Wilson Grassi prometeu correr 42 quilômetros em volta da sede do TSE se recuperasse o direito de fazer campanha digital. Correu, e Dias Toffoli liberou, como registrou o Bahia Notícias. A cena diz onde a disputa presidencial esteve entre 31 de agosto e 6 de setembro: menos no palanque, mais no balcão do tribunal. O nome do ministro aparece em 36% das manchetes sobre Grassi e em 38% das que tratam de Renan Santos, cuja campanha foi tirada do ar sem propaganda, sem fundo eleitoral e sem debates por omissão de perfis nas redes, decisão que o Consultor Jurídico atribuiu a uma quebra de transparência digital sem precedentes.
O volume total ficou parado: 6.792 artigos sobre os treze nomes acompanhados, praticamente o mesmo das sabatinas da Globo na semana anterior. O que mudou foi a distribuição. Lula e Flávio Bolsonaro caíram de 60% para 53% de toda a cobertura, e os sete pontos que perderam foram para o meio da tabela de ranking. Augusto Cury quase dobrou de volume, Grassi triplicou e Renan Santos cresceu 21%.
O segundo motor da semana foi a crise no Supremo aberta pelas mensagens entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, que vieram a público no começo da semana. Pedidos de saída do ministro, candidatos falando em cadeia e o caso “Dark Horse” de volta ao noticiário: “STF” ou “Moraes” aparece nas manchetes de Lula, Flávio, Caiado, Zema e Renan Santos ao mesmo tempo. O resultado se vê no cluster Democracia: 1.111 artigos, quase cinco vezes o da janela anterior.
| Candidato | Artigos | Saldo |
|---|---|---|
| Lula | 2.177 | +1 pp |
| Flávio Bolsonaro | 1.412 | +1 pp |
| Augusto Cury | 891 | +35 pp |
| Renan Santos | 688 | -1 pp |
| Ronaldo Caiado | 356 | +25 pp |
| Romeu Zema | 327 | +17 pp |
| Wilson Grassi | 205 | -20 pp |
| Pablo Marçal | 164 | -13 pp |
| Edmilson Costa | 159 | +1 pp |
| Rui Costa Pimenta | 124 | +13 pp |
| Hertz Dias | 112 | +6 pp |
| Clariana Barão | 92 | +10 pp |
| Samara Martins | 85 | +8 pp |
Lula: a menor fatia negativa desde maio, com a pesquisa como pano de fundo
Com 2.177 artigos (queda de 10%), o presidente segue sem rival em atenção, mas o dado que importa é o tom. A cobertura negativa caiu de 19,8% para 12,1%, a menor fatia desde maio, e a positiva ficou estável em 13,5%. Pesquisa eleitoral segue como o tópico mais frequente, com 2.151 menções, e “flávio” ocupa 35% das manchetes. Segundo o Datafolha, Lula tem 38%, Flávio 33% e Cury 8%; na rodada do BTG/Nexus, 39%, 33% e 11%.
A campanha do presidente tentou afastá-lo de Moraes e quer cobrar o fim do sigilo do caso Dark Horse. A frente crítica ficou no espaço opinativo, onde o sentimento médio é -0,1 contra 0,03 na notícia factual. Josias de Souza escreveu no UOL que o presidente testa a profundidade do lodo do STF com os dois pés, Alexandre Garcia tratou da dívida pública na Gazeta do Povo e a Revista Oeste repercutiu avaliação do Estadão sobre a economia do governo. Na véspera do 7 de Setembro, o discurso de soberania com recados a Donald Trump foi coberto até pela imprensa de direita.
