Lula publica artigo no The Guardian denunciando a paralisia do Conselho de Segurança da ONU e seus efeitos devastadores. Simultaneamente, críticos apontam como a mídia americana transformou-se em porta-voz de executivos tecnológicos sem verificação. E enquanto isso, pesquisadores questionam se modelos de linguagem são realmente computadores ou apenas simulações sofisticadas de inteligência.
Leitura obrigatória
⭐ Jornalismo de “O CEO disse algo!”
(karlbode.com, 2026-03-30)
Karl Bode critica o jornalismo corporativo americano que funciona como apêndice dos interesses empresariais, especialmente através do que ele chama de “CEO said a thing!” journalism — a prática de repetir afirmações de executivos sem contexto, verificação ou desafio, independentemente de quão falsas sejam. O autor demonstra como essa prática afeta cobertura de figuras como Elon Musk, Sam Altman e Mark Zuckerberg, citando exemplos de promessas não cumpridas que nunca foram questionadas pela mídia.
Bode argumenta que a mídia de negócios americana perdeu interesse em transmitir a realidade factual aos leitores, criando uma “realidade alternativa” que codifica a acumulação de riqueza ilimitada com mitologias elaboradas. Para ele, esse tipo de conteúdo é produzido menos para ser lido pelo público e mais como “ficção de fãs” para MBAs, anunciantes e fontes, permitindo que ignorem questões éticas. O resultado é um simulacro jornalístico que normaliza corrupção generalizada e perpetua danos ao interesse público.
Política
O Conselho de Segurança permitiu poder e brutalidade sem controle. Para proteger a paz, é preciso reformar a ONU
(theguardian.com, 2026-03-30)
Em artigo publicado no The Guardian, o presidente Lula argumenta que a inação conivente do Conselho de Segurança da ONU tem permitido violações crescentes do direito internacional, desde o Afeganistão até Gaza e Ucrânia. Segundo ele, o uso irresponsável do veto pelos membros permanentes transformou a organização em mera espectadora de conflitos que afetam bilhões de pessoas, enquanto a falta de regras globais alimenta ciclos de ódio, extremismo e insegurança coletiva.
O presidente destaca ainda consequências econômicas graves dos conflitos armados — atualmente no maior número desde a Segunda Guerra Mundial — incluindo gasto militar de US$ 2,7 trilhões que poderiam financiar políticas de educação, clima e redução da pobreza. Lula também aponta riscos éticos de tecnologias militares como inteligência artificial em seleção de alvos e o uso de sanções econômicas unilaterais que causam centenas de milhares de mortes anuais, defendendo uma reforma urgente da ONU para restaurar o multilateralismo baseado na igualdade soberana das nações.
Cibersegurança
Os hackers iranianos estão na ofensiva contra os EUA e Israel
(arstechnica.com, 2026-03-31)
Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, o Irã intensificou suas operações cibernéticas contra os EUA e Israel, combinando espionagem sofisticada com guerra psicológica em massa. O grupo Handala, ligado à inteligência iraniana, reivindicou ter apagado dados de 200 mil dispositivos da empresa médica americana Stryker — descrito como o ataque cibernético de guerra mais consequente já visto contra os EUA — e invadido e-mails pessoais do diretor do FBI Kash Patel.
Analistas alertam que, apesar do barulho visível, os grupos mais perigosos do Irã estão operando em silêncio: mapeando vulnerabilidades, posicionando-se em redes estratégicas e potencialmente acumulando acesso de longo prazo sem “queimar” suas posições. A situação é agravada pelo fato de a agência americana CISA, responsável pela proteção de infraestrutura crítica, estar operando com apenas um terço do seu quadro normal desde janeiro de 2025.
Biologia
Por dentro da startup secreta que propôs clones humanos sem cérebro
(technologyreview.com)
A startup R3 Bio, baseada na Califórnia, revelou estar desenvolvendo “sacos de órgãos” de primatas não sencientes para substituir testes em animais. No entanto, investigações do MIT Technology Review descobriram que o fundador John Schloendorn também apresentou uma proposta muito mais ambiciosa e controversa: criar clones humanos brainless (sem cérebro funcional) para servir como reserva de órgãos e potencialmente como corpos de reposição através de transplante cerebral. A empresa nega categoricamente essas intenções, mas documentos internos e apresentações em eventos de extensão de vida revelam um “roteiro técnico” para clonagem de “reposição de corpo”.
A proposta, que soa mais próxima da ficção científica distópica, levantou questões éticas profundas entre a comunidade científica. Pesquisadores como Jose Cibelli, da Universidade Estadual de Michigan, questionam como demonstrar segurança em tal procedimento e alertam que essa linha ultrapassa limites fundamentais da ética médica. A iniciativa permaneceu em segredo durante anos dentro de círculos de proponentes extremistas da longevidade, que temem que a divulgação pública prejudique o financiamento e a viabilidade de seus projetos de imortalidade.
Inteligência artificial
Modelos de Linguagem de Grande Escala Podem Ser Computadores?
(percepta.ai, 2026-03-11)
O artigo explora se grandes modelos de linguagem (LLMs) possuem capacidades computacionais equivalentes às de computadores tradicionais. A discussão examina as limitações arquiteturais dos LLMs, sua dependência de padrões aprendidos durante o treinamento e a questão fundamental sobre se eles conseguem realizar operações lógicas complexas ou se apenas simulam competência através de interpolação de dados.
A análise questiona a distinção entre computação verdadeira e processamento estatístico, investigando se LLMs poderiam ser reprogramados ou adaptados para funções computacionais específicas. O texto sugere que, embora esses modelos sejam poderosos em processamento de linguagem, eles operam sob princípios fundamentalmente diferentes dos computadores clássicos, revelando lacunas importantes na nossa compreensão sobre o que constitui verdadeira computação.
Curadoria feita pelo autor do blog, resumos feitos por Inteligência Artificial.