COP30 Belém termina sem acordo sobre combustíveis fósseis

A COP30 em Belém buscou consenso global, mas falhou ao deixar de lado a eliminação dos combustíveis fósseis em seu acordo final, gerando críticas.

COP30 Leonardo Fontes de Sales 4 min

A COP30 em Belém encerrou-se sob a bandeira do “mutirão global”, uma tentativa diplomática brasileira de costurar consensos em uma cúpula marcada, como tem acontecido nas COPs, pela divisão histórica entre quem detém o capital e quem sofre as consequências da crise. Se por um lado houve avanços institucionais na criação de mecanismos para uma transição justa e financiamento para adaptação, por outro, o texto final falhou em atacar a raiz do problema, os combustíveis fósseis.

Em um desfecho que, para alguns, ignorou os apelos da ciência, o roteiro para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis foi descartado do acordo vinculante. A objeção da delegação colombiana, lembrando que “a COP da verdade não pode apoiar um resultado que ignore a ciência”, expôs a fragilidade do consenso construído.


Backsliding in Belém (The Nation, 24/11/2025) – “A questão do dinheiro — quem o tem e quem precisa dele — tem sido o principal obstáculo em praticamente todas as cúpulas climáticas da ONU desde que tais negociações começaram aqui no Brasil, com a Cúpula da Terra de 1992, e assim permaneceu na COP30. As divisões entre quem tem e quem não tem estavam tão acentuadas como sempre, assim como o poder dos interesses dos combustíveis fósseis. O resultado foi um acordo que não se alinha remotamente com a ciência e deixa milhões de pessoas em comunidades da linha de frente ‘expostas aos piores impactos e com poucas opções para a sua sobrevivência’, disse a diretora executiva da Oxfam Brasil, Viviana Santiago.

10 years after the Paris Agreement, world leaders are letting go of its most famous goal (Grist, 23/11/2025) – “Com o roteiro de combustíveis fósseis descartado e um acordo sobre o financiamento de adaptação assinado, o exausto chefe da COP, do Lago, ratificou o consenso do COP30 na tarde de sábado, sob fortes aplausos. No entanto, a plenária final da conferência foi mergulhada em drama novamente, momentos depois, quando Daniela Duran Gonzalez, chefe de assuntos internacionais do Ministério do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, registrou uma objeção. Na pressa de encerrar a conferência, do Lago havia inadvertidamente ignorado um ponto de ordem levantado pela Colômbia durante a ratificação do texto principal do acordo. Gonzalez, e representantes de muitas outras nações, queriam que o acordo final incluísse cláusulas sobre combustíveis fósseis. ´A COP da verdade não pode apoiar um resultado que ignore a ciência’, disse Gonzalez. Do Lago teve que pausar a plenária para se consultar com a Colômbia e outras nações. Após 30 minutos de negociações, as partes voltaram à mesa para finalizar a conferência com um acordo para continuar as conversas no futuro. Do Lago também prometeu lançar dois roteiros próprios: um visando a eliminação gradual dos combustíveis fósseis e o outro com o objetivo de acabar com o desmatamento. Esses esforços, no entanto, ocorrerão fora da autoridade vinculante do Acordo de Paris e são essencialmente empreendimentos de adesão voluntária.

COP30: Key outcomes agreed at the UN climate talks in Belém (Carbon Brief, 23/11/2025) – “Após negociações que duraram a noite toda na cidade amazônica de Belém, a presidência brasileira divulgou um pacote final denominado ‘mutirão global’. Foi uma tentativa de reunir questões controversas que dividiram a quinzena de conversações, incluindo financiamento, políticas comerciais e o cumprimento da meta de temperatura de 1.5 C do Acordo de Paris. Um ‘mecanismo’ para ajudar a garantir uma ‘transição justa’ globalmente e um conjunto de medidas para rastrear os esforços de adaptação climática também estavam entre os resultados notáveis da COP30.

COP30 acaba sem mapa para fim de fósseis, avança em adaptação, transição justa e indígenas (Agência Pública, 22/11/2025) – “Para organizações da sociedade civil, uma das maiores vitórias da COP30 foi a decisão dos países de desenvolver um mecanismo para que os países possam cooperar, obter assistência técnica e trocar conhecimento para realizar as chamadas ‘transições justas’ – mudanças necessárias para que as economias se tornem menos emissoras de gases do efeito estufa, que aquecem o planeta – considerando trabalhadores, povos indígenas, comunidades locais, migrantes, afrodescendentes, mulheres, crianças, idosos, pessoas com deficiência e outras pessoas em situação de vulnerabilidade.

COP30 exclui plano contra combustíveis fósseis de novo rascunho de decisão (Folha de S. Paulo, 21/11/2025) – “‘Não podemos apoiar um resultado que não inclua um roteiro para implementar uma transição justa, ordenada e equitativa para longe dos combustíveis fósseis. Esta expectativa é compartilhada por uma vasta maioria das Partes, bem como pela ciência e pelas pessoas que acompanham de perto o nosso trabalho’, afirma a mensagem, segundo o portal Carbon Brief.

Imagem do post: 22.11.2025 – Belém – COP30 – Presidente da COP30 durante plenária de encerramento da 30ª Conferência das Partes (COP30). Foto de Ueslei Marcelino/COP30