Flávio Bolsonaro: Vorcaro liga Moraes ao “Dark Horse”, e um deepfake absolvido
São 1.412 artigos, 10% menos que na semana anterior, com tom levemente melhor (negativa de 20,9% para 16,5%, positiva de 16% para 17,8%). O eixo mudou de assunto. As mensagens entre Moraes e Vorcaro deram ao senador do PL a bandeira da saída do ministro, e “moraes” entrou em 12% das manchetes sobre ele, com reportagem de A Tarde sobre a pressão sobre Cármen Lúcia por voto contra o ministro. Mas o mesmo banqueiro financiou “Dark Horse”, o filme sobre Jair Bolsonaro, e a expressão aparece 45 vezes nas manchetes da semana: Flávio se negou a explicar um novo repasse de US$ 1,6 milhão de Vorcaro ao filme, o PT pediu sua cassação no Conselho de Ética do Senado e Davi Alcolumbre saiu em defesa de Moraes citando o envolvimento do senador com o banqueiro. No campo da propaganda, o TSE rejeitou multa pelo vídeo com IA que recriou Jair Bolsonaro, seu pai, e fixou critérios para deepfake na campanha.
A imprensa de esquerda é a mais dura com ele: 40% de cobertura negativa nos 194 artigos desse campo, que responde por 13,7% do total (a direita, 9,5%), com o Diário do Centro do Mundo entre seus cinco maiores veículos. Em número absoluto, porém, a maioria das matérias negativas vem da imprensa de centro. Leonardo Sakamoto perguntou no UOL quanta grana de Vorcaro o senador ainda esconde, coluna republicada pelo DCM. Na opinião, o sentimento médio é -0,16, contra 0,02 na notícia. O caso da filiação forjada ao Missão, que levou a PF a abrir inquérito em agosto, saiu das manchetes: nenhuma da janela o cita.
Augusto Cury: 45% de cobertura positiva e as primeiras rachaduras
891 artigos, quase o dobro dos 472 da semana anterior, e a fatia positiva chegou a 45% (contra 9,8% negativa). O tratamento é ainda mais favorável fora da notícia factual: 0,35 de sentimento médio na análise e 0,27 na opinião, contra 0,15 nas reportagens. O Jornal de Brasília falou da terceira via que saiu do armário; O Cafezinho, de esquerda, afirmou que o fenômeno não é acaso; a coluna Esplanada, no Midiamax, registrou que o escritor ultrapassou Caiado.
Mas a negatividade mais que dobrou (era 4%), e é aí que está a novidade. O DCM ouviu um psiquiatra que o acusa de ter inventado uma síndrome, e Clariana Barão, candidata do DC, o acusou de misoginia após ser chamada de “advogadinha que ninguém conhece”. Declaração de bens soma 40 menções. Cury declarou ao TSE R$ 242,3 milhões em 56 bens, o maior patrimônio entre os treze, e a notícia da semana foi a omissão: cinco empresas, nos Estados Unidos e no Brasil, ficaram fora da declaração, e a campanha admitiu o erro e prometeu retificar. E parte da base digital que sobrou de outro nome já migrou: A Crítica noticiou apoio de influenciadores ligados a Pablo Marçal.
Renan Santos: suspenso por Toffoli, com o tom mais dividido do painel
688 artigos, 21% mais que na semana anterior, e um dos três saldos negativos do painel, com Grassi e Marçal: 28,9% de cobertura negativa (era 20,6%) contra 27,5% positiva. É um retrato polarizado, não um consenso. A decisão de Toffoli e o corte de fundo eleitoral dominam as manchetes (“decisão toffoli” 72 vezes, “suspende campanha” 37, “libera campanha” 29), e na análise o sentimento médio cai para -0,21. Do lado favorável, o registro internacional funcionou como termômetro: reportagem da The Economist comparou o candidato do Missão a Javier Milei e disse que ele “não é um charlatão”, texto repercutido por CBN e BBC Brasil. O alcance doméstico do semanário britânico é pequeno; a repercussão veio dos veículos brasileiros que o citaram. Na crise do Supremo, o candidato do Missão defendeu uma nova Constituição: “o pacto de 1988 acabou”, disse ao Estadão.
