Eleições 2026 · 18 respostas sobre a imprensa

As seis chapas presidenciais mais cobertas não têm uma mulher

O TSE registra oito mulheres nas 26 vagas das treze chapas presidenciais, e nenhuma nas seis chapas que a imprensa mais cobre desde agosto. Quem as pôs ali foram os partidos; o que a cobertura faz com elas é outra história.

Leonardo Fontes de Sales 18 min
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mulheres nas 26 vagas das chapas presidenciais.Nenhuma nas seis chapas mais cobertas. As duas candidatas a presidente somam 3% da cobertura desde agosto.
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Painel Eleições 2026 · SapiensLabs26 vagas · registro do TSE em 17 set

Ontem, a peça 3 fez o retrato dos 26 nomes das chapas e parou na porta de uma pergunta; hoje entramos: onde estão as mulheres, e quem decidiu que ficariam ali.

Até a noite de terça-feira, 15 de setembro, eram sete. O registro de candidatura no TSE trazia sete mulheres nas 26 vagas das treze chapas presidenciais, e foi com esse número que esta peça entrou no calendário da série. Na manhã seguinte, o painel leu o arquivo do tribunal e a conta mudou: o registro de Pablo Marçal, indeferido, saiu da lista; no lugar dele entrou a chapa nova do PRTB, com Leonardo Avalanche, que era o vice, como titular, e Silvia Hellen da Silva Pereira, Silvia na urna, como vice. A chapa que caiu tinha dois homens. A que entrou tem uma mulher. São oito.

Vale dizer como a oitava chegou, porque diz muito sobre as outras sete. Ela não entrou por decisão de campanha, nem por pressão de ninguém: entrou porque a Justiça Eleitoral derrubou um registro e o partido refez a chapa às pressas. E entrou numa chapa que o TSE ainda não julgou, pendente até o fechamento deste texto. É a mulher mais recente das 26 vagas, e a que menos tempo teve para ser notada. Voltamos a ela adiante.

Antes, a régua. Esta peça, como a de ontem, começa fora da cobertura: o dado de partida é o registro de candidatura no TSE, lido do banco do painel em 17 de setembro, e o campo é o gênero que o tribunal registra para cada nome. Não passa por classificador. Depois a peça volta à imprensa, com duas medidas distintas que o texto não mistura: para os treze candidatos a presidente, os pares artigo × candidato do painel, os 13 de sempre; para os treze vices, que o painel não acompanha como candidatos, a passada que lê o corpo das matérias e anota as pessoas citadas, e que existe desde 10 de agosto. Toda conta de vice, aqui, é dessa janela.

Onde elas estão

Oito mulheres em 26 vagas são 30,8%. Duas são candidatas a presidente, Clariana Zacarkim Barão, do DC, e Samara Martins da Silva Feitosa, Samara na urna, da UP; seis são candidatas a vice: Fabiana Torquato (DC), Raquel Brício (UP), Cleusa Santos (PCB), Vanessa Portugal (PSTU), Suêd Haidar (Democrata) e Silvia (PRTB). Duas chapas são inteiramente femininas, as do DC e da UP. Sete chapas não têm mulher nenhuma: PT, PL, Missão, Avante, PSD, Novo e PCO.

Agora a cobertura. Desde 10 de agosto, quando os treze passaram a ter a mesma rede de coleta, a ordem das chapas por volume de matérias é esta: Lula, Flávio Bolsonaro, Renan Santos, Augusto Cury, Ronaldo Caiado, Zema; depois Edmilson Costa, Rui Costa Pimenta, Wilson Grassi, Hertz Dias, Clariana Barão, Samara e Leonardo Avalanche. Trace uma linha entre o sexto e o sétimo nome. Acima dela, nenhuma mulher. Abaixo, todas as oito.

As seis chapas mais cobertas não têm uma mulher

As treze chapas presidenciais pela cobertura desde 10 de agosto. Abaixo do traço estão as oito mulheres, escritas ao lado da barra da chapa de cada uma — e também Rui Costa Pimenta (PCO), a única chapa sem mulher que não está no topo.

As seis chapas mais cobertas não têm uma mulherLula (PT): 12.701 pares; Flávio Bolsonaro (PL): 8.488 pares; Renan Santos (Missão): 2.644 pares; Augusto Cury (Avante): 2.552 pares; Ronaldo Caiado (PSD): 2.443 pares; Zema (Novo): 1.865 pares; Edmilson Costa (PCB): 742 pares — Cleusa Santos, vice; Rui Costa Pimenta (PCO): 721 pares; Wilson Grassi (Democrata): 596 pares — Suêd Haidar, vice; Hertz Dias (PSTU): 590 pares — Vanessa Portugal, vice; Clariana Barão (DC): 569 pares — Fabiana Torquato, vice, Clariana Barão, titular; Samara (UP): 513 pares — Raquel Brício, vice, Samara, titular; Leonardo Avalanche (PRTB): 195 pares — Silvia, vice. As 6 chapas mais cobertas não têm mulher; abaixo delas, a única sem mulher é a de Rui Costa Pimenta (PCO).pares artigo × candidato desde 10 de agostomulheres na chapaLula (PT)12.701—Flávio Bolsonaro (PL)8.488—Renan Santos (Missão)2.644—Augusto Cury (Avante)2.552—Ronaldo Caiado (PSD)2.443—Zema (Novo)1.865—acima do traço, nenhuma mulherabaixo dele, todas as oitoEdmilson Costa (PCB)742Cleusa Santos, viceRui Costa Pimenta (PCO)721—Wilson Grassi (Democrata)596Suêd Haidar, viceHertz Dias (PSTU)590Vanessa Portugal, viceClariana Barão (DC)569Fabiana Torquato, vice · Clariana Barão, titularSamara (UP)513Raquel Brício, vice · Samara, titularLeonardo Avalanche (PRTB)195Silvia, vice

chapa com mulherchapa só de homens

Fonte: painel Eleições 2026, pares artigo × candidato desde 10 de agosto de 2026 (a janela em que os treze têm a mesma rede de coleta), lidos em 17/09/2026; gênero pelo registro de candidatura no TSE (consulta_cand_2026). A chapa do PRTB tem registro pendente de julgamento. Método.

A linha não depende da janela: no período inteiro do painel, desde março, a ordem dentro de cada bloco muda (Caiado e Zema sobem, Renan e Cury descem), mas ela fica exatamente onde está, depois da sexta chapa, nas duas contas. O que não se pode dizer é o inverso. As chapas com mulher não são as seis menos cobertas: logo abaixo do traço, na oitava posição, está a do PCO, que só tem homens. A afirmação vale de cima para baixo, não de baixo para cima. Juntas, as duas candidatas a presidente somam 3,1% de tudo o que a imprensa publicou sobre os treze desde agosto.

É preciso ler esse número com cuidado, porque ele convida a uma acusação que os dados não sustentam. A imprensa não escolheu deixar as mulheres fora do topo. A peça 1 mostrou que o volume de cobertura segue o tamanho da candidatura, e o tamanho da candidatura é decisão de partido: as treze chapas foram montadas em convenções entre julho e agosto, e as oito mulheres foram postas, uma a uma, nas chapas que já nasciam pequenas. A imprensa cobre o que os partidos montaram. O que sobra para ela, e é bastante, vem mais abaixo.

Quem decidiu

Não há cota. A regra dos 30% por sexo está no artigo 10 da Lei 9.504, e o artigo 10 trata das candidaturas à Câmara dos Deputados, às assembleias e às câmaras municipais, as eleições proporcionais. Chapa presidencial é eleição majoritária: cada partido registra quem quiser, homem ou mulher, sem mínimo a cumprir. Os 30,8% deste ano não atendem a nada; são a soma de treze decisões independentes. Fomos conferir na lei, não de memória, porque a coincidência com o número da cota é só isso, coincidência.

Para saber o que cada partido decidiu, lemos os arquivos do TSE de 2018 e de 2022, com a mesma régua: presidente e vice, primeiro turno, candidaturas aptas. Em 2018 eram sete mulheres em 26 vagas, 26,9%, duas delas titulares, Marina Silva e Vera Lúcia Pereira da Silva Salgado, Vera na urna. Em 2022, oito em 22, 36,4%, e quatro titulares: Simone Tebet, Sofia Manzano, Soraya Thronicke e Vera de novo. Em 2026, oito em 26, 30,8%, e duas titulares. Em fatia, este ano fica entre os dois anteriores. No topo da chapa, é o retrocesso: as candidatas a presidente caíram de quatro para duas, e as duas estão na 11ª e na 12ª posição da cobertura. Em 2022 havia uma chapa inteiramente feminina numa candidatura de porte, Tebet e Mara Gabrilli; em 2026 as duas chapas femininas são as do DC e da UP.

Uma ressalva de comparação, que devemos ao leitor: 2018 e 2022 são retratos finais, com tudo julgado; 2026 é o retrato de hoje, e inclui uma chapa que o tribunal ainda vai julgar.

O que os partidos fizeram, de uma eleição para a outra, é onde a pergunta do título encontra resposta. A UP subiu a mulher: Samara era vice de Léo Péricles em 2022 e é titular em 2026, com outra mulher na vice. O PSTU fez o caminho inverso: Vera foi a candidata a presidente em 2018 e em 2022; em 2026 o titular é Hertz Dias, que era o vice dela em 2018, e a mulher, Vanessa Portugal, ficou na vice. O PCB fez o mesmo movimento do PSTU: Sofia Manzano titular em 2022, Cleusa Santos vice em 2026. O DC trocou duas chapas de dois homens, as de Eymael em 2018 e 2022, por uma chapa de duas mulheres. Entre os partidos das maiores candidaturas, o Novo não registrou uma mulher em nenhuma das três eleições. O PL só teve chapa própria em 2022 e 2026, e nas duas registrou dois homens; em 2018 Jair Bolsonaro concorreu pelo PSL. O PT teve Manuela d'Ávila na vice em 2018 e, desde 2022, tem Geraldo Alckmin.

Há um detalhe de arquivo que merece registro. Em 2018, o TSE guarda a chapa do PT em duas versões: Lula titular e Fernando Haddad vice, os dois inaptos, e depois Haddad titular e Manuela vice, a que foi à urna. Manuela entrou pela mesma porta que Silvia entrou agora, a de uma substituição forçada. Em duas das três últimas eleições, uma das mulheres da disputa presidencial chegou porque um homem saiu.

O que a imprensa faz com os vices

Aqui a peça sai do registro e volta à cobertura, com uma pergunta que precisa de controle: a imprensa cita menos as vices por serem mulheres? A resposta é não, e o modo de saber é olhar os vices homens das chapas pequenas.

Quem é vice e não é notícia: o que decide é o tamanho da chapa, não o sexo

Os treze vices por menção no corpo das matérias. Os seis mais citados são homens das chapas mais cobertas; o vice da chapa do PCO é homem, e atrás de quatro vices mulheres, empatado com a outra.

Quem é vice e não é notícia: o que decide é o tamanho da chapa, não o sexoAlfredo Gaspar (homem, vice de Flávio Bolsonaro (PL)): 531 menções, 35 no título; Geraldo Alckmin (homem, vice de Lula (PT)): 302 menções, 25 no título; Gilberto Kassab (homem, vice de Ronaldo Caiado (PSD)): 271 menções, 102 no título; Coronel Medina (homem, vice de Renan Santos (Missão)): 255 menções, 4 no título; Eduardo Girão (homem, vice de Zema (Novo)): 155 menções, 8 no título; Júlio Delgado (homem, vice de Augusto Cury (Avante)): 148 menções, 4 no título; Raquel Brício (mulher, vice de Samara (UP)): 127 menções, 1 no título; Cleusa Santos (mulher, vice de Edmilson Costa (PCB)): 108 menções, 7 no título; Fabiana Torquato (mulher, vice de Clariana Barão (DC)): 107 menções, 4 no título; Vanessa Portugal (mulher, vice de Hertz Dias (PSTU)): 104 menções, 6 no título; Suêd Haidar (mulher, vice de Wilson Grassi (Democrata)): 80 menções, 5 no título; Antônio Carlos Silva (homem, vice de Rui Costa Pimenta (PCO)): 80 menções, 3 no título; Silvia (mulher, vice de Leonardo Avalanche (PRTB)): 74 menções, 0 no título.menções no corpo das matérias, 10 de agosto a 17 de setembrono títuloAlfredo Gasparvice de Flávio Bolsonaro (PL)53135Geraldo Alckminvice de Lula (PT)30225Gilberto Kassabvice de Ronaldo Caiado (PSD)271102o mais manchetado: fala, não é apresentadoCoronel Medinavice de Renan Santos (Missão)2554Eduardo Girãovice de Zema (Novo)1558Júlio Delgadovice de Augusto Cury (Avante)1484Raquel Bríciovice de Samara (UP)1271Cleusa Santosvice de Edmilson Costa (PCB)1087Fabiana Torquatovice de Clariana Barão (DC)1074Vanessa Portugalvice de Hertz Dias (PSTU)1046Suêd Haidarvice de Wilson Grassi (Democrata)805Antônio Carlos Silvavice de Rui Costa Pimenta (PCO)803homem, e atrás de quatro vices mulheres, empatado com a outraSilviavice de Leonardo Avalanche (PRTB)740na chapa desde 15/09: três dias, não um mês

vice mulhervice homem

Fonte: painel Eleições 2026, passada de entidades (pessoas citadas no corpo das matérias), 10 de agosto a 17 de setembro de 2026, papel "candidato"; "no título" é a mesma menção com o nome na manchete. Gênero pelo registro no TSE. Silvia está na chapa desde 15/09: três dias de janela, não um mês. Método.

Entre 10 de agosto e 17 de setembro, os seis vices mais citados no corpo das matérias são homens, e são os vices das seis chapas mais cobertas: Alfredo Gaspar, 531 matérias; Geraldo Alckmin, 302; Gilberto Kassab, 271; Coronel Medina, 255; Eduardo Girão, 155; Júlio Delgado, 148. Depois vêm cinco mulheres, entre 127 e 80: Raquel Brício, Cleusa Santos, Fabiana Torquato, Vanessa Portugal, Suêd Haidar. E então Antônio Carlos Silva, vice de Rui Costa Pimenta, do PCO: homem, 80 matérias, atrás de quatro delas e empatado com a quinta. O eixo que ordena a lista não é o sexo de quem ocupa a vaga. É o tamanho da chapa, e o capital político que a pessoa traz consigo: Kassab preside o PSD, Alckmin é vice-presidente da República, Gaspar é deputado, Girão é senador. As cinco vices mulheres estão onde estão porque as chapas delas estão onde estão.

Há uma diferença que o número não mostra e que fica registrada como exemplo, não como medida. Kassab é o vice mais manchetado dos treze, com o nome no título de 102 matérias, e as manchetes são frases dele sobre a eleição: "Centrão apoia Lula e Flávio Bolsonaro não tem a menor chance", diz Kassab. Cleusa Santos tem sete manchetes, e elas a apresentam: "Conheça Cleusa Santos, candidata a vice-Presidência pelo PCB". Um fala; a outra é apresentada. Quem tem a palavra e quem é só assunto é a pergunta da peça 6, e lá isso vira número para os treze.

E Silvia. Ela tem 74 matérias no corpo, o que a colocaria perto de Suêd Haidar, mas as duas contas não se comparam: Suêd tem um mês de janela; Silvia, três dias. Das 74, 56 são de 15 de setembro, o dia em que a imprensa noticiou a chapa nova; 14 são do dia seguinte; quatro, do outro. Por dia, é a vice mais citada de todas, e o assunto das matérias não era ela: era a queda do registro de Marçal. É uma rajada de três dias, e o gráfico a desenha tracejada por isso. Nenhuma das 74 matérias tem o nome dela no título.

Mulher, na cobertura dos homens

Falta a parte que é da imprensa, e ela não está em quem a imprensa cita: está no que a imprensa chama de assunto. O painel rotula cada par artigo × candidato com os tópicos da matéria, e há um conjunto deles em que a mulher é o tema: eleitorado feminino, voto feminino, representatividade feminina, direitos das mulheres, violência contra a mulher, candidaturas femininas, chapa feminina. Separamos esses rótulos em dois grupos: os que tratam da mulher como quem vota e os que tratam da mulher como quem disputa.

Na cobertura dos homens, mulher é quem vota; na das candidatas, é o assunto

Pares artigo × candidato em que o tópico é a mulher como eleitorado ou como candidata, para os quatro homens mais cobertos e as duas candidatas.

Na cobertura dos homens, mulher é quem vota; na das candidatas, é o assuntoFlávio Bolsonaro: 417 pares com mulher como eleitorado, 70 com mulher como candidata; Lula: 180 pares com mulher como eleitorado, 80 com mulher como candidata; Ronaldo Caiado: 23 pares com mulher como eleitorado, 18 com mulher como candidata; Zema: 19 pares com mulher como eleitorado, 14 com mulher como candidata; Samara: 6 pares com mulher como eleitorado, 82 com mulher como candidata; Clariana Barão: 5 pares com mulher como eleitorado, 67 com mulher como candidata.pares artigo × candidato com o tema, período inteiro do painelFlávio Bolsonaro41770Lula18080Ronaldo Caiado2318Zema1914Samara682Clariana Barão567

mulher como eleitoradomulher como candidata

Fonte: painel Eleições 2026, rótulos de tópico dos pares artigo × candidato, período inteiro (25/03 a 17/09/2026). Eleitorado = "eleitorado feminino", "voto feminino", "mobilização feminina"; candidata = "representatividade feminina", "candidaturas femininas", "chapa feminina", "participação feminina na política", "gênero na política", "cota de gênero". Método.

Nos dois homens mais cobertos do país, a mulher aparece como eleitorado: Flávio Bolsonaro tem 417 pares em que o tema é a mulher que vota e 70 em que é a mulher que disputa; Lula, 180 e 80. Nas duas candidatas, inverte: Samara tem 82 pares em que o tema é a candidatura feminina e seis em que é o eleitorado; Clariana Barão, 67 e cinco. E o peso disso na cobertura de cada um é de outra ordem. Entre os onze homens, os tópicos de gênero ocupam de 1,1% a 2,2% do que sai sobre eles. Na cobertura de Samara, ocupam 14,2%; na de Clariana, 18,0%. Quando o candidato é homem, a mulher é quem vota nele. Quando a candidata é mulher, ela própria é o tema.

Uma última leitura, que cruza com o retrato de ontem. Das oito mulheres, quatro se declaram brancas ao TSE, metade; dos dezoito homens, catorze, 78%. Samara e Suêd Haidar se declaram pretas; Fabiana Torquato e Raquel Brício, pardas. Metade da diversidade racial declarada das treze chapas está em oito nomes que ocupam menos de um terço das vagas e ficam, todos, na metade de baixo da cobertura.

O que isto não diz

Registro não é representação: o gênero que o TSE anota é o que a pessoa declarou, e é só isso que contamos. Cobertura não é voto: o painel mede o que a imprensa publica, e nada aqui diz quem vence. E a chapa do PRTB, com a oitava mulher, segue pendente de julgamento; se cair, a conta volta a sete, e o painel anota a mudança como anotou esta.

Onde estão as mulheres de 2026: fora das seis chapas que a imprensa mais cobre, todas as oito. Quem decidiu: os partidos, em convenção, com a UP subindo uma mulher, o PSTU e o PCB descendo, o DC estreando duas, o Novo sem registrar nenhuma em três eleições, o PL em duas, e o PT trocando Manuela por Alckmin. O que a imprensa faz com elas: cita as vices na proporção das chapas, homem ou mulher; e, quando o tema é a mulher, trata dela como eleitorado dos homens e como assunto das candidatas.

Amanhã

Amanhã, a peça 5 fica na cobertura e pergunta quem a imprensa só cita em lista: os candidatos que quase não aparecem fora das matérias que enfileiram cinco ou mais nomes.

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Como este texto foi feito

Esta é a quarta resposta de 18 respostas sobre a imprensa, uma série diária do painel Eleições 2026. O ponto de partida é o registro de candidatura no TSE, de 2018, 2022 e 2026; os números de cobertura vêm do banco do painel, e todos foram conferidos antes da escrita. O texto é escrito por Claude Fable 5.1 (Anthropic) em sessão, com apuração, critérios e revisão humanos, e publicado por Leonardo Fontes de Sales. Como cada peça nasce, o que os números medem e não medem e o glossário dos termos da casa estão em Como a série é feita. Licença CC BY 4.0.

Nota de correção — 19 de setembro de 2026. A versão publicada em 18 de setembro dizia que as sete chapas mais cobertas não tinham uma mulher. São seis. A apuração original contou como cobertura de imprensa as matérias do Causa Operária, jornal do PCO: o painel mantém veículos assim na coleta, mas a régua da casa, em vigor desde 2 de setembro, não os conta como imprensa. Sem eles, a chapa do PCO desce uma posição, a do PCB — que tem Cleusa Santos como vice — sobe, e a fila de chapas sem mulher no topo passa de sete para seis. Caiu junto a frase que dizia que as chapas com mulher eram as seis menos cobertas: a do PCO, só de homens, fica entre elas. Todos os números de cobertura foram reapurados com a régua certa, na mesma janela de 10 de agosto a 17 de setembro; eles mudam um pouco também porque a última coleta do dia 17 entrou depois da apuração original. O registro do TSE não mudou: continuam sete as chapas sem mulher nenhuma, e oito as mulheres nas 26 vagas. O título, o gráfico principal e a capa foram refeitos.