news" na decisão do corregedor.

Zeitgeist: democracia encolhe e continua dominando

Democracia somou 646 artigos, queda de 23% sobre os 841 da semana do voto, e ainda assim vale mais que o dobro dos outros cinco temas somados. Lula (410) e Flávio (403) aparecem praticamente empatados. O que mudou foi o assunto. Depois de uma semana de decisões judiciais sobre o debate e a padroeira, o tema passou a girar em torno do que o novo Congresso pode fazer com o Supremo e com a Constituição, assunto que a fala de Flávio esquentou, e das decisões do TSE sobre a propaganda. O texto que o classificador do painel marcou com mais segurança no tema foi do Diário Carioca, sobre a imprensa diante da ameaça à democracia.

Geopolítica caiu de 263 para 144 artigos e mudou de dono: Flávio puxa 106, contra 83 de Lula, que liderava o tema na semana anterior. A discussão de política externa passou a girar em torno do que faria um governo do senador, como no texto da Gazeta do Povo sobre a guinada planejada em direção aos EUA. Inteligência artificial recuou de 93 para 80 artigos, com Lula à frente (62). Um dos episódios do tema foi regulatório: a campanha do presidente acusou a Meta de "seletividade algorítmica", e o TSE questionou a empresa, segundo o InfoMoney.

No pé da tabela, a agenda ambiental cresceu pelo lado do risco. Bioeconomia saltou de 11 para 24 artigos (+118%), puxada por Flávio (18), com destaque para a entrevista de Marina Silva ao Guardian, em que ela afirma que o senador tentaria concluir o "projeto perverso" do pai contra a Amazônia. O alcance doméstico do jornal britânico é limitado, mas o registro serve de termômetro da leitura externa sobre a eleição. Clima ficou em 24 artigos (eram 31), com o Money Times registrando que investidores temem recuos apesar da promessa sobre mercado de carbono. Energia praticamente repetiu a semana anterior, com 34 artigos, quase metade sobre a decisão do governo de zerar os tributos federais da gasolina a 16 dias do segundo turno, que Flávio chamou de uso eleitoreiro da Petrobras.

Panorama midiático

Dois terços da cobertura continuam vindo do centro (68,2% nos textos sobre Lula, 66,9% nos sobre Flávio), mas a composição dos extremos mudou. Na semana do voto, 14,1% da cobertura sobre o senador saiu de veículos de esquerda, contra 9,6% de direita e extrema-direita somadas; agora são 12,9% contra 13,5%. A imprensa de direita aumentou a presença sobre o candidato que saiu na frente, e a de esquerda recuou um pouco. O Diário do Centro do Mundo, de esquerda, aparece em segundo nos textos sobre Lula (220) e em terceiro nos sobre Flávio (182), volume próximo ao de g1 e Folha. A Folha lidera a cobertura sobre Flávio (230), e a CNN Brasil, a sobre Lula (233). A imprensa estrangeira olhou mais para o senador: 3,7% dos textos sobre ele vieram de veículos de fora, contra 2,2% nos sobre o presidente.

Observações finais

Em sete dias, o saldo de Flávio Bolsonaro passou de -6 para +17 pontos percentuais, e o de Lula, de +3 para -5. Nada disso mede intenção de voto: mede como a imprensa tratou quem chegou à frente e quem chegou atrás, numa semana de apoios ao senador, do áudio de Vorcaro sobre Lula e de decisões do TSE. A próxima edição pega a votação do fim da escala 6x1 no Senado, marcada para quarta, 14, e o primeiro debate previsto entre os dois em toda a campanha, no dia 15. O segundo turno é em 25 de outubro.

Fontes consultadas

16 links · 11 veículos

Como esse resumo foi feito

Este texto é gerado a partir do banco de dados do projeto Eleições 2026, que monitora continuamente a cobertura da imprensa brasileira sobre os candidatos à Presidência. Na semana de 5 a 11 de outubro, o sistema coletou artigos de dezenas de veículos — portais de notícias, agências, blogs e imprensa regional — via Brave Search, feeds RSS, Google News e sitemaps de portais jornalísticos.

O processo tem quatro etapas automatizadas: (1) coleta e normalização dos artigos por coletores rodando cinco vezes por dia em servidor dedicado; (2) verificação anti-falso-positivo por DeepSeek V4.1 Flash, que remove menções fora de contexto eleitoral; (3) classificação de sentimento por candidato, extração de tópicos e classificação de gênero jornalístico pelo mesmo modelo, com DeepSeek V4 Pro como reserva quando o titular está indisponível; (4) geração do texto editorial por Claude Opus 5 com raciocínio estendido, tendo como contexto obrigatório os posts anteriores desta série.

Uma nota sobre como ler o tom: o painel mede a cobertura sobre cada candidato, não o teor do que ele diz. Uma matéria em que um candidato acusa outro costuma ser negativa para quem é acusado e positiva para quem acusa, que nela aparece como protagonista da denúncia. O mesmo texto entra na conta dos dois com sinais opostos.

O rascunho passa por revisão humana antes da publicação. Números e afirmações factuais são verificados contra o banco de dados — afirmações sem respaldo direto nos dados são removidas ou reescritas. Os links apontam para as fontes primárias mencionadas no texto; quando um veículo é citado sem link, significa que o artigo foi identificado no banco mas não estava acessível publicamente no momento da revisão.

Nenhum post é publicado sem revisão do editor.