Caiado, Zema e o Supremo como plataforma
Os dois ex-governadores perderam volume (Caiado 32%, Zema 13%) e ganharam tom. Caiado fechou com 29,2% de cobertura positiva e 4,2% negativa; Zema, 21,4% e 4,6%. Nos dois casos o assunto foi o mesmo, as mensagens entre Moraes e Vorcaro: Caiado disse à Veja que “nunca vimos esse nível de escândalo atingir ministros do STF”, e Zema chamou Moraes de “projetinho de ditador”, defendendo a prisão do ministro. A crítica veio da esquerda: o Intercept examinou o modelo de segurança de Goiás, e um texto de Paulo Henrique Arantes sobre os dois circulou no Brasil 247 e no DCM. Na opinião, Zema tem o índice mais baixo entre os seis mais cobertos (-0,24).
Grassi, Marçal e a cauda institucional
Grassi passou de 68 para 205 artigos, o triplo, e trocou de sinal: a cobertura negativa saiu de zero para 31,2%. Ganhou visibilidade pela suspensão e pela maratona, mas também por propostas que o Notícias da Bahia sintetizou como “botox gratuito e salário parlamentar de R$ 1 milhão”. No mesmo período, ele apresentou propostas de governo no Jornal Nacional.
Pablo Marçal soma 164 artigos, e mais da metade deles (94) gira em torno de um único problema jurídico. Inelegível até 2032 pelo caso dos “cortes”, ele obteve liminar para retornar ao PRTB e teve o registro protocolado no TSE, que segue aguardando julgamento: o tribunal homologou oito candidaturas presidenciais e deixou a dele de fora, e o Ministério Público Eleitoral pediu o indeferimento. A candidatura não é fato consumado.
A cauda do ranking viveu sua melhor semana de exposição institucional, com quase nenhuma negatividade: Edmilson Costa (159), Rui Costa Pimenta (124), Hertz Dias (112), Clariana Barão (92) e Samara Martins (85) entraram na cobertura pelas séries de propostas do g1 e pelas agendas diárias da Agência Brasil. Hertz Dias defendeu em Salvador a reestatização completa da Petrobras; Rui Costa Pimenta defendeu o voto impresso; Samara Martins propôs suspender a dívida pública e dobrar o salário mínimo. Nos cinco, a entrevista é o gênero mais generoso, com sentimento médio entre 0,25 e 0,5.
A semana nas agendas globais
Democracia engoliu o Zeitgeist: 1.111 artigos contra 232 na janela anterior, alta de 379%. O cluster é puxado por Flávio Bolsonaro (359), Lula (350) e Renan Santos (313), o que descreve bem o assunto real: disputa de hegemonia no Supremo, decisões do TSE sobre propaganda e registro, campanhas suspensas e religadas. Quando as regras do jogo viram o jogo, a cobertura eleitoral deixa de discutir políticas.
O efeito colateral aparece em quatro dos outros cinco clusters, todos em queda. Geopolítica caiu 26% e se concentrou em Lula (141 dos 168 artigos), sustentada pelo discurso de soberania da véspera do 7 de Setembro. Inteligência Artificial recuou 32% mesmo com o TSE fixando critérios para deepfake, e o tema ficou majoritariamente atrelado a Flávio (56 artigos). Clima perdeu 38%, com o embate sobre negacionismo aparecendo quase só na imprensa de esquerda, como no Cafezinho. Energia caiu 21%.
A exceção é Bioeconomia: 32 artigos contra 7 na janela anterior, alta sobre uma base pequena e quase inteiramente devida a um gesto presidencial, o encontro com Leonardo DiCaprio para discutir o Fundo Tropical Florestas para Sempre. É um cluster que depende de um único ator: 25 dos 32 artigos passam por Lula.
