Lula e Flávio pioram juntos pela primeira vez em várias janelas
Por unanimidade, em 12 de setembro, o Tribunal Superior Eleitoral indeferiu o registro de Pablo Marçal, e a disputa ficou com doze chapas. Foi o fecho de uma semana de despachos: onze registros haviam sido validados até quarta-feira, os últimos de Renan Santos, Clariana Barão e Wilson Grassi. O que mais mexeu na disputa entre 7 e 13 de setembro veio de despachos, inquéritos e extratos bancários. Os despachos tiveram um autor recorrente. André Mendonça, o ministro do Supremo mais citado nas manchetes da semana, com 217 matérias contra 193 de Moraes, afastou o chefe da Polícia Federal, incluiu Flávio Bolsonaro entre os investigados do caso Dark Horse e proibiu uma propaganda de Caiado.
Foram 5.881 artigos sobre os treze nomes acompanhados, 13% menos que na semana anterior. Lula e Flávio Bolsonaro voltaram a concentrar 64% de tudo, e pela primeira vez em várias janelas os dois pioraram juntos: a cobertura negativa sobre o presidente subiu de 12,1% para 18,3%, e a de Flávio, de 16,5% para 25,6%. O crescimento do senador em volume (14%) veio quase todo de cobertura desfavorável: as matérias negativas sobre ele passaram de cerca de 230 para 412.
No meio da tabela de ranking, o movimento foi de contração. Augusto Cury perdeu 46% do volume, Renan Santos 56%, Romeu Zema 21% e Wilson Grassi 67%. Cresceram apenas Flávio, Ronaldo Caiado (que passou parte da semana internado) e Marçal, este por um motivo que não é campanha. A semana também teve um debate a menos. O consórcio Momento da Decisão, de onze veículos, entre eles CNN Brasil, SBT, RedeTV!, Exame, Metrópoles e Terra, cancelou o debate presidencial marcado para 14 de setembro depois que Lula e Flávio Bolsonaro não confirmaram presença. Caiado classificou o cancelamento como golpe à democracia.
| Candidato | Artigos | Saldo |
|---|---|---|
| Lula | 2.128 | -3 pp |
| Flávio Bolsonaro | 1.609 | -12 pp |
| Augusto Cury | 480 | +33 pp |
| Ronaldo Caiado | 408 | +19 pp |
| Renan Santos | 305 | +31 pp |
| Romeu Zema | 259 | +12 pp |
| Pablo Marçal | 197 | -72 pp |
| Edmilson Costa | 111 | +1 pp |
| Samara Martins | 82 | +20 pp |
| Clariana Barão | 81 | +9 pp |
| Rui Costa Pimenta | 80 | +4 pp |
| Hertz Dias | 73 | +5 pp |
| Wilson Grassi | 68 | 0 pp |
Lula: a decisão de Mendonça sobre a PF entra na conta
Com 2.128 artigos, o presidente segue incomparável em atenção, e "flávio" aparece em 41% de suas manchetes. A novidade está na composição do tom. Polícia Federal (180 matérias, 30% delas negativas), crise institucional (179, também 30%) e polarização política (99, 34%) empurraram a fatia negativa para quase um em cada cinco textos. Na crise no STF (194) as matérias negativas e as positivas quase se anulam (23% e 21%), e o Banco Master (82) rendeu ao presidente cobertura majoritariamente positiva, 55%. A fatia positiva geral subiu pouco, de 13,5% para 14,9%. O nome por trás da Polícia Federal e da crise institucional é o de André Mendonça: em 8 de setembro o ministro afastou Andrei Rodrigues da chefia da PF, Lula chamou ministros para discutir a reação e, no dia seguinte, Fachin suspendeu a decisão. Mendonça aparece em 116 manchetes sobre o presidente na semana, mais do que Moraes (111), e em 62 das 180 matérias sobre a Polícia Federal; nessas 116, a cobertura é 31% negativa para Lula. O desgaste é opinativo antes de ser factual: -0,20 na opinião contra 0,01 na notícia.
A divisão de campo é nítida. À direita, O Antagonista reproduziu texto da Crusoé sobre por que Lula está tão mal e o Diário do Poder repercutiu o editorial do Estadão contra o presidente, "Lula é isso aí", publicado no domingo. À esquerda, o registro foi de mobilização: Marco Damiani, no Brasil 247, leu a rodada do Datafolha como sinal para acirrar a solidariedade ao presidente, e o Brasil de Fato tratou a cobertura da grande imprensa como obstáculo à justiça social.
Flávio Bolsonaro: o dinheiro de Vorcaro virou o eixo
"Dark horse" aparece 185 vezes nas manchetes sobre o candidato do PL, e "vorcaro" em 6% delas. O caso do financiamento do filme com recursos ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, organizou a cobertura da semana: lavagem de dinheiro (149 matérias), financiamento de filme (127), corrupção (108). O Estadão publicou editorial chamando-o de candidato sob suspeita, texto que a imprensa de esquerda amplificou como atestado de falência ética, e o Blog do Noblat, no Metrópoles, somou quatro crimes investigados no STF. Mendonça atravessa a semana do senador pelos dois lados. No 7 de Setembro, o ato na Paulista teve ataques a Moraes e defesa do ministro, e um culto em Brasília exibiu vídeo de Mendonça enquanto Flávio pedia a "espada da Justiça"; em 11 de setembro, o mesmo ministro o incluiu como investigado no caso Dark Horse, e Flávio disse que Mendonça "está certo" e pediu a abertura do sigilo. São 83 manchetes com o nome do ministro, 45% delas negativas para o candidato. Na opinião, o sentimento médio é -0,32.
Há uma assimetria que se repete há semanas e ficou mais aguda: a esquerda responde por 15,2% da cobertura sobre Flávio e a direita por 10,3%, inverso do que ocorre com Lula. O veículo que mais publicou sobre o senador foi o Diário do Centro do Mundo, com 92 matérias, à frente do g1. Quem mais fala dele é quem menos o apoia. O caso da filiação forjada ao partido Missão, que levou a PF a abrir inquérito em agosto, não rendeu matérias nesta janela.
Augusto Cury: metade do volume e a pergunta do segundo turno
A queda de 46% no volume veio com erosão do tom favorável, de 45% para 38,8% de cobertura positiva, ainda a melhor do painel. No 7 de Setembro, em Copacabana, ele mandou um "abraço especial" a Mendonça e pediu transparência no STF. A pauta agora é para onde ele vai: o escritor vetou apoio a Lula e cobrou explicações de Flávio, condicionando qualquer gesto ao esclarecimento do caso Dark Horse. As notas dissonantes vieram de vários lados: Renan Santos chamou a subida de Cury nas pesquisas de "ascensão da covardia", Silas Malafaia o chamou de "analfabeto político", a USP negou o vínculo atual de professor que ele declara, e o Brasil 247 apontou impulsionamento irregular de conteúdo nas redes. Em entrevistas, o sentimento médio chega a 0,38, o melhor registro por gênero entre os seis mais cobertos nesta janela.
Ronaldo Caiado: internado em São Paulo, e ainda assim no ataque
A internação aparece em 95 das 408 matérias sobre o ex-governador de Goiás, com "internado" em 22% das manchetes, "faringite aguda" em 32 e pneumonia em 13%. A cobertura foi morna: 74% das matérias sobre ele saíram em tom neutro. O que sobrou de político foi ataque aos dois primeiros, e rendeu bem: Caiado disse que Vorcaro distribuiu dinheiro para calar os dois lados e que Lula não tem autoridade moral para falar de soberania. Já internado, em 10 de setembro, seu programa eleitoral subiu o tom contra o STF, Lula e Flávio, explorando a ligação de Flávio com Vorcaro e a de Lula com Moraes. Do Supremo veio um revés: Mendonça proibiu a propaganda em que Caiado dizia que o PT "invadia terras".
Renan Santos e Zema: um tom que virou, outro que rachou
A candidatura do Missão perdeu 56% do volume, mas a inversão de tom é o dado: de 28,9% de cobertura negativa na semana passada, quando a campanha estava suspensa por decisão de Toffoli, para 2% agora, com 33,1% de matérias positivas. O ato no Ibirapuera em 7 de setembro, com pedido de prisão de ministros do STF, e a declaração de que o tribunal está "completamente insano" foram cobertos como discurso de campanha, não como problema judicial. Ele também chamou Flávio de "bandido" e "vassalo de Trump" e disse que Dino "passou por cima" de Mendonça e que o STF "virou um bordel".
Zema, com 259 artigos, saiu em defesa de Mendonça e colheu crítica dos dois lados do espectro. À direita, a Gazeta do Povo escreveu que sua candidatura derrete após a ausência em debate e, em outro texto, que Cury e Renan Santos isolam os ex-governadores. À esquerda, o Diário do Centro do Mundo registrou ato esvaziado na Paulista.
Pablo Marçal: o indeferimento é quase toda a cobertura
Inelegível até 2032 por decisão de 2024, Marçal obteve liminar para retornar ao PRTB e teve o registro protocolado em agosto, com julgamento pendente. Nesta semana o TSE decidiu: rejeição unânime do registro, com a defesa alegando injustiça e o partido com prazo até 14 de setembro para substituí-lo. "TSE" está em 67% das manchetes e "candidatura" em 64%, e a cobertura negativa chegou a 73,1%, contra 15,3% na janela anterior. Fora do processo, apenas uma nota: a denúncia ao Ministério Público Eleitoral por racismo religioso, após a frase "todo macumbeiro é derrotado".
Os seis do fim da tabela: agenda coletiva e pouco mais
Edmilson Costa, Samara Martins, Clariana Barão, Rui Costa Pimenta, Hertz Dias e Wilson Grassi somaram 495 artigos, quase todos em tom neutro e quase todos dentro de matérias-mosaico do tipo "veja a agenda dos presidenciáveis", formato sustentado pelo g1 e pela Agência Brasil. Quando aparecem em nome próprio, aparecem por proposta: Hertz Dias defendeu taxar bilionários para financiar o fim da escala 6x1, Samara Martins pediu auditoria da dívida pública e Clariana Barão, uma das duas mulheres titulares entre as treze chapas registradas no TSE, cobrou espaço para mulheres nos debates.
Zeitgeist: as agendas globais na semana
Democracia segue dominante com 991 artigos, mas caiu 11% em relação à janela anterior, e a queda diz algo sobre o formato da crise: em vez das mensagens entre Moraes e Vorcaro, o tema migrou para o confronto direto entre candidatos e o Supremo, como no registro do Imirante sobre Zema chamar o STF de gangue e Renan desafiar ministros, e para a guerra dentro do próprio tribunal, com Mendonça, Moraes, Dino e Fachin em rota de colisão. Lula puxa 557 desses artigos e Flávio 351.
Geopolítica ficou estável em 162 artigos, com 119 concentrados em Lula, e a Folha de S.Paulo organizou o tema num comparativo em que registra que a política externa assumiu protagonismo inédito nesta eleição. Inteligência Artificial caiu 60% e reapareceu como problema de integridade eleitoral, não como política pública: a Agência Lupa verificou um vídeo gerado por IA com pesquisa falsa favorável a Flávio Bolsonaro.
O contraste mais eloquente está nas agendas que sumiram. Clima caiu 71% (dez artigos, todos com Lula, puxados pela visita ao Rio Grande do Sul) e Bioeconomia 69%, com a criação de reservas no Amazonas rendendo nove menções. Energia ficou parada em 47 artigos, e o melhor texto do cluster foi justamente sobre a ausência: o Nexo mostrou que a fatia das térmicas fósseis deve saltar de 10% para 18% até 2040 sem que os planos de governo tratem do custo.
Panorama midiático e narrativas dominantes
A imprensa de centro responde por dois terços da cobertura de Lula e Flávio e por três quartos da de Cury, Renan e Zema, o que significa que o enquadramento hegemônico da semana foi processual: quem foi indeferido, quem está sendo investigado. A extrema-direita tem presença modesta no painel (3,3% em Lula, 2,6% em Flávio), e a crítica mais dura ao campo bolsonarista veio de fora da esquerda: do Estadão, que o painel classifica no centro, e da Gazeta do Povo, à direita. Veículos de esquerda operaram como amplificadores dessas peças, não como autores delas.
Duas narrativas dividiram a semana. A primeira é o dinheiro: Vorcaro, Banco Master e o financiamento do filme atravessam a cobertura de Flávio, Lula e Caiado ao mesmo tempo. É ela que explica a deterioração do tom de Flávio; a de Lula veio da crise na Polícia Federal e da crise institucional, e no tema Banco Master a cobertura sobre o presidente foi até majoritariamente positiva. A segunda é o Supremo, e nela o nome é Mendonça: a Folha resumiu o 7 de Setembro como o dia em que os candidatos atacaram o STF, mas abraçaram Mendonça, e o ministro terminou a semana com 217 manchetes, contra 193 de Moraes. O calendário judicial, com o julgamento dos registros e as doze chapas que ficaram, correu ao lado. O que ficou de fora é o que a cobertura brasileira costuma deixar de fora em setembro: energia, clima e bioeconomia somaram 67 artigos, pouco mais de 1% do volume da semana.
Observações finais
Foi a semana do julgamento dos registros, dos inquéritos e de um ministro do Supremo no centro de quase tudo. Marçal saiu por decisão unânime; Mendonça afastou o chefe da PF, teve a decisão suspensa por Fachin, pôs Flávio entre os investigados do Dark Horse e vetou uma propaganda de Caiado; e a crise na Polícia Federal virou desgaste para o governo: 30% das 180 matérias que a ligam a Lula têm tom negativo. Com Lula e Flávio piorando juntos e os candidatos do meio da tabela perdendo volume, a semana seguinte começa sem o debate que estava marcado para 14 de setembro, cancelado pela ausência dos dois primeiros.
Fontes consultadas
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A Crítica (Campo Grande)
Agência Brasil
Bahia Notícias
Brasil 247
- Augusto Cury violou legislação eleitoral ao impulsionar conteúdos de forma irregular nas redes - brasil247.com
- Estado de S. Paulo chama Flávio Bolsonaro de “mentiroso crônico” após novas revelações sobre Dark Horse
- Datafolha mostra que momento exato para acirrar solidariedade a Lula é agora - Marco Damiani - Brasil 247
Brasil em Folhas
CNN Brasil
Correio Braziliense
Diário do Centro do Mundo
Diário do Poder
Estadão
- Flávio Bolsonaro pede ‘espada da Justiça’ em Brasília em culto com exibição de vídeo de Mendonça - Estadão
- Flávio diz que Mendonça ‘está certo’ em investigação sobre Dark Horse e pede abertura de sigilo - Estadão
- Mendonça proíbe propaganda de Caiado afirmando que o PT ‘invadia terras’ - Estadão
- Augusto Cury recebe apoio de Paulinho da Força, presidente do Solidariedade - Estadão
- Flávio é um candidato sob suspeita - estadao.com.br
- Relatora no TSE vota para negar candidatura de Pablo Marçal à Presidência - Estadão
Folha de Pernambuco
Folha de S.Paulo
Gazeta do Povo
HiperNotícias
Imirante
Jornal de Brasília
Metrópoles
- Em ato de 7 de Setembro, Augusto Cury manda "abraço especial" a Mendonça - Metrópoles
- Zema sai em defesa de Mendonça e diz não ver excesso em atuação do ministro
- Presidenciável na mira da PF: Flávio é investigado no STF por 4 crimes
- Renan Santos diz que números de Augusto Cury são "ascensão da covardia" - Metrópoles
- "Chega de intocáveis", diz Zema após afastamento de Andrei Rodrigues da PF
- Candidata à Presidência quer auditoria da dívida pública e calote em juros
O Antagonista
O Cafezinho
Poder360
Revista Fórum
Revista Sociedade Militar
SBT News
Sergipe News Oficial
Terra Brasil Notícias
Tribuna do Sertão
UOL
Valor Econômico
blogdohiellevy.com.br
br.bossanews.com
canalmeio.com.br
catarinas.info
cmjornal.pt
contrafatos.com.br
g1
- Fachin suspende decisão de Mendonça que afastou Andrei Rodrigues da PF e decisão de Dino que reintegrou diretor
- Mendonça, Moraes, Dino e Fachin: o STF em rota de colisão - O Assunto #1801
- Clariana Barão, candidata da Democracia Cristã à Presidência, faz campanha em São Paulo - G1
- Edmilson Costa, candidato à Presidência pelo PCB, faz campanha em São Paulo - g1.globo.com
- Hertz Dias, candidato à Presidência pelo PSTU, faz campanha em Pernambuco - G1
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