A EFF abandona o X depois de ver seu alcance desabar de 100 milhões de impressões mensais para 13 milhões em um ano inteiro – e segue para onde as comunidades vulneráveis já estão. Jornalistas independentes descobrem que missão não paga conta: só 5 em cada 43 sobrevivem com renda de conteúdo, e a maioria ainda depende de freelance, economia e apoio de parceiros. Krugman documenta o colapso da credibilidade americana no pós-Irã: aliados já falam abertamente em equiparar Trump e Putin, enquanto a Ucrânia vira exportadora de tecnologia militar. E na matemática, a IA atravessou a fronteira da pesquisa: em 2026, modelos resolvem metade de problemas de doutorado em dias – o que levaria meses.
Redes sociais
EFF abandona o X
(eff.org, 2026-04-09)
A Electronic Frontier Foundation deixa o X (antigo Twitter) após duas décadas, citando colapso dramático de alcance. Em 2018, seus posts recebiam entre 50 e 100 milhões de impressões mensais; em 2025, apenas 13 milhões em todo o ano. A decisão reflete desapontamento com a administração Elon Musk, que demitiu a equipe de direitos humanos, sucateando promessas de moderação transparente e controle do usuário.
A organização mantém presença no Facebook, Instagram, TikTok, YouTube, Bluesky e Mastodon porque as comunidades que mais precisam de proteção de direitos digitais – jovens, pessoas racializadas, ativistas, minorias LGBTQ+, pequenos negócios – dependem dessas plataformas para organização política e sobrevivência econômica. Abandoná-las seria deixar desprotegidos justamente quem mais sofre com vigilância corporativa. O argumento é pragmático: estar onde o povo está.
Jornalismo
Jornalistas independentes enfrentam severas dificuldades financeiras, aponta relatório
(niemanlab.org)
Um estudo do Center for News, Technology & Innovation (CNTI) com 43 jornalistas independentes nos EUA revela a ausência de um modelo de negócio sustentável claro para o jornalismo de criadores. Apenas 5 dos 43 entrevistados conseguem se manter totalmente com renda de conteúdo; mais de 50% não conseguem financiar seu estilo de vida com publicações. A maioria depende de múltiplas fontes de renda – trabalho freelancer, consultoria, poupança e apoio de parceiros – e menos de um terço possui estratégia empresarial formalizada.
Os criadores enfrentam desafios operacionais e psicológicos: falta de experiência em negócios, síndrome do impostor ao pedir apoio financeiro, e conflito moral entre acreditar que informação é um bem público e a necessidade de monetizá-la. Muitos trabalham sozinhos, mantêm presença em múltiplas plataformas simultâneas (descrito como exaustivo mas necessário) e encontram receita em assinaturas, membros, doações e publicidade. Um entrevistado destacou que escrever para públicos abastados é a única forma viável de manter um negócio de mídia neste momento.
Política
Perdendo o Respeito do Mundo
(paulkrugman.substack.com, 2026-04-11)
Paul Krugman analisa uma mudança geopolítica significativa: após a guerra malsucedida com o Irã, líderes mundiais deixam cair a máscara de respeito ao governo Trump. Zelensky tuitou abertamente que “a Rússia enganou os americanos de novo”, enquanto o Primeiro-Ministro britânico Keir Starmer equiparou Trump e Putin como problemas equivalentes. O economista argumenta que o mundo descobriu que a potência militar americana não é o que parecia, e sua confiabilidade é praticamente zero – os EUA não cumprem promessas e mostram-se temperamentais e fracos.
Paradoxalmente, enquanto os EUA perdem influência, a Ucrânia ganha relevância estratégica. Com a ajuda americana efetivamente cortada, o país adapta-se melhor à guerra moderna, domina a guerra de drones e agora comercializa tecnologia militar com nações do Oriente Médio. Esse êxito permite a Zelensky criticar abertamente Washington. Krugman conclui que essa erosão lenta da confiança internacional é um ativo geopolítico perdido que prejudicará os presidentes futuros.
Inteligência artificial
A Revolução da IA na Matemática Chegou
(quantamagazine.org, 2026-04-13)
Em julho de 2025, modelos de inteligência artificial resolveram cinco de seis problemas da Olimpíada Internacional de Matemática, marcando um ponto de inflexão que surpreendeu a comunidade matemática. O feito inicial com problemas de olimpíada logo se expandiu para pesquisa genuína, com matemáticos descobrindo que a IA poderia ajudar a provar novos resultados em dias, em vez de semanas ou meses. Terence Tao, renomado matemático da UCLA, descreveu a colaboração como complementar: “Este tem uma pá. Este tem uma picareta. Juntos podemos cavar um túnel.”
Até o início de 2026, o desempenho evoluiu dramaticamente. Um desafio chamado First Proof mostrou que modelos de IA resolveram mais da metade de dez problemas de pesquisa de nível avançado, levando especialistas a comparar o momento com a conclusão de um programa de pós-graduação em matemática. Apesar do otimismo de pesquisadores como Tao, há cautelas: matemáticos como Akshay Venkatesh alertam para o risco de perda de compreensão matemática direta e argumentam pela preservação de valores culturais da disciplina. A tendência já impacta o mercado, com pesquisadores migrando para empresas de tecnologia e startups focadas em IA para matemática.
Curadoria feita pelo autor do blog, resumos feitos por Inteligência Artificial.