Panorama midiático e narrativas dominantes
A imprensa de centro respondeu por algo entre 65% e 75% da cobertura de todos os candidatos do pelotão da frente (67% em Lula, 65% em Flávio, 70% em Cury, 75% em Renan). Os extremos operam por especialização: a extrema-direita não passa de 3% em nenhum caso, e a esquerda pesa mais onde há alvo bolsonarista. Já Grassi e Edmilson Costa têm 21% e 26% da cobertura em veículos sem posição editorial declarada, blogs e portais regionais.
Três narrativas ganharam tração: a judicialização da propaganda digital, a crise no Supremo como pauta comum da direita, de Flávio a Caiado e Zema, e a construção do “fenômeno Cury” como terceira via. Política pública ficou na margem: jornada de trabalho soma 69 menções em Lula e 42 em Flávio, segurança pública não passa de 53 em nenhum candidato, e pesquisa eleitoral tem mais de 2 mil menções só no presidente. Nas manchetes dos treze candidatos, o vocabulário é de instituto de pesquisa e de tribunal, não de programa de governo. Duas exceções escaparam pela cauda: a votação do fim da escala 6×1 no Senado, acompanhada por O Globo, e o pacote penal em comissão do Senado.
Observações finais
A semana não mexeu no topo, mexeu no meio. Lula e Flávio perderam sete pontos de participação na cobertura sem que nada de grave lhes acontecesse, e o espaço foi absorvido por um candidato em ascensão de volume e por dois que ganharam manchete ao serem suspensos pela Justiça Eleitoral. A quatro semanas do primeiro turno, a variável que mais move a atenção da imprensa não é o comício nem o debate: é o despacho judicial. Vale registrar que monitoramento de cobertura não é pesquisa de intenção de voto, e o crescimento de atenção sobre Cury descreve o que a imprensa decidiu tratar como novidade, não um resultado eleitoral.
Fontes consultadas
84 links · 61 veículos
A Crítica (Campo Grande)
Bahia Notícias
BBC News Brasil
Blog do Amarildo
BNews
Brasil 247
Brasil em Folhas
CBN
Consultor Jurídico
Correio do Povo
Crusoé
Diário do Centro do Mundo
Estadão
Fato Paulista
Folha de S.Paulo
g1
HiperNotícias
Jornal de Brasília
Jovem Pan
Le Monde Diplomatique Brasil
Mangue Jornalismo
Metrópoles
Money Times
Monitor Mercantil
ncnews.com.br
Notícias da Bahia
Noveen
O Cafezinho
- Segunda pesquisa em 48 horas confirma: o fenômeno Cury não é acaso — e agora aparece também no 2º turno
- Dark Horse: O Coaf pegou Flávio Bolsonaro mentindo — e a mentira tem data, valor e comprovante milionário
- Quaest: Lula esmaga Flávio no Ceará — e ainda assim isso não é suficiente para eleger Elmano
O Globo
opinativopolitico.com
Paulo Henrique Arantes (Substack)
Pleno.News
Pravda (em português)
Revista Oeste
Sem Pauta News
Sergipe News Oficial
The Intercept Brasil
UOL
Como esse resumo foi feito
Este texto é gerado a partir do banco de dados do projeto Eleições 2026, que monitora continuamente a cobertura da imprensa brasileira sobre os candidatos à Presidência. Na semana de 31 de agosto a 6 de setembro, o sistema coletou artigos de dezenas de veículos — portais de notícias, agências, blogs e imprensa regional — via Brave Search, feeds RSS, Google News e sitemaps de portais jornalísticos.
O processo tem quatro etapas automatizadas: (1) coleta e normalização dos artigos por coletores rodando cinco vezes por dia em servidor dedicado; (2) verificação anti-falso-positivo por DeepSeek V4 Flash, que remove menções fora de contexto eleitoral; (3) classificação de sentimento por candidato, extração de tópicos e classificação de gênero jornalístico também por DeepSeek V4 Flash, com Gemini 3.1 Flash Lite como alternativa quando o primeiro está indisponível; (4) geração do texto editorial por Claude Opus 5 com raciocínio estendido, tendo como contexto obrigatório os posts anteriores desta série